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terça-feira, 21 de março de 2017

A ineficiente regulação do Estado e a questão do "Respeito".

O trecho que reproduzo a seguir é o item 5 da dissertação de mestrado que concluí no ano de 2016. Trazendo para o debate os vários pontos que precisam ser discutidos de forma honesta e realista para viabilizar a gestão eficaz e com justiça social do território costeiro do litoral norte de São Paulo.

5- CONSIDERAÇÕES FINAIS 
A complexidade do universo abordado por esta dissertação e a limitada formação deste pesquisador não permitiram que nossa investigação esgotasse o tema, mesmo em se tratando dos aspectos relativos à atuação de poucos pescadores sobre um território próprio tão específico.
Uma característica interessante do território pesquisado é que ele representa um microcosmo reunindo todas as características especiais necessárias para o desenvolvimento de pesquisas científicas, sobre as principais atividades causadoras dos impactos ambientais mais expressivos que hoje ocorrem em todo o litoral norte de São Paulo e os potenciais conflitos socioecológicos advindos destas atividades. Por exemplo, existem ao redor da Enseada do Flamengo:
1- um emissário submarino, operado irregularmente pela SABESP há mais de 30 anos, despejando esgoto e cloro diuturnamente a apenas 70 metros da areia da praia;
2- uma das maiores concentrações de leitos para aluguel de temporada de Ubatuba, quiosques e restaurantes, com baixíssimo índice de coleta e tratamento de esgoto;
3- o maior polo náutico da região com dezenas de marinas e garagens náuticas, causando o tráfego intenso de centenas de embarcações dentro de “UCs” federais e estaduais;
4- ainda, uma última península verde, o Morro da Ponta do Espia, local de antigas roças comunitárias e casinhas caiçaras; muitos pesqueiros tradicionais, ruínas, pomares ancestrais, fontes, olhos d’água, riachos e “praias virgens”. Este morro constitui zona de amortecimento por fazer “divisa” com o Parque Estadual da Ilha Anchieta e com a Estação Ecológica Tupinambás, no entanto, está hoje prestes a se tornar mais um resort de luxo, condomínio fechado para deleite do lobby especulativo imobiliário local;
5- uma “área preferencial” aquícola com várias fazendas marinhas familiares de baixo impacto (2 mil m², sem a utilização de arraçoamento), que contribuem para atrair, abrigar e fomentar a reprodução e dispersão (spill out) de uma grande variedade de organismos marinhos que nestes cultivos ocorrem naturalmente;
6- uma base de operações do Instituto Oceanográfico da USP, um centro de excelência em pesquisa marinha;
7- e desde 2004, uma associação de pescadores e maricultores locais, a Associação Pescadores da Enseada (APE), que costuma fazer a ponte de ligação entre pesquisadores e a comunidade tradicional local, facilitando muito o contato inicial para a troca de informações e desenvolvimento de pesquisas de campo.
Isto posto, concluímos que a gradativa perda dos valores tradicionais que garantem através do “segredo” o acesso restrito e controlado aos pesqueiros e seus recursos, somada à ingerência ou à incapacidade técnica e operacional dos órgãos governamentais responsáveis pela gestão e regulação destes recursos naturais, pode levar ao que Hardin chamou de A tragédia dos comuns. Desse modo, quando o espaço-recurso que é de todos, passa a ser de ninguém, pela ausência de mecanismos externos oficiais ou tradicionais de regulação, desde que ambos fundamentados no “respeito”, passa a imperar o estado de anomia, do “se eu não matar, outro vem e mata”[1], processo que acelera a degradação do recurso pesqueiro e a falência dos valores comunitários locais.    
Portanto, havendo comprovação sob a ótica do direito consuetudinário de prática tradicional reiterada e constante dentro desses territórios pesqueiros estudados, automaticamente estará identificado o PHT que atesta ser esta, e não outra comunidade caiçara, a ancestral possuidora do “direito real de uso” e gestão desses espaços geográficos específicos, imprescindíveis para a reprodução material, simbólica e sociocultural do próprio grupo de pescadores locais.
Observando os temas relacionados nesse estudo e nos debruçando sobre a análise dos autores consultados e dos dados de campo obtidos, percebemos a importância que a noção do “respeito” ocupa dentro do sistema sociocultural das comunidades tradicionais de pescadores artesanais costeiros. Podemos notar que a principal regra tácita do “respeito” adotada na região estudada é a de “chegar primeiro”.
Também outra condição essencial para que um pescador alcance o “respeito” recíproco atingindo a posição de “mestre” dentro da hierarquia social e simbólica da comunidade é o grau de conhecimento, ou o saber-fazer próprio acumulado acerca dos territórios pesqueiros; das artes de pesca; do habitat das espécies recorrentes; das épocas de safra; da previsão meteorológica do Tempo; de sua capacidade pessoal física e artística, além da facilidade didática em retransmitir esses conhecimentos tradicionais para os aprendizes. Esse corpo de saberes, repositório de habilidades especiais ou “mestrança”, podem ser examinados, avaliados e aprovados socialmente pela prática da faina pesqueira diária e pelo sucesso das pescarias.
Como visto anteriormente, os mestres por sua autoridade coletivamente reconhecida são os naturais detentores do PHT que comporta todo o regramento cultural responsável pela construção, interpretação, gestão, manejo e uso dos territórios pesqueiros da própria comunidade local.
Desse modo obtemos pistas que indicam o porquê das instituições governamentais falharem em alcançar o “respeito” e a confiança dessas comunidades.
O motivo básico fundamental da desconfiança e da não ratificação do sistema formal de gestão ambiental-pesqueira por parte dos pescadores tradicionais locais é que este sistema desrespeita diretamente as duas regras chave que estão arraigadas basilarmente no código informal do respeito (o dos pescadores), atropelando o PHT local que regulamenta o usufruto dos seus territórios pesqueiros.
Portanto:
1- As instituições governamentais formais falham, por não considerar a regra do chegar primeiro, pois a comunidade tradicional está ligada àquele território por séculos e o “meio ambiente”[2] com seu regramento alienígena surgiu apenas recentemente;
2- Os legisladores falham, por instituir um processo arbitrário de tomada de decisões, construído e politicamente barganhado em gabinetes, que não respeita a autoridade comunitária da mestrança e o grau de conhecimento que os mestres detêm sobre o uso do ambiente natural local e as especificidades próprias de cada território pesqueiro. Valorizando critérios ecológicos e político-econômicos da sociedade urbano-industrial e desvalorizando o PHT local.
Assim, a esfera governamental, através de seus analistas ambientais tecnocratas tenta, em vão, reduzir a diversidade fluída e volúvel do mar e seus recursos inconstantes a um regramento denominador comum universal. Os instrumentos normativos, tais como: leis, decretos, resoluções e portarias não dão conta de policiar todo o espectro de variáveis relacionadas ao uso do ambiente marinho. Essa é uma habilidade somente reservada aos mestres pescadores que estão ligados material e simbolicamente a um território pesqueiro local, particular e específico, transmitido socioculturalmente de geração em geração.
Existe um abismo entre visões de mundo diversas, na busca de um novo horizonte político-científico que dê conta da complexidade das urgentes questões socioambientais planetárias que se colocam para a humanidade.
Até agora, apesar dos inúmeros sinais de catástrofes socioambientais iminentes, a única certeza político-científica validada é a da incerteza ampla e generalizada sobre qual rumo devemos tomar. O paradigma científico mainstream atual, ainda incapaz de apontar um novo rumo claro e certo que liberte a própria ciência do círculo vicioso epistêmico positivista em que ela mesma se colocou, precisa considerar a validade de outras formas de saber que também se comprovam eficazes. Incorporando assim outras formas de também produzir ciência de modo empírico, e sofisticado, não pela teoria, mas por sua prática histórica permanente e ancestralmente continuada através dos tempos.
Desse modo, o saber-fazer constituinte do PHT pode contribuir ao menos para orientar em qual direção e sentido deva o conhecimento político-científico “normal” caminhar para superar a atual crise de não resposta acerca das interações homem-natureza.
Seria esta a implementação de um novo ethos político-científico capaz de ampliar o alcance da gestão governamental: integrando diferentes modos de percepção do mundo ao nosso redor ao respeitar a autonomia dos pescadores locais na aplicação do patrimônio cultural pesqueiro dessas comunidades, ao seu próprio território marítimo de origem, em consonância com os objetivos de conservação socioambiental do Parque Estadual da Ilha Anchieta[3], da APA Marinha do LN, do SNUC e da Resolução 169 da OIT.
Nosso trabalho demonstra a dificuldade extrema dos órgãos oficiais responsáveis pela fiscalização e gestão dos recursos pesqueiros em: conhecer, reconhecer e legislar sobre a diversidade de artes de pesca, técnicas e petrechos desenvolvidos e adaptados localmente de acordo com as peculiaridades de cada espécie alvo e cada ambiente marinho. Também se mostrando incapazes em enxergarem o “mundo” através da cultura local dos pescadores artesanais caiçaras.
O que prevalece no universo da “política de Estado” para o “meio-ambiente”, são sempre os interesses do capital econômico especulativo dissimulado e/ou disfarçado com a utilização de técnicas de “marketing verde” (greenwashing), usurpando conceitos científicos “ambientalistas” em causa própria. A finalidade dessa estratégia é obter o apoio da “opinião pública” para seus “empreendimentos turísticos”, condomínios e marinas “sustentáveis”[4] que gerariam “oportunidades de emprego e renda” aos pescadores e suas famílias. Estes, assim, poderiam “parar de devastar os peixes” abrindo mão de seus territórios pesqueiros para o “mergulho contemplativo” ou para a indústria da piscicultura.  É esse o discurso retórico “sustentável” especulativo padrão, que hoje domina os “fóruns” do litoral norte paulista.
Não obstante essa associação entre Estado e capital econômico, o processo de construção de políticas públicas através de normas de comando e controle, que é fruto do embate das ideias tentando apreender ou moldar a dimensão física material, de acordo com interesses político-econômicos, é, em sua essência, antagônico ao processo de construção do regramento tácito das populações tradicionais.
Na estruturação do trabalho e do manejo nos pesqueiros, é a natureza material dos espaços, com seus ritmos, ciclos, surpresas e geografia peculiares, quem molda as “leis do respeito”, dentro de uma tradição cultural local resiliente, o PHT.Desse modo, o saber-fazer tradicional está em consonância com o plano material bio-geofísico em que se insere, num processo análogo ao científico de constante avaliação, corroboração, adaptação e revalidação do conhecimento pesqueiro local.
Portanto, qualquer tentativa de gestão sobre essas culturas-territórios-ambientes que não “respeite” as dimensões materiais e simbólicas da população local, seus saberes, técnicas e tipologias de pesca, reconhecendo a sua capacidade de gerência eficaz do ambiente natural em que estão propriamente inseridas, contribui para a construção de uma política pública natimorta. Impossível de ser posta em prática, ou absorvida pelo PHT, devido a sua original ininteligibilidade ao “espírito caiçara”. Trata-se da institucionalização oficial do epistemicídio.
Assim, o máximo de concretude que estas regras alienígenas alcançam é a de uma simples folha de papel amarelada pelo tempo, esquecida em um fundo de gaveta qualquer.
Ou, se for mais nobre seu destino, uma página do “Diário Oficial” que embrulha a garoupa de linha vendida por um pescador caiçara do lugá, no banco da sua canoa.
A cultura caiçara resiste.

Foto: Peter Santos Németh, Praia da Enseada, setembro de 2006


[1] Comunicação pessoal do mestre Antenor dos Santos, Praia da Enseada, 2004.
[2] Denominação genérica, comum entre os caiçaras, de tudo que envolve questões ou instituições governamentais de regulamento e gestão das áreas naturais.
[3] Principalmente do Plano de Manejo do PEIA de 1989 e das oficinas do Conselho Gestor do PEIA de 2008.
[4] Seria este o caso de: proporcionar para a geração atual a oportunidade de desfrutar residências de alto padrão dentro de resorts de luxo envoltos pela mata atlântica e com direito a garagens náuticas, sem comprometer a capacidade dos futuros herdeiros de também possuírem suas mansões na floresta e ancoradouros para seus iates?

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

AVISO AOS NAVEGANTES, QUEM NÃO FALAR AGORA... CALAR-SE-Á PELOS PRÓXIMOS 10 ANOS.

Chegou a hora das Comunidades Tradicionais do litoral norte apresentarem suas propostas locais de zoneamento marítimo.
É de fundamental importância essa participação para que as atividades pesqueiras e agrícolas tradicionais não sejam atropeladas.
Nossa proposta, para a área da Enseada do Flamengo baseia-se nos seguintes pontos: 
No caso da Enseada desde 2004 temos nossas áreas demarcadas dentro de um Projeto chamado RDS ENSEADA DO FLAMENGO, onde existem vários documentos protocolados e alguns deferidos junto à Cetesb, F.F., M.P.A., PMU, solicitando no local um Parque Aquícola com Área de Preferência aos maricultores tradicionais, respeitando os locais de rede de espera e cerco flutuante, inclusive um local onde existem R.A.M. onde já se registrou a presença de meros. Esse projeto integrou o Plano Diretor Municipal e a Lei de Uso do Solo. Ele também integra o estudo do PLDM feito pelo Instituto de Pesca e capitaneado ilustre Dr. Hélcio de Almeida Marques, que prevê a Área Preferencial, os locais dos pesqueiros tradicionais de tresmalho e de cerco flutuante. 
 
PLDM 2005. foto: Peter S. Németh 

Gostaríamos de salientar que os maricultores da Enseada através da APE gostariam de ser ouvidos quanto ao seu próprio ordenamento local baseado na sinergia entre pesca tradicional e maricultura sustentável e regras tácitas de uso comunitário do espaço marinho, já que no primeiro Gerco eles não foram ouvidos e a proposta efetivada veio de outro setor pesqueiro. 
A íntegra do Projeto RDS Enseada do Flamengo está sendo avaliada para localizar e reunir diversos documentos protocolados que compõe o seu escopo. Abrangem: Plano Diretor, LUOS, Conferencias: Mun. Est. Fed., Ibama, SEAP, MPA, Cetesb, F.F. e I.F., APA .
O Mapa localiza as diversas zonas de interesse pesqueiro, maricultura, bancos naturais de mexilhão, trilhas na mata, recifes artificiais marinhos (poita dos meros). O Mapa é baseado nas regras tácitas tradicionais locais que integram: 
1- os pesqueiros tradicionais, pedra da laje, pedra rachada, figueirinha, porto velho, poço fundo (castelinho), saco grande (todo, cerco flutuante), após o calhéu (pedra redonda) zona mista exceto arpoador, saco do arpoador, até saco do soldado (zona de influência do cerco flutuante da ponta do espia); 
2- com a maricultura familiar artesanal de baixo impacto em áreas de 2.000 m2. (dois mil)
Esse mapeamento foi aperfeiçoado e passou a integrar a mais recente Versão do PLDM elaborada pelo DR. Hélcio Marques para o convênio Inst. Pesca e MPA, que consultou diretamente as comunidades pesqueiras afetadas pela criação dos parques aquícolas, e o regramento tradicional local em várias praias, inclusive delimitando as áreas preferenciais quando pertinente.
 
                                              PLDM 2008. fotos: Peter S. Németh.

Consideramos essencial o respeito com os Territórios da pesca em Canoas Caiçaras a remo, seja com tresmalho de costeira, rede de espera, redes de tróia(trolha).
Consideramos também urgente "a ampliação da Z2 M. E. (zona 2 marinha especial), no mínimo até a isóbata dos 10m, e no máximo até todo o largo da ilha Anchieta e do Mar Virado para terra". 
O arrasto de porta (não há licença para pescar o camarão branco), seguido da caça submarina (proibida em Z2ME, caçam dentro dos nossos cultivos!), são as duas atividades mais impactantes sobre a recuperação dos estoques pesqueiros locais, impedindo que o ambiente natural se regenere, os organismos cresçam, se multipliquem e se espalhem para fora da Z2ME, beneficiando a todos. Uma zona delimitada para cada grau de impacto de cada tipo de pesca/atividade.
Também consideramos mais do que essencial uma especial atenção ao modelo de ocupação (lei de uso do solo) do entorno, bem como a rede de coleta e tratamento de esgoto. Pois o que vemos é uma crescente verticalização no município de Ubatuba, sem controle algum, que já dominou todo o Itaguá, Praia Grande, avança pelas Toninhas, já tem sementes na Enseada, Sununga-Lazaro, e na Ribeira (nesses três últimos bairros está o grande filão imobiliário/náutico que deseja verticalizar e lotear onde for possível, inclusive nos grandes morros das penínsulas verdes, "zona paisagística notável").
Essa é nossa proposta de ordenamento para a Enseada do Flamengo e arredores que desde 2004 cultivamos para quiçá um dia implementar. 
att.
Peter Santos Németh
SEGUE ABAIXO O CONVITE PARA AS OFICINAS:
Prezado(a) Senhor(a),
Em nome da equipe responsável pela elaboração dos Planos de Manejo da Área de Proteção Ambiental Marinha do Litoral Norte (APAMLN) e Área de Relevante Interesse Ecológico de São Sebastião (ARIESS), entramos em contato para convidá-lo a participar das oficinas de Diagnóstico Participativo.
O Plano de Manejo é um documento que irá definir o modo como os usos e atividades poderão ser desenvolvidos nos territórios da APAMLN e ARIESS, de forma a garantir a utilização sustentável dos recursos naturais. Neste processo também será elaborado o Plano de Manejo da ARIE São Sebastião, criada juntamente com a APA Marinha do Litoral Norte.
Nestas oficinas levantaremos junto à população como utilizam os recursos naturais e o território da APAMLN e ARIESS, assim como a eventual existência de conflitos entre as diferentes atividades identificadas. Também vamos verificar as potencialidades da APAMLN e ARIESS e pensar em como fortalecê-las, para promover o desenvolvimento das atividades de modo sustentável.
Para participar das oficinas, os setores envolvidos com o ambiente marinho foram distribuídos em três segmentos:
- Segmento 1: é formado por todos os envolvidos com a pesca artesanal, incluindo pescadores e grupos familiares, bem como as mariculturas de pequeno porte.
- Segmento 2: inclui aqueles que realizam outras atividades econômicas no mar, incluindo pesca industrial e amadora, maricultura (exceto de pequeno porte), turismo, esportes náuticos, atividades industriais, exploração mineral, transporte, além de associações de usuários e outros.
- Segmento 3: é constituído por representantes do Poder Público de órgãos municipais, estaduais e federais, além de organizações da sociedade civil de interesses difusos, incluindo institutos de ensino e pesquisa, bem como ONGs ambientalistas atuantes na região, grupos de defesa de minorias, associações de moradores, dentre outros.
Avalie qual o seu segmento e compareça!
Esperamos você! Sua experiência e seu conhecimento são muito importantes!
A organização do evento oferecerá transporte e alimentação. Caso necessite de transporte, entre em contato com o e-mailparticipe.apasmarinhas@gmail.com ou com o telefone (11) 3818-8996
As oficinas serão realizadas nos seguintes locais e datas:
Oficinas de Diagnóstico Participativo - 1ª rodada
Segmento
DATA
Local: Centro Universitário Módulo. Rua Frei Pacifica Vagner, n.653. Centro. Caraguatatuba
2
9/10/2013
das 08h30min às 17h00min
Local: Parque Estadual da Serra do Mar - Núcleo Caraguatatuba. Rua do Horto Florestal, n.1200. Rio do Ouro. Caraguatatuba
3
10/10/2013
das 08h30min às 17h00min
Local: Centro Universitário Módulo. Rua Frei Pacifica Vagner, n.653. Centro. Caraguatatuba
1
14/10/2013
das 08h30min às 17h00min
Atenciosamente,
EQUIPE DE COORDENAÇÃO DO PLANO DE MANEJO - APAM LITORAL NORTE
Saiba mais:
O que é Processo Participativo: O Processo Participativo é uma forma democrática de tomada de decisão e tem como principal objetivo informar e envolver a população, para que, de forma coletiva, sejam elaboradas normas e boas práticas agregando e considerando os diversos interesses e usos dos grupos sociais. O Conselho Gestor da APA Marinha acompanhará o processo, bem como o cumprimento das regras acordadas.

sábado, 30 de março de 2013

Gestão Costeira - quem perde e quem ganha?

Aconteceu dia 27/03/2013 em São Vicente - litoral de São Paulo o Seminário Gerenciamento Costeiro - Gestão da Biodiversidade Costeira promovido pela UNESP. Participaram os professores do Procam-USP Antonio Carlos Diegues e Sueli Angelo Furlan além de outros pesquisadores; Adriana Mattoso (Fundação Florestal), Mariana Cabral de Oliveira (Projeto Biota – USP), Andréa Maranho (GREMAR) e Iara Bueno Giacomini (SMA).
Os temas das palestras foram na ordem: Gestão Costeira, UCs e Populações Tradicionais; Cartografia Ambiental em Apoio a Elaboração de Planos de Manejo de UCs Costeiras; Gestão de Áreas Protegidas na Zona Costeira; O Projeto Biota e a Conservação da Biodiversidade na Zona Costeira; Riscos à Biodiversidade pela Exploração de Petróleo; e Diagnóstico das Áreas Degradadas no Litoral Norte de São Paulo.
O seminário foi muito produtivo principalmente pela qualidade dos palestrantes que constituem a "nata" da pesquisa relacionada ao tema proposto.
A zona costeira do litoral paulista é a que mais sofre pressões provenientes das atividades antrópicas. Crescimento populacional desordenado atraído pelo polo petrolífero, projetos imobiliários inadequados, coleta e tratamento de esgotos e resíduos inexistente, políticas públicas municipais voltadas apenas para o benefício dos próprios governantes e seus financiadores.
Em meio a este fogo cruzado entre a política de exploração e a política de conservação encontra-se a população tradicional Caiçara que por mais de 50 anos sofre as consequências deste embate.
Por um lado o Caiçara perde suas terras, sua liberdade de movimentação, sua autonomia de viver do ambiente natural íntegro, e por outro é impedido de exercer suas atividades tradicionais de subsistência seja na pequena lavoura ou na pesca artesanal.
Em fevereiro último foi "retirado" da Ilha Anchieta o último cerco flutuante tradicional dos cinco que um dia existiram naquele sítio. Pior, a atividade da pesca em canoas e cercos flutuantes está descrita no plano de manejo do Parque Estadual da Ilha Anchieta - PEIA (GUILLAUMON, 1989). 
No item 2.1.3.1 do plano de manejo, à pg. 63, encontramos definido como atrativo turístico: “Outras incursões são feitas à Praia do Sul ou à Praia do Leste, onde existem pequenos ranchos de caiçaras que os utilizam quando em atividades de pesca. Nesses locais os visitantes tomam conhecimento sobre o método de pesca constituído pelo cerco e seus tratos de manutenção. Essas visitas costumam durar cerca de 30 minutos.” Mais a frente encontramos:  “Outra forma de uso que se coloca, diz respeito à pesca artesanal, cuja ocorrência remonta à séculos, seja pela aproximação esporádica de canoas, seja pela manutenção de uns poucos cercos próximos a seu litoral.” (grifo meu).

Mas, como o próprio Prof. Diegues bem explicou em sua palestra(assista), ocorre um tipo de "picuinha" política entre os órgãos de fiscalização federais, Ibama, P.F., e estaduias F.F. e Polícia Ambiental.
No caso da Ilha Anchieta, o parque estadual abrange apenas a parte terrestre, no entanto, existe uma portaria Sudepe n. N-56 de interdição a pesca no entorno da Ilha, sob jurisdição federal, baseada em argumentos constantes num tal processo S/02848/79 que ninguém consegue acessar pois encontra-se "perdido" nos arquivos do Ibama em Brasília.  
Segundo o ditado popular: na briga entre o mar e a pedra quem sofre é o marisco, ou seja, embora previsto em plano de manejo e também ter sido elaborada a Moção do Parque Estadual da Ilha Anchieta Nº 1/2013, de 14 de janeiro 2013 referente a permanência da atividade da pesca com cerco flutuante, em 21 de fevereiro de 2013 o último cerco flutuante da Ilha Anchieta, na praia do sul, foi removido. 
Foto: Carrilho-Projeto Museológico-PEIA - cerco flutuante praia do sul.

E assim publicou um dos fiscais do Ibama em seu post(leia aqui): 
Postado por Ignacio - Ibama em 22 fevereiro 2013 - 01:22 em Pesca em Geral
amigos,
em ação combinada de ibama/icmbio...na tarde de ontem...dia 21...foram flagradas duas embarcações na estação ecológica tupinambás...ubatuba...a tripulação de uma delas foi conduzida para o departamento de polícia federal...após tentativa de descartar pescado no mar....mas algo muito relevante foi executado...cerco flutuante que operava dentro do polígono de interdição à pesca da ilha anchieta foi DEFINITIVAMENTE removido. (grifos do autor).

Quando a Cultura Caiçara estiver DEFINITIVAMENTE extinta(assista) e com a provável derrocada do sistema capitalista o homem necessitar voltar-se ao extrativismo para sobreviver, saberemos ainda pescar de modo sustentável?