Mostrando postagens com marcador mestre canoeiro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mestre canoeiro. Mostrar todas as postagens

sábado, 12 de maio de 2018

Agrício Barbosa - Mestre Canoeiro Caiçara

LUTO. Mestre Agrício Barbosa, o maior expoente da Canoa Caiçara do litoral norte de SP nos deixa. 
Em cada Canoa, em cada linha, em cada aprendiz fica o legado de sua arte e sabedoria
Mestre Agricio o senhor continua em nós. (fotos: Peter Santos Németh, julho de 2010)

A enxó não diz nada
Sem o seu olhar certeiro
Que Deus lhe dê um bom lugar
Mestre Agrício canoeiro. (Fandango Bacurau)






domingo, 9 de julho de 2017

Canoa Caiçara de "4 paus" é Zap... Truco!

O mestre canoeiro Renato Bueno de Ubatuba demonstrando toda sua criatividade e técnica ao restaurar esta canoa caiçara que estava com o fundo comprometido. Esta canoa veio de Paúba, São Sebastião. Cortou-a ao meio longitudinalmente e inseriu uma nova prancha no fundo, uma proa com garra e sobreproa em peça única e um espelho de popa para instalação de motor de popa. A canoa restaurada voltou navegando até Paúba com um motor de 25 hp. Veja as fotos.









quarta-feira, 9 de março de 2016

Mestre Josias de Matos, e a Canoa Caiçara de Toque-Toque Pequeno.

O trecho a seguir foi extraído do Jornal da USP de 28 de março a 03 de abril de 2005, ano XX nº.719.

Um jeito de ser 

Para fazer a canoa que o pescador Daniel precisa, o mestre canoeiro Josias Marcelino de Matos (clique e veja vídeos com o Mestre), morador de Toque-Toque Pequeno, precisará aguardar até cair um jequitibá maior do que o que encontrou na mata, hoje transformada em Parque Estadual da Serra do Mar. “Pode ser também cedro ou alguma de igual qualidade. Mas depois de achar a tora, a outra questão vai ser esperar sair a autorização do DEPRN (Departamento Estadual de Proteção dos Recursos Naturais) para eu poder trabalhar a madeira”, diz o mestre canoeiro.

Mas nem sempre foi assim. Até o final da década de 70, muitos caiçaras artesãos que usavam a caxeta ou outras madeiras para seus trabalhos provavelmente não enfrentariam aqueles obstáculos. As leis ambientais, no entanto, restringem o uso do solo e dos recursos materiais em áreas protegidas e o que antes era utilizado livremente, como fonte de subsistência, atualmente tornou-se bem protegido pela legislação.
Mestre Josias. Foto: Peter S. Németh, julho de 2010.

Os entraves legais se intensificaram entre as décadas de 1980 e 1990, período em que foram criadas cerca de 2.098 unidades de conservação de âmbito nacional, como cita o professor Antônio Carlos Diegues em seu livro O mito da natureza intocada. “Foi justamente nesses espaços territoriais litorâneos, de mata tropical úmida, habitados por essas populações tradicionais, que se implantou grande parte das chamadas áreas naturais protegidas, a partir dos anos 30, no Brasil”, registra o livro.

Dono de conhecimentos sobre a biodiversidade da floresta e do mar e de engenhosos sistemas tradicionais de manejo, o caiçara, numa definição dos pesquisadores do Nupaub, é o descendente da mescla étnico-cultural de indígenas, de colonizadores portugueses e, em menor grau, de escravos africanos, cujas comunidades tradicionais subsistiam através da agricultura itinerante, da pesca artesanal, do extrativismo vegetal e do artesanato. No litoral paulista, as comunidades tradicionais caiçaras foram mantidas até a década de 1950, quando começaram a ser abertas as primeiras estradas ligando a região litorânea ao planalto. Apesar de até já ter sido preso por praticar extrativismo de subsistência, Josias pretende continuar sendo mestre canoeiro e passar seus conhecimentos para os filhos. “Insisto em fazer isso por uma questão espiritual”, afirma.

Vento forte é sinal de árvore caída. Depois de um temporal, lá vai Josias trilhar a mata para encontrar alguma espécie que sirva para uma encomenda que eventualmente tiver. De posse de uma autorização, atualmente ele está talhando uma canoa de competição. Mas reclama da demora e da burocracia para obter o documento. “Há pouco tempo perdi uma encomenda porque, quando a autorização saiu, a árvore já tinha apodrecido. Era um tronco bonito que só vendo”, conta. Procurados pela reportagem, os responsáveis pelo DEPRN no litoral norte não deram retorno para se pronunciar sobre as razões do entrave burocrático nas autorizações dadas a artesãos caiçaras.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

A CANOA CAIÇARA DE ILHABELA - BONETE

Bela, belíssima, só assim consigo iniciar este texto sobre a Canoa Caiçara de Ilhabela-Bonete.
foto: Rodrigo, 1000dias.com.
Construída através das mesmas técnicas e princípios pautados pelas "25 linhas", que orientam o feitio das Canoas Caiçaras desde o litoral sul fluminense, paulista até o norte paranaense, as Canoas Caiçaras de Ilhabela-Bonete possuem características de design próprias. Estas ligeiras adaptações permitem uma maior sintonia entre a embarcação e as condições ambientais locais de mar, vento e porto. Assim tornaram-se estas canoas "alteiras" de proa para enfrentar ondas grandes, e acrescidas de uma sobreborda aberta em ângulo para que as marolas não entrem pelos bordos. Ficaram esguias, de modo que sua proporção Comprimento / Boca é de coeficiente maior que 7, o que as faz rápidas na água. Ganharam motores de centro, eixo, hélice e consequentemente um leme para governo. Isso fez surgir mais uma peculiaridade nestas flechas do mar, seu uso como um veículo seguro, rápido, confiável e o meio de transporte diário de dezenas de famílias Caiçaras tradicionais que vivem por gerações em praias e costões afastados.
 
Estas comunidades desenvolveram um modo de vida integrado ao ambiente natural em perfeita simbiose, sendo a Canoa Caiçara o principal símbolo de resistência desta população ímpar, frente os avanços da especulação imobiliária, do turismo irresponsável e de um ambientalismo radical que exclui o homem da natureza.
foto: Teresa Aguiar, projeto SSTA.
Esta sequência de lindas fotos mosta as etapas de feitio de uma Canoa Caiçara de Ilhabela-Bonete, desde o aproveitamento de uma árvore tombada pelo vento, até a puxada do "corte de canoa"

 foto: Fabi Bonete, facebook.
Após a puxada, a canoa vai passar pelo acabamento grosso, onde com o enxó o Mestre Canoeiro redefine as linhas da canoa imprimindo sua marca pessoal. Logo depois é feito o acabamento fino onde a sobreproa e a sobrepopa é colada e a canoa é toda lixada.
 foto: Adriano Perna.
A técnica de colocar sobreproa e sobrepopa, permite que a árvore seja melhor aproveitada em todo seu comprimento, caso contrário, se a proa e popa mais altas fossem esculpidas no mesmo tronco, a canoa teria que ser mais curta, mais rasa e mais estreita. Uma solução técnica genial que resulta na Canoa Caiçara de Ilhabela-Bonete sem a "bordadura", mais utilizada na pesca a remo, como vemos na bela imagem abaixo.  

 foto: Adriano Perna.
Caso for necessário maior capacidade de carga ou mais segurança, seja nas canoas a motor, ou nas antigas canoas de voga , será acrescida a "bordadura" ou sobreborda, o que proporcionará mais eficiência para enfrentar as ondas seja em mar aberto ou na saída da praia. Estas bordas altas, que requerem grande habilidade e capricho para serem confeccionadas tornam-se a principal característica das Canoas Caiçaras Boneteiras.
 foto: Adriano Perna.
Vida longa à tradição boneteira! Arrelá!
 foto: Adriano Perna.
 Tradição vem do latim traditio, que significa transmitir algo a alguém.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

AS FERRAMENTAS DO OFÍCIO DE MESTRE CANOEIRO


AS FERRAMENTAS DO OFÍCIO

As ferramentas utilizadas no feitio de uma canoa caiçara são as mais simples e fundamentais da carpintaria, com exceção da motosserra e das ferramentas elétricas, que apareceram para facilitar o trabalho e diminuir o tempo de feitio da canoa, podendo encurtar de um mês para até uma semana, inclusive barateando seu custo de produção. São utilizadas basicamente o machado, o facão, o enxó goiva, o enxó chato, a linha de bater, o prumo, o nível de água, a verruma, o arco de pua, o martelo, o serrote, o formão chato, o formão goiva, as limas, a motosserra, a plaina elétrica e a lixadeira elétrica.
No entanto é o enxó (fig. 33), a ferramenta símbolo do ofício de confeccionar canoas. Como visto anteriormente o enxó é uma das primeiras ferramentas inventadas pelo homem, hoje as lascas de pedra ou conchas foram substituídas pela lâmina de metal. Quase sempre o enxó é forjado pelo próprio mestre canoeiro, que molda a ferramenta de acordo com o seu estilo de trabalhar, e tipo de uso. Vários tipos de enxó (fig. 33.1) são confeccionados para cada etapa do feitio da canoa, os pesados e de cabo longo para cavucar, os leves e de cabo curto para os detalhes, os chatos para aplainar, os “goivados” para escavar e até vincados para fazer a linha do “beque da proa”.





 33.1

Trecho extraído do Dossiê Canoa Caiçara, autor Peter Santos Németh.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

CANOA CAIÇARA "MARIA COMPRIDA" COMEMORA 40 ANOS

Dia 1º de julho último, um domingo de corrida de canoas da 89ª Festa de São Pedro Pescador em Ubatuba, a canoa Maria Comprida, construída de um tronco de louro pelos maiores mestres canoeiros do nosso litoral, o Sr. Agrício Néri Barbosa, e seu filho Manoel (Baéco) em 1972, voltou a navegar suas linhas graciosas em comemoração dos seus 40 anos de existência.
Para quem não conhece sua história,  ela  foi construída especialmente para as corridas de canoas entre as cidades de Ubatuba e São Sebastião, na categoria cinco remadores. A árvore que originou a famosa canoa, foi encontrada na curva da batata na rodovia Oswaldo Cruz que liga Taubaté à Ubatuba, pelo caçador Vergílio Alexandre. O acabamento e a pintura da canoa foram feitos pelo Sr. Dito Balbino, do bairro da Estufa, ela tem 9,20 metros de comprimento, apenas 82 cm de "boca", pesando aproximadamente 200 quilos.

Na comemoração de seus 40 anos, a canoa foi conduzida por remadores representando as praias de ubatuba: Joanilson da Praia da Justa, "Xico" Parú da Praia da Enseada, Dionísio e Nelsinho da Barra Seca, Seu Domingos da Praia das Sete Fontes e Marta do Centro.
Assista em: https://www.youtube.com/watch?v=4543Vbb3Bm8&feature=plcp


                                                            foto: Cristina Prochaska

Para esta ocasião a Maria Comprida foi totalmente restaurada pelo canoeiro Renato Bueno, filho do Seu Domingos da Sete Fontes, que colocou vários pedaços novos em seu bojo, esculpidos no enxó e colados com araltec e serragem,  numa técnica chamada sobrenício.

                                                        foto: Lilian Prochaska Németh

Em 1973, no dia 1º de junho, pela primeira vez aconteceu a "Jornada Marítima Ubatuba-Santos", uma prova com percurso longo, com cinco remadores, porém sem caráter de competição. Mais uma vez, o grande incentivador foi o professor Joaquim Lauro. Comandada por Artur Alexandrino dos Santos, a Maria Comprida foi rasgando as águas com os remos de Carlos Alves de Morais (Carrinho), João Correa Leite (Jango), Antonio Barroso Filho (Barrosinho) e Nilo Vieira, rumo à Santos. Os cinco remadores faziam parte do Esporte Clube Itaguá.
Percurso, de aproximadamente 215 quilômetros em linha reta, idealizado para lembrar um fato da história do Brasil, a Paz de Iperoig, assinada em 14 de setembro de 1563. Antes de ser estabelecida a paz entre os índios e os portugueses, os índios de nossa região se uniram para combater os portugueses no que foi denominado "Confederação dos Tamoios", quando então, comandados por Cunhambebe, se deslocavam principalmente até Bertioga nesse tipo de canoa. Em comemoração aos 410 anos da Paz de Iperoig, foi realizada a viagem da canoa Maria Comprida de Ubatuba a Santos.

A saída da Maria Comprida foi no dia 1º de junho, às 4h 45min, tripulada pelos cinco remadores, em frente à Capela Nossa Senhora das Dores no Itaguá, chegando em São Sebastião às 13h05 do mesmo dia. De lá saíram às 04h15, chegando em Bertioga às 14h45 do dia 2 de junho. De Bertioga continuaram a viagem, saindo às 06h30 e chegando finalmente à Santos às 10h15 do dia 3 de junho, atracando na Ponta da Praia, em frente ao Clube de Regatas Saldanha da Gama.

Em 1975, a Maria Comprida volta ao mar para fazer a trajetória Ubatuba-Parati, cidade sul fluminense, com o objetivo de incentivar remadores da região para participarem das corridas de canoa realizadas em Ubatuba. Tripulada por Artur, Carrinho, Salvador Mesquita dos Santos, Barrosinho e João Grande, Maria Comprida deixou a cidade às 05h35 e às 17h15 estava atracando em um pequeno porto ao lado da Igreja Matriz de Parati.

Anos mais tarde, o Tamoios Iate Clube adquiriu a canoa, já bastante danificada, e posteriormente o Comodoro José de Magalhães Netto cedeu a Maria Comprida à FUNDART. Em agosto de 1997, a canoa finalmente foi restaurada e no dia 15 do mesmo mês a doação foi oficializada, ficando a Maria Comprida em exposição no Centro de Informações Turísticas na Avenida Iperoig. Nesse mesmo dia, os remadores foram homenageados pela FUNDART e pela Prefeitura Municipal de Ubatuba.

QUE VENHAM MAIS 40 ANOS DE HISTÓRIA!!

fonte: http://www.ubaweb.com/ubatuba/esportes/index_esp_masc.php?espo=canoamc, acesso em 3/07/12

Atualizado em 27 de julho de 2016:
Completando sua história, a canoa Maria Comprida conduziu a tocha olímpica nas águas da Enseada de Ubatuba. Empunhada na proa pelo Nelson da Barra Seca, outros três remadores e uma remadora ubatubanos, entre eles Seu Domingos das Sete Fontes e Edinho do Ubatumirim na popa.
Foto: Irismar Clarindo Silva Clarindo
Foto: Luiz Correia



terça-feira, 15 de maio de 2012

A MAIOR CANOA CAIÇARA DE UBATUBA

A MAIOR CANOA DE UBATUBA.

Esta maravilhosa obra da engenharia empírica Caiçara, é uma canoa esculpida de um jequitibá imenso. Com  1,34m de boca e 9,60m de comprimento é uma obra prima, esculpida pela família Neri Barbosa (vídeo).
Na foto, meu amigo e professor Élvio de Oliveira Damásio, Mestre Caiçara legítimo, mostra a proporção da monóxila. As duas outras canoas emborcadas são de tamanho normal (três palmos de boca) e foram esculpidas de um guapuruvu carregado pela enchente do rio.
Conheça também a GIGANTE CANOA CUNHAMBEBE, da praia da Almada.



Fotos: Peter Santos Németh

segunda-feira, 14 de maio de 2012

A CANOA INDÍGENA BRASILEIRA E AS HAABJAS DA ESTÔNIA

É interessante notar as semalhanças entre as técnicas construtuivas de canoas indígenas brasileiras como as dos Yanomamis amazônicos,   com as técnicas da europa oriental, das canoas denominadas Haabjas da região de Sooma, na Estônia. Ambas utilizam o fogo para alargar e moldar o corpo da canoa com o auxílio dos "barrotes" que são as madeiras colocadas dentro dos bordos para forçar o alargamento.
A diferença mais marcante seria a presença das "garras", (quillhas), na canoa estoniana mesmo que estas quilhas ocorram mais nas canoas marítimas, servindo para dar maior estabilidade e direção.
Enquanto que na canoa Yanomami, as garras não existem como normalmente ocorr nas canoas fluviais ou lacustres. 
Assista aos vídeos em:

Haabjas 1- http://www.youtube.com/watch?v=1Y3VunqO0Cs
             2- http://www.youtube.com/watch?v=3ify-3h5TFA

Yanomami 1- http://www.youtube.com/watch?v=uDX2BzUFQA4 




Fontes: HAABJAS - http://www.flickr.com/photos/soomaa/2780580734/in/photostream/  em 23-set-11
               YANOMAMI -  http://www.youtube.com/watch?v=uDX2BzUFQA4  em 20-set-11

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Mestres Canoeiros

Em “A construção material e simbólica da canoa caiçara em Ilhabela”, de Wanda Maldonado, encontramos na página 316, a descrição dos conhecimentos práticos necessários para o mestre canoeiro transferir ou reproduzir material e simbolicamente a canoa dentro de um grupo social:
“Com relação à construção da canoa em Ilhabela observamos uma distinção entre o pescador que faz as canoas e o mestre-canoeiro. O primeiro pode até ter boa parte dos conhecimentos necessários à construção de uma canoa e obter um produto de qualidade razoável, ou seja, uma canoa pequena que servirá à pesca costeira. Mas ele não tem o reconhecimento social, não possui o status que caracteriza o especialista. O mestre-canoeiro, por sua vez, possui o conhecimento, as habilidades e, talvez a mais importante distinção, a experiência.
foto: Peter Santos Németh
...O mestre é o que conhece e domina o processo de construção da canoa por inteiro e coordena o trabalho dos ajudantes, seus aprendizes. O resultado do trabalho do mestre-canoeiro é uma canoa perfeita e a canoa perfeita é a que possui, além das qualidades necessárias à navegabilidade, uma estética reconhecida pelos pescadores.”