Essa sequencia de fotos foram tiradas entre março de 2011 e abril de 2012.
Foi após esta reforma que a Marvada ganhou a sua faixazinha amarela marcando a linha do bordo.
Agora ela já precisa "botar pedaço na garra de proa" e "catar" mais algum pedaço "pijuco".
A turma já está cobrando a presença da Marvada nas corridas de 4 remos!
Tudo começa com uma "cutucadinha" onde tá "pijucando"...
Depois "pra botar pedaço", a gente "afeiçoa um sobrenício"
Aí a gente faz a cola
Lixa tudo e ninguém mais descobre onde é que tá o pedaço.
Existe muita polêmica quando se pensa em uma alternativa ao uso de árvores inteiras para a construção das canoas caiçaras escavadas em um só tronco (monóxilas).
A mais divulgada é o uso de fibra de vidro, na minha opinião uma verdadeira heresia em termos culturais, pois ela destrói definitivamente o ritual de transmissão de todo o conhecimento tradicional necessário para o feitio das mesmas.
Eu mesmo acredito que uma árvore transformada em canoa não morre (leia), ela na verdade renasce como canoa caiçara e proporciona a sobrevivência material e simbólica de comunidades inteiras.
Seria muito mais fácil, ao invés dessa polêmica absurda, uma grande campanha de plantio de árvores para o fim específico de construção de canoas.
Mas por enquanto, deixando a fibra de vidro de lado, encontrei por acaso uma técnica surpreendente que utiliza sobras de madeira recicladas com muita arte e técnica de carpintaria.
Essa técnica resulta em uma peça interessante e bonita, embora não tenha a mesma resistência ao sol, impactos fortes e intempéries (e talvez necessite de uma camada de resina e manta de fibra de vidro) e também não contribua para a manutenção da cultura caiçara dos Mestres canoeiros.
Mesmo assim é interessante como curiosidade e obra de arte.
As ferramentas utilizadas no feitio de uma canoa caiçara são
as mais simples e fundamentais da carpintaria, com exceção da motosserra e das
ferramentas elétricas, que apareceram para facilitar o trabalho e diminuir o
tempo de feitio da canoa, podendo encurtar de um mês para até uma semana,
inclusive barateando seu custo de produção. São utilizadas basicamenteo machado, o facão, o enxó goiva, o enxó chato, a
linha de bater, o prumo, o nível de água, a verruma, o arco de pua, o martelo,
o serrote, o formão chato, o formão goiva, as limas, a motosserra, a plaina
elétrica e a lixadeira elétrica.
No entanto é o enxó (fig. 33), a ferramenta símbolo do
ofício de confeccionar canoas. Como visto anteriormente o enxó é uma das
primeiras ferramentas inventadas pelo homem, hoje as lascas de pedra ou conchas
foram substituídas pela lâmina de metal. Quase sempre o enxó é forjado pelo
próprio mestre canoeiro, que molda a ferramenta de acordo com o seu estilo de
trabalhar, e tipo de uso. Vários tipos de enxó (fig. 33.1) são confeccionados
para cada etapa do feitio da canoa, os pesados e de cabo longo para cavucar, os
leves e de cabo curto para os detalhes, os chatos para aplainar, os “goivados”
para escavar e até vincados para fazer a linha do “beque da proa”.
33.1
Trecho extraído do Dossiê Canoa Caiçara, autor Peter Santos Németh.