quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

100 POSTAGENS!

E pra comemorar 100 postagens, vou economizar em palavras e postar as 100 fotos que eu mais gosto. (POR FAVOR, CITAR A FONTE DAS IMAGENS)

Detalhe ampliado de J.B. Debret
Fausto Pires de Campos (Trindade-RJ, Década de 70)




Foto: Peter Santos Németh, Praia da Enseada, Ubatuba SP

Foto: Peter Santos Németh, Praia da Enseada, Ubatuba SP

Foto: Peter Santos Németh, Praia da Barra Seca, Ubatuba SP

Foto: Peter Santos Németh, Praia da Enseada, Ubatuba SP

Foto: Peter Santos Németh, Ilha do Mar Virado, Ubatuba SP

Foto: Peter Santos Németh, Praia do Camburi, Ubatuba SP

Foto: Peter Santos Németh, Praia do Camburi, Ubatuba SP

Foto: Peter Santos Németh, Praia do Camburi, Ubatuba SP

Foto: Peter Santos Németh, Praia da Caçandoca, Ubatuba SP

Foto: Peter Santos Németh, Praia do Perequê Mirim, Ubatuba SP

Foto: Peter Santos Németh, Praia Enseada, Ubatuba SP

Foto: Lilian Prochaska Nemeth, Praia do Cruzeiro, Ubatuba SP

Foto: Janaína Zimmermann Marcelo Ambrogi, Praia da Enseada, Ubatuba 


Foto: Janaína Zimmermann Marcelo Ambrogi, Praia da Enseada, Ubatuba 

Foto: Peter santos Németh, Praia do Itaguá, Ubatuba, SP

Foto: Élvio de Oliveira Damásio, Costeira da Enseada, Ubatuba, SP

Foto: Peter Santos Németh, Praia da Enseada, Ubatuba, SP

Foto: Peter santos Németh, Praia do Itaguá, Ubatuba, SP


Foto: Peter Santos Németh, Praia da Enseada, Ubatuba, SP

Foto: Peter Santos Németh, Praia da Enseada, Ubatuba, SP

Foto: Peter Santos Németh, Praia da Enseada, Ubatuba, SP

Foto: Peter Santos Németh, Praia da Enseada, Ubatuba, SP

Foto: Peter Santos Németh, Praia da Enseada, Ubatuba, SP

Foto: Peter Santos Németh, Praia da Enseada, Ubatuba, SP

Foto: Peter Santos Németh, Praia da Enseada, Ubatuba, SP

Foto: Peter Santos Németh, Praia da Enseada, Ubatuba, SP

Foto: Peter Santos Németh, Praia da Enseada, Ubatuba, SP

Foto: Peter Santos Németh, Praia da Enseada, Ubatuba, SP

Foto: Peter Santos Németh, Barra dos Pescadores, Ubatuba, SP

Foto: Peter Santos Németh, Paraty, RJ

Foto: Peter Santos Németh, Paraty, RJ

Foto: Peter Santos Németh, Paraty, RJ

Foto: Peter Santos Németh, Aparecida do Norte, SP

Foto: Peter Santos Németh, Praia Enseada, Ubatuba SP




Foto: Peter Santos Németh, Praia da Picinguaba, Ubatuba, SP

Foto: Peter Santos Németh, Praia Enseada, Ubatuba SP


Foto: Peter Santos Németh, Sertão do Ubatumirim, Ubatuba, SP


Foto: Peter Santos Németh, Praia da Enseada, Ubatuba, SP

Foto: Peter Santos Németh, Praia do Ubatumirim, Ubatuba, SP


Foto: Janaína Zimmermann Marcelo Ambrogi, Praia da Enseada, Ubatuba 

Foto: Janaína Zimmermann Marcelo Ambrogi, Praia da Enseada, Ubatuba 




Foto: Janaína Zimmermann Marcelo Ambrogi, Praia da Enseada, Ubatuba 

Expedição Geográphica Geológica, Exploração do Littoral, 1915

Foto: Peter Santos Németh, Praia Enseada, Ubatuba SP

Foto: Peter Santos Németh, Praia da Picinguaba, Ubatuba, SP

Foto: Acervo de Roberto Teixeira de Oliveira, Praia da Almada, Ubatuba, SP

Foto: Peter Santos Németh, Praia Enseada, Ubatuba SP

Foto: Peter Santos Németh, Praia Enseada, Ubatuba SP

Foto: Cristina Prochaska, Praia do Cruzeiro, Ubatuba, SP

Fausto Pires de Campos (Trindade-RJ, Década de 70)

Fausto Pires de Campos (Trindade-RJ, Década de 70)

Foto: Peter Santos Németh, Sertão do Ubatumirim, Ubatuba, SP

Foto: Peter Santos Németh, Sertão do Ubatumirim, Ubatuba, SP

Foto: Fabi Bonete, Praia do Bonete, Ilhabela, SP

Foto: São Sebastião Tem Alma

Foto: Adriano Perna, Praia do Bonete, Ilhabela, SP

Foto: Adriano Perna, Praia do Bonete, Ilhabela, SP

Foto: Adriano Perna, Praia do Bonete, Ilhabela, SP

Foto: Adriano Perna, Praia do Bonete, Ilhabela, SP

Foto: Acervo da família Prochaska, Praia da Enseada, Ubatuba, SP

Foto: Peter Santos Németh, Praia Enseada, Ubatuba SP


Foto: Peter Santos Németh, Praia Enseada, Ubatuba SP




Foto: Peter Santos Németh, Praia Enseada, Ubatuba SP


Foto: Ricardo Martins Monge (Papu). Paraty, RJ

Foto: Amyr Klink, Paranaguá.

Foto: Peter Santos Németh, Sertão do Ubatumirim, Ubatuba, SP


Foto: Peter Santos Németh, Praia Enseada, Ubatuba SP


Foto: Peter Santos Németh, Praia Enseada, Ubatuba SP




Foto: Peter Santos Németh, Praia Enseada, Ubatuba SP

Foto: Peter Santos Németh, Praia Enseada, Ubatuba SP

Foto: Peter Santos Németh, Praia Enseada, Ubatuba SP



Foto: Peter Santos Németh, Praia Enseada, Ubatuba SP

Foto: Peter Santos Németh, Praia Enseada, Ubatuba SP





Foto: Élvio de Oliveira Damásio, Praia do Ubatumirim, Ubatuba, SP



Foto: Peter Santos Németh, Praia Enseada, Ubatuba SP

Foto: Peter Santos Németh, Praia Enseada, Ubatuba SP

Foto: Peter Santos Németh, Praia Enseada, Ubatuba SP

Foto: Peter Santos Németh, Praia Enseada, Ubatuba SP

Foto: Peter Santos Németh, Praia Enseada, Ubatuba SP

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

MARISCADA

E na Praia da Enseada, os cultivos marinhos artesanais de mexilhão estão movimentando pouco a pouco a economia dos pescadores locais.
foto: Peter S. Németh
A diferença está no cuidado que os produtores têm na escolha e manipulação dos mariscos.
O mexilhão é um alimento especial. Uma mariscada por mais simples que tenha sido preparada (apenas cozida em água doce) é um prato delicioso.
É claro que, sempre que possível, um fiozinho de azeite, bastante salsinha picada, e uma cebola batidinha, dão um toque a mais nessa delícia.
Quando o panelão chega fumegante à mesa, não há quem resista. Os mais apressadinhos queimam os dedos, a língua, mas mesmo assim continuam a comer. Os mais cautelosos esperam um bocadinho e escolhem com cuidado o macho ou a fêmea pra comer. Aí começam as brincadeiras: "Qual é mais gostoso o macho ou a fêmea?", "Quero ver descobrir a diferença de olho fechado!", e por aí vai.
O mais interessante é que na verdade o que se come no mexilhão são suas ovas. Sim, aquilo que no macho é esbranquiçado e na fêmea é alaranjado, são as gônadas cheias de ovas. E essas ovas são riquíssimas em glicogênio. Por causa disso o apelido de "Viagra natural" que o mexilhão tem.
Outra curiosidade é que devido ao estresse que o marisco sofre, seja por ondas fortes, raios e trovões muito próximos, mudança brusca de temperatura ou salinidade da água, eles desovam todos juntos. Então o marisco fica "magro" como diz o Caiçara, ou seja suas gônadas ficam vazias e ao cozinhar ele fica miúdo.
A Mariscada é uma experiência gastronômica diferenciada que agrega a família. Quem dera mais pessoas apreciassem essa delícia, deixando de lado o preconceito e ao menos provando essa iguaria tipica Caiçara.
foto: Peter S. Németh


domingo, 26 de janeiro de 2014

O QUINHÃO - A REPARTIÇÃO DOS PEIXES

A divisão em partes, ou quinhão, é uma instituição Caiçara tradicionalíssima.
Em 1947, Carlos Borges Schmidt escreveu em Alguns Aspectos da Pesca no Litoral Paulista:
"Recolhido e amontoado o peixe no enxuto. arrastada a rede em sêco antes que se cuide de outra coisa, tem lugar a repartição. Os sócios do trabalho receberão agora, cada um a sua paga. Do peixe todo amontoado, retira-se o terço. este pertence ao dono da rede. (...) Os dois terços restantes pertencem aos camaradas, aos ajudantes e ao espia. Os primeiros têm direito a um quinhão, os ajudantes a meio quinhão e por fim, o espia a pagamento dobrado: dois quinhões. À responsabilidade maior, ao trabalho mais prolongado ( O espia persegue o cardume durante noite e dia até que ele fique ao alcance das redes. Nota minha.), à capacidade profissional mais desenvolvida - a paga justa e merecida. Formam, os que trabalharam, um círculo ao redor do peixe amontoado e que vai ser repartido. Nada de cálculos matemáticos: a repartição é mecânica. ( Nesse caso, a pesca da tainha, trata-se de apenas uma qualidade de peixe pescado. Nota minha.) O redeiro vai distribuí-lo, peixe por peixe, de um em um, ou em maior número de cada vez, tal seja a proporção da colheita."  

Gioconda Mussolini por volta de 1950 também aborda o tema em Ensaios de Antropologia Indígena e Caiçara, sobre a pesca da tainha:
Para iniciar-se a divisão, trata-se primeiro de separar o terço. (...) Do monte maior sairá o "quinhão" dos que trabalharam, quinhão variável segundo o vulto da pescaria e o número de participantes. Para isso, se não há muito peixe, a tarefa é fácil: dispõe-se os camaradas em círculo ao redor e aos seus pés vai sendo lançado, um por um, até perfazer a roda toda, (...)  
No caso do vídeo acima, a pesca efetuada foi a do cerco flutuante, e as várias espécies diferentes que foram capturadas são divididas entre os quatro camaradas. Assim, o pescador mais antigo divide o peixe levando em conta sofisticadas graduações de valor relativas a qualidade do peixe, estado físico e equivalência. Por exemplo uma anchovinha vale menos que uma cavala "podre" (diz-se de podre, um peixe com a guelra esbranquiçada), e esse valor menor é compensado por um vermelho grande.
foto: Peter Santos Németh - Praia da Enseada
Já os galos, que são apenas dois, vão para os donos do cerco flutuante, e a miuçalha e os peixes roídos podem ser doados.
O quinhão é uma legítima instituição Caiçara que perdura até os dias de hoje, levando-nos a uma reflexão profunda sobre o valor e a organização social do trabalho em casos onde o dinheiro pode ser dispensado.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

UBATUBA: EX-TÂNCIA BALNEÁRIA

Esse verão de 2014 poderá ser lembrado no futuro de duas formas distintas:
2014 - O verão em que Ubatuba se deixou afundar de vez em merda humana; ou,
2014 - O verão em que Ubatuba iniciou a retomada de sua principal riqueza, o mar.
Até quando esperar para tomar as atitudes tão necessárias?
A situação beira a calamidade pública, e os danos aos banhistas desavisados dão enormes prejuízos ao sistema público de saúde.
Os impactos à fauna marinha também são extremamente danosos tanto aos ecossistemas costeiros quanto aos pescadores que vivem dele.
Ubatuba, que ostenta o título de Estância Balneária, depende basicamente da BALNEABILIDADE  de suas praias para atrair o turismo que é seu principal vetor econômico.
Hoje, com a facilidade de acesso das redes sociais, pipocam em todo canto denúncias de esgotos a céu aberto por toda as praias e bairros. Falando em português claro: merda pura escorrendo pelas ruas e prais em direção ao mar.
Esse vídeo postado acima, em apenas 48 horas atingiu duas mil visualizações. Esse fato talvez reflita a indignação da sociedade local e usuários das praias de Ubatuba com a falta de cuidado com o saneamento litorâneo e a farsa propalada aos quatro ventos em campanhas publicitárias mentirosas das empresas de coleta e tratamento de esgoto. Chega de mentiras, as imagens da internet refletem apenas a pura verdade!
Denúncia Praia do Matarazzo
Denúncia Córrego Água Branca
Denúncia Enseada
Denúncia Lázaro
Denúncia Rua Santa Cruz
Denúncia Rio Acaraú
Notícia esgoto Surfcam
Notícia esgoto G1
Notícia esgoto O Vale
Um conjunto de fatores contribui para o agravamento dessa situação:
1- A verticalização irresponsável e irregular que avança pelas Toninhas, Enseada, Lázaro e Saco da Ribeira;
2- Uma rede coletora que atende menos de 10% da área total de Ubatuba, não só da cidade, toda Ubatuba;
3- Emissários submarinos defasados, que operam irregulares a mais de 30 anos, com a conivência dos órgãos ambientais de fiscalização;
4- Residências que despejam água de chuva na rede de coleta de esgoto;
5- Falta de vontade política em um investimento sério em saneamento;
6- Propaganda mentirosa e enganosa dos órgãos de tratamento de esgoto, que por serem empresas de capital público-privado, visam apenas o lucro a qualquer custo para seus acionistas.
CHEGA! CHEGA! CHEGA!
Ou tomamos atitudes de mudança imediata ou nosso futuro será afundarmos na merda até o pescoço!
foto: JCM

domingo, 12 de janeiro de 2014

A CANOA CAIÇARA, O PESCADOR E O TURISTA.

Que pescaria linda a do Ascendino!
Com seu tresmalho de costeira, largado no lugar e horário certo, ele matou santola, piragica, cação leitoinha e até lagosta. 

Pescaria boa assim é sorte grande pro Caiçara, ainda mais em plena temporada, época em que a Canoa puxada no "lagamar" atrai o turista que nem o bonito "ardido" atrai a garoupa.
A turistada sempre começa com a pergunta clássica: "Que peixe é esse?", depois: "Olha filho o peixinho." Aí é hora do pescador "pescar" o turista, respondendo: "Esse é o cação leitoinha, muito gostoso frito." "A piragica tem um gosto mais forte mas dá um caldo que é uma beleza, um viagra natural." E assim vai, fala daqui, ensina dali até que dá o preço e o turista pergunta: "O senhor limpa?", pronto fisgou: "Limpo sim, deixo prontinho pra fritar."



Eu vendi muito peixe na praia, em cima de um banco de Canoa, igual a essa do Ascendino.
Foi um tempo muito bacana da minha vida, vivi e sobrevivi do mar, senti a alegria gloriosa de depender apenas do meu conhecimento, da minha rede e da minha Canoa, movidos pela vontade e pela força do meu remo. Vender meu peixe na beira da praia e com esse dinheiro comprar minhas coisinhas, ser livre e autônomo.
Escolher ainda com o raiar do dia o peixe que ia fritar e comer com farinha e café bem doce no meu desejum, e assim começar o dia cheio de energia do peixe "batendo a boca" mais fresco que pode existir.
Eu sempre digo que se alguém quer encontrar peixe fresco de verdade tem que conhecer a história do peixe: quem pescou, onde, como, então quando for comer o peixe toda essa história vai junto, alimentando não só o corpo mas também o espírito que fica um pouco mais enriquecido de saber.
Da próxima vez que for a uma praia procure bem cedinho uma Canoa Caiçara puxada na beira do mar, ali tem muito a se aprender.

fotos: Peter Santos Németh, Praia da Enseada, dezembro de 2013.