quinta-feira, 10 de maio de 2012

PICINGUABA - Paula Saldanha acompanha a pesca artesanal e abusos da pesca industrial

A pesca artesanal no litoral do paísA pesca artesanal no litoral do paísA pesca artesanal sempre garantiu a sobrevivência de milhares de brasileiros nos mais de oito mil quilômetros da costa brasileira. As diversas pressões da vida moderna têm mudado esse modo de viver característico do povo do litoral. A degradação ambiental, a pesca industrial e a pressão urbana fecham o cerco sobre essas populações.
Vivendo ao longo do litoral brasileiro há mais de 500 anos, comunidades de pescadores sofrem com o impacto da pesca industrial e têm o estilo de vida ameaçado. Neste Expedições, Paula Saldanha e Roberto Werneck acompanham de perto a vida e os costumes dos pescadores artesanais que denunciam abusos da pesca industrial, onde grandes barcos entram em enseadas e estuários de rios, arrastando, com redes de malha fina, cardumes dos berçários naturais.
Como controlar o impacto da pesca industrial sobre os milhões de brasileiros que dependem da pesca artesanal? As políticas de conservação têm sido suficientes? Quais os problemas que provocam o desaparecimento de várias espécies de peixes e camarões em nossa costa? A pressão é grande enquanto o que se pesca diminui. As propostas e o apelo dessas populações que desde sempre contam o doce viver no mar.
O programa ainda mostra o belíssimo litoral sul da Bahia, o litoral norte do Rio de Janeiro e o norte de São Paulo: praias paradisíacas, pequenas comunidades pesqueiras, um estilo de vida de baixo impacto ambiental e um jeito leve e cuidadoso com a natureza.
ASSISTA EM: https://www.youtube.com/watch?v=QO9Q2BtxN3w&list=PL47A10ABFC600C883
Fontes: http://tvbrasil.ebc.com.br/expedicoes/episodio/pesca-artesanal
e https://www.youtube.com/user/canoacaicara?feature=mhee

sábado, 5 de maio de 2012

GLOBO MAR EXIBE MARICULTURA DO LITORAL NORTE EM JUNHO

Dias 10 e 11 de abril passado a equipe do programa Globo Mar esteve em visita à Ubatuba para retratar o cotidiano dos pescadores caiçaras locais em sua faina pesqueira.
O roteiro das visitas foi elaborado por Peter Santos Németh que trabalha a quase 10 anos juntos aos pescadores tradicionais do litoral norte de São Paulo e atualmente elabora pesquisa sobre o assunto.
Foram visitadas as comunidades da Praia da Enseada e da Vila de Picinguaba.
Assita aqui: http://g1.globo.com/platb/globomar/2012/06/15/paglia-mostra-belezas-e-historias-do-litoral-norte-de-sp/
Na Enseada o Parque Aquícola Enseada do Flamengo, que integra o Plano Local de Desenvolvimento da Pesca e Maricultura Sustentáveis (PLDPMS) foi visitado pela equipe do apresentador e jornalista Ernesto Paglia que mostrou a pesca com Cerco Flutuante que está sendo regularizada pela APA Marinha do LN,http://www.ubaweb.com/revista/g_mascara.php?grc=37831, o cultivo experimental de Kapafícus (alga marinha) em parceria com a Prefeitura Ubatuba, SMAPA e Instituto de Pesca http://www.pesca.sp.gov.br/noticia.php?id_not=7593 e a mitilicultura ou cultivo de mexilhões http://www.rbma.org.br/mercadomataatlantica/ficha_0114.asp
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Depois, seguimos rumo a Vila de Picinguapa onde pernoitamos e no dia seguinte seguimos para a Ilha das Couves junto com o s maricultores locais que tocam o Projeto Vieiras junto com a EcoAssociação. http://www.ecoassociacao.org.br/
Este projeto é muito bonito assim como o local que é paradisíaco, e as vieiras estão enormes e deliciosas, vale a pena visitar.


O Progama será exibido dia 14 de Junho perto da meia noite na Globo, e será o último episódio da temporada 2012. Agradecemos imensamento a todos os pescadores e maricultores que ajudaram nas gravações e também os parceiros da Maricultura Paulista, AMESP, ECOASSOCIAÇÃO, APE, SMAPA-PMU, INSTITUTO DE PESCA, APA MARINHA LN, MARINHA DO BRASIL, SPU, MPA, CETESB.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

A CANOA CAIÇARA E SUA IMPORTÂNCIA MATERIAL E SIMBÓLICA

sábado, 25 de fevereiro de 2012
Hoje, com a gentileza do caiçara Eduardo Souza e do Luiz Moura (O guaruçá), faço questão de apresentar este belo texto sobre a canoa caiçara. Aos dois, os meus sinceros agradecimentos e um grande abraço. Em tempo: não consegui anexar a imagem do Ubatuba Víbora. Ainda bem que o Júlio Mendes tem muitas imagens de canoas (e todas são belas!).


Talvez pela simplicidade, talvez por ser primitiva - neste mundo ansioso de novidades tecnológicas, confortáveis e fugazes -, a canoa é para mim algo belo, uma obra de arte. Fui levado a refletir sobre o tema ao deitar os olhos na foto da canoa que encima as páginas do Ubatuba Víbora, do amigo Sidney Borges. A canoa em terra, na areia da praia, solitária, à espera do dono e, diante de si, o mar... Belíssima foto!
Tenho um depoimento do Baeco, fazedor de canoas. É um artista. Eis trechos do que ele diz: “A construção de canoa começa pela escolha da melhor madeira, mas a famosa mesmo é o Cedro. Depois vem a Timbuíba, o Ingá, o Bracuí... o Loro, o Guapuruvu e o Angelim. O Angelim tem três tipos: Angelim Amargoso, Angelim Gisara e o Angelim Pedra. Estas três são boas pra canoa. Esta é a madeira que a gente garante.” (...) ”Madeira a gente escolhe a lua, sim; agora, não precisa ser uma minguante de inverno; qualquer minguante é boa.” (...) ”A gente sabe a árvore que vai dar boa canoa no olho, primeiro o olho... Você bate o olho, vai, erra centímetros, e o tamanho é a boca da canoa” (...) ”O comprimento a gente se baseia na boca, na largura da boca, tá? Normalmente é sete vezes um, sete por uma. Sete vezes a largura da boca é o comprimento da canoa.” (...) ”Se ela, por exemplo, tem sessenta centímetros de boca, sete vezes seis quarenta e dois, então a canoa normalmente vai ter quatro metros e vinte centímetros.” (...) ”Pra medir no mato a gente tem uma mania: põe uma vara em direção à árvore antes do corte e aí sai com exatidão. A gente põe a vara lá na direção que vai ser o meio da canoa, e olha de longe e calcula. Porque tem a posição da boca, porque olhando na árvore você vê o lado melhor para a boca. Você olha tem um lado que é ‘selado’ e tem o outro que é mais ‘jeitoso’ para fazer a boca da canoa. A gente mede naquele lado. Com a vara faz uma cruz. Um olha de longe e vê o que está sobrando. Você vê com exatidão, porque a madeira é roliça. O outro, de longe, olha, aí você empurra pra lá, empurra pra cá, até saber o centro direitinho. Aí tira a grossura da casca, tira um pinguinho menos, e você tira o tamanho certo; aí sai exato, centímetro certo...”

O homem vê na árvore a canoa e, então, a transforma. O que era uma árvore, um Angelim no meio da mata, transforma-se, vira utensílio, instrumento, humaniza-se, torna-se mundo. A intimidade do homem com a canoa, que se torna extensão de seu corpo, de sua alma, que participa de sua história. Quando na solidão do mar, em terra, a mulher, os filhos, os amigos esperam que ela não falhe em trazer de volta o pescador que a navega, e a canoa, então, encarna a esperança. É ela que faz com que o mar, enquanto dificuldade, obstáculo, desafio, se torne possibilidade e colabore também na formação do modo-de-ser caiçara desse homem.

Na vida da maioria dos ubatubanos não há pelo menos uma história em que não esteja presente uma canoa. Nos meus tempos de infância, ela servia como veículo (além do uso na pesca) de transporte corriqueiro para os caiçaras do norte e do sul do município. A canoa é também fazedora de reminiscência. Tenho na memória duas canoas: a Mirim (acho que já escrevi sobre ela aqui no O Guaruçá), que meu pai me deu de presente bem antes de eu aprender a andar. Uma pequena canoa de guapuruvu. Arisca que só ela. Boa parte de minha infância e adolescência foi a bordo dessa canoinha, subindo e descendo o rio Grande da cidade. A outra, uma velha canoa, era a que meu pai, juntamente com alguns amigos dele, nos finais de semana, me levava para pescar com rede de arrasto na baía da cidade, na Praia do Cruzeiro. Ia na proa, deitando a rede ao mar aos poucos, sincronizado à velocidade da canoa. Meu velho, na popa, remava. Lançada a rede, em semicírculo, retornávamos à praia onde já nos esperavam para começar a puxada da rede com cordas feitas de imbé. Quando terminava a pescaria, subíamos a canoa, rolando-a sobre tocos de madeira até o rancho onde ela permaneceria esperando o próximo final de semana. Era pesca de lazer para meu pai e seus amigos. Para mim, sair de canoa com meu pai, momentos mágicos, inesquecíveis. Lembrar de uma canoa é também lembrar-me do meu velho, meu primeiro e maior amigo. Que Deus o tenha.

Nota do Editor: Eduardo Antonio de Souza Netto é caiçara, 60, prosador (nas horas vácuas) de Ubatuba, para Ubatuba et orbi.

Fonte:  José Ronaldo dos Santos, Caiçara de Ubatuba (SP-BR), preocupado em registrar coisas do nosso povo para que outros em http://coisasdecaicara.blogspot.com.br/2012/02/canoa-caicara.html

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Canoa Caiçara e seu uso na pesca do cerco flutuante.



A Canoa Caiçara é fundamental na pesca com cerco flutuante.
Sua facilidade de manejo, e versatilidade no uso a tornaram insubstituível.
Ela é usada como recipiente para o tingimento da rede do cerco com a tinta extraída da casca de certas árvores especiais como o jacatirão, o mangue, o pau abóbora, a aroeira e outras.
Abaixo a foto de uma canoa da Picinguaba com a rede recém tingida.

A turma do cerco da Picinguaba retirando a rede tingida da canoa para secar ao sol.



Na praia da Enseada, a equipe do programa Globo Mar, registra o uso da Canoa Caiçara na pesca do cerco flutuante. Os pescadores da Enseada arriaram o cerco acompanhados do repórter Ernesto Paglia.
Duas horas depois foi feita a "visita do cerco" ou despesca, e foram capturados perto de 60 kg de peixes entre sororocas e bonitos baquara.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

GLOBO MAR PRESTIGIA O FEITIO DA CANOA CAIÇARA


Hoje, 09-04-12 o canoeiro Renato Bueno da praia das Sete Fontes mostrou sua arte e habilidade na construção de uma autêntica Canoa Caiçara para o programa GLOBO MAR.
Em apenas 3 horas ele mostrou o passo a passo do feitio de uma Canoa Caiçara, desde o tronco até o acabamento grosso, sendo atentamente acompanhado pela equipe de filmagem capitaniada pelo jornalista e apresentador Ernesto Paglia e pela produtora executiva Adriana Caban.
Este é mais um passo em busca do reconhecimento deste saber tradicional genuinamente Caiçara como patrimônio imaterial brasileiro, para garantir sua perpetuação.



Obrigado Mestre Renato pela aula!

quarta-feira, 7 de março de 2012

RANCHOS DE PESCA PARA OS CAIÇARAS (realidade)

Os pescadores artesanais de Ubatuba estão comemorando uma grande conquista. A prefeitura, através da Secretaria de Agricultura, Pesca e Abastecimento, em parceria com a Secretaria do Patrimônio da União, vai entregar nesta sexta-feira, o Termo de Autorização de Uso de Espaço para Rancho de Pesca. O evento que marca a entrega do documento acontecerá às 14h, no auditório da Fundart, na Praça Anchieta, 38, Centro e contará com a presença da superintendente da Secretaria de Patrimônio da União no Estado de São Paulo, Ana Lucia dos Anjos.

Neste dia, cerca de 60 pescadores artesanais receberão a documentação que regulariza a utilização dos espaços para ranchos de pesca nas seguintes praias: Itaguá, Matarazzo, Barra Seca, Praia do Léo, Estaleiro, Praia da Justa, Fazenda, Enseada, Lázaro, Lagoinha e Fortaleza.
Ubatuba é o primeiro município do Brasil a conquistar a regularização de ranchos de pesca. O primeiro rancho a ser regularizado foi o do Perequê-Açu, em 2007, e desde então a prefeitura vem lutando pelas demais regularizações. “Esta documentação dá a garantia ao pescador de ter um local adequado para exercer suas atividades. Agradecemos ao governo federal pela atenção com Ubatuba. A conquista dos ranchos de pesca é mais uma prova de como nossa administração trabalha, dando a devida atenção às comunidades tradicionais do município”, avalia o prefeito de Ubatuba, Eduardo Cesar.


A conquista da regularização dos ranchos de pesca em Ubatuba contou com o empenho das Secretarias Municipais de Agricultura, Pesca e Abastecimento, Meio Ambiente e Arquitetura e Planejamento Urbano, que trabalharam em conjunto para tornar mais este sonho uma realidade. 

RANCHOS DE PESCA PARA OS CAIÇARAS (sonho)

Depois da regularização junto ao GRPU, outro desafio para tornar realidade os ranchos de pesca padronizados nas praias de Ubatuba será encontrar parceiros que ajudem a investir na sua reforma ou construção
Uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto Costa Brasilis demonstra que atualmente, existem cerca de 460 canoas de madeira em Ubatuba. Pensando na preservação dessa cultura e da atividade de pesca artesanal, a Prefeitura de Ubatuba está desenvolvendo um projeto para regularização dos ranchos de pesca do município junto a Gerência do Patrimônio da União (GRPU).

Na última semana, as secretárias de Agricultura, Pesca e Abastecimento (Smapa) e de Meio Ambiente, juntamente com o assessor de Planejamento e Desenvolvimento Municipal estiveram em São Paulo, para protocolar junto ao superintendente substituto da Gerência Nacional do Patrimônio da União, Rafael Bichof dos Santos, toda a documentação necessária para a regularização de 20 ranchos de pesca comunitários espalhados por diversas praias, do norte ao sul de Ubatuba.

Antes disso, um extenso trabalho foi desenvolvido junto aos pescadores artesanais e às secretarias envolvidas. “Técnicos da Smapa fizeram diversas reuniões com os pescadores interessados em regularizar seus ranchos de pesca de forma comunitária. Todos os pescadores enviaram suas documentações. Depois, cada secretaria envolvida adequou os projetos para reforma ou construção dos ranchos de forma padronizada, realizou os laudos ambientais necessários, organizou os documentos e encaminhou para a análise do patrimônio da união”, afirma o gerente de Pesca da Smapa, Élvio Damásio.

Primeira cidade do Brasil
Valéria Gelli explica que o número de canoas em Ubatuba e de pescadores que se utilizam delas para seu sustento em Ubatuba ainda é expressivo. “Com esse trabalho, estamos pensando na continuidade desses pescadores na orla marinha e na preservação da cultura da pesca artesanal. Os ranchos de pesca são locais para conservação das canoas de madeira e pontos de apoio à pesca. Ubatuba foi a primeira cidade do Brasil a ter um rancho de pesca regularizado. Agora, estamos aceitando este desafio de regularizar e uniformizar todos os ranchos comunitários do município.”

Em busca de parceiros
Depois da regularização, outro desafio para tornar realidade os ranchos de pesca padronizados nas praias de Ubatuba será encontrar parceiros que ajudem a investir na sua reforma ou reconstrução. A implantação será feita nas seguintes praias: Camburi, Ubatumirim, Justa, Fazenda, Leo, Felix, Barra Seca, Matarazzo, Itaguá, Enseada, Lázaro, Fortaleza e Lagoinha, beneficiando cerca de 80 famílias. Informações, entrar em contato com a Secretaria de Agricultura, Pesca e Abastecimento, pelo telefone: 3833-3500, com Marina Janaína Coutinho ou Peter Nemeth.