sábado, 7 de outubro de 2017

MAPA DA CANOA CAIÇARA

Apresentamos o Mapa Colaborativo da Canoa Caiçara (CLIQUE AQUI PARA ACESSAR).

A Canoa Caiçara, como toda embarcação tradicional, é expressão material da inventividade e personalidade cultural da comunidade que a produziu. Para construir uma Canoa Caiçara é preciso dominar um sofisticado sistema de saberes associados às artes da pesca, navegação e carpintaria naval, modeladas ao longo de gerações especialmente para as condições náuticas locais, com a matéria prima disponível e adaptada aos usos e necessidades sociais específicas de um território.

"Consideramos território caiçara o espaço litorâneo entre o sul do Rio de Janeiro e o Paraná onde se desenvolveu um modo de vida baseado na pequena produção de mercadorias que associa a pequena agricultura e a pesca, além de elementos culturais comuns, como o linguajar característico, festas e uma forma específica de ver o mundo. Apesar das características comuns a todas as comunidades caiçaras, existem variações culturais importantes entre o litoral sul do Rio de Janeiro, norte de São Paulo e sul de São Paulo e Paraná que se explicam pelos tipos e graus de inserção nas economias regionais e pela contribuição, em grau variado, das diversas matrizes culturais. Essas diferenças se refletem, por exemplo, nos tipos de embarcações usadas e que se distinguem pela função e tipo de ambiente em que são utilizadas (mar, estuário, rios) bem como pelo diferente aporte de outras culturas (como a baleeira trazida pelos catarinenses açorianos) vizinhas como a caipira e a açoriana". (DIEGUES, Enciclopédia Caiçara, Vol. 1, pg. 25)


Mapa do território Caiçara por Diegues (2005): Enciclopédia Caiçara, Vol. 4, pg. 320. 

 O registro do complexo cultural da Canoa Caiçara deve portanto abranger as diferentes dimensões seu papel na cultura local, os múltiplos saberes artesanais envolvidos em sua construção e uso, assim como o universo simbólico - festas, lendas, lugares de uso e de memória -, que a envolve.
Acreditamos que o reconhecimento institucional do Estado brasileiro da cultura Caiçara é instrumento fundamental para a garantia de direitos constitucionais reservados aos grupos e comunidades tradicionais, influindo na formulação de políticas públicas de planejamento territorial, ambiental e fundiário, em um projeto de desenvolvimento que abrigue os produtores e detentores desta importante e ameaçada parcela da cultura nacional.
Neste sentido, o Mapa da Canoa Caiçara se constitui não apenas como um banco de dados mas também como instrumento de divulgação e mobilização em torno do reconhecimento da cultura caiçara. 
Para tanto, convidamos a todos os interessados a participar, com a elaboração do MAPA DA CANOA CAIÇARA (clique) através do facebook. Onde todas as informações serão recebidas, filtradas e depois plotadas por nossa equipe de colaboradores.

Texto por Adrian Ribaric e Peter Santos Németh.

Mais informações em: 


MAPA DA CANOA CAIÇARA Google Maps 



Foto: Peter Santos Németh, Praia da Enseada, Ubatuba, SP

sábado, 30 de setembro de 2017

Canoa RIFA entrando na linha

Chegou a vez da Canoa RIFA passar por uma reformazinha. Colocar pedaços onde está "pijuca", alargar a boca para deixar o bordo retinho, trocar os bancos e acertar a linha da "táboa do fundo". Depois de 10 anos de feita pelo Mestre Renato Bueno essa canoa de guapuruvu merece um tratamento especial. 
Fotos e trabalho de reparo por Peter Santos Németh, Praia da Enseada, julho de 2017.









 


terça-feira, 19 de setembro de 2017

60 anos de tradição das corridas de canoas em Ubatuba.

Fim de semana último comemorou-se os 60 anos da tradicional corrida de canoas da Praia do Itaguá, em Ubatuba.
(fotos de Thiago Mariano).
Mestre caiçara Élvio Damásio, narrado oficial das corridas de Canoas. 

"Os professores Joaquim Lauro e Enesmar de Oliveira, seguidos de perto por outro rapazote chamado José Odail, criaram a corrida de canoas caiçaras. Esta corrida era feita com canoas de trabalho dos pescadores e tinha como premiação utensílios diversos que propiciassem melhoria das condições de vida dos concorrentes. Durante muitos anos o grande patrocinador das premiações foi o Sr “Cicillo” Matarazzo que depois viria a ser prefeito de Ubatuba. Com o tempo a corrida foi se transformando com canoas feitas especialmente para a competição, e com a inclusão de novas categorias como a feminina e a de turistas, e a premiação foi estendida aos últimos lugares que recebiam seu vidro de Biotônico Fontoura. Novos desafios se apresentaram aos campeões que faziam novas canoas, e remavam até Santos refazendo a jornada histórica do Cacique Cunhambebe com Manoel de Nóbrega, para assinatura do primeiro tratado de paz do Brasil: “Paz de Iperoig” realizada na canoa Maria Comprida, que encontra-se na Fundart." (fonte Curiosidades Ubatuba, clique no texto azul acima e saiba mais sobre o Prof. Joaquim Lauro).


A partir do ano de 2000, tomou força o resgate das corridas de canoas caiçaras em Ubatuba com o empenho principalmente da comunidade do Itaguá na promoção da corrida Nossa Senhora das Dores do Itaguá capitaneada pelo pesquisador e músico caiçara Mário Gato. Segundo ele:
"As corridas de canoa se tornaram um evento muito importante para a cultura caiçara em Ubatuba, pois essa é atualmente uma das únicas formas de reunir pescadores e comunidades de norte e sul do litoral do município". (fonte: Tamar).

Mais fontes interessantes:
http://canoadepau.blogspot.com.br/2012/07/canoa-caicara-maria-comprida-comemora.html

http://fundart.com.br/cultura-e-esporte-corrida-de-canoas-caicaras-acontece-neste-domingo-em-ubatuba/

http://canoadepau.blogspot.com.br/2014/12/corrida-de-canoa-caicara-uma-historia.html

http://canoadepau.blogspot.com.br/2012/07/corrida-de-canoas-enseada-2012-ubatuba.html

http://canoadepau.blogspot.com.br/2012/12/garramar-o-surfe-caicara-em-canoas.html

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Pegadeira de Lula, Ubatuba março de 2004.

Alguém se lembra da pegadeira de lula que ocorreu em março de 2004 nos arredores da Ilha Rapada em Ubatuba - SP?
Pois foi uma ocorrência realmente incrível. Chegamos a capturar 10 quilos de lulas por hora, por pescador. Não era possível pescar com 3 linhas, mal dávamos conta de manejar 2, tal a velocidade das ferradas. Parávamos para guardar as lulas no gelo apenas quando elas começavam a atingir a altura das nossas canelas, o que dificultava nosso deslocamento no convés.
Durante a noite, o mar parecia uma cidade com tantas luzes de barcos acesas. Foi também o primeiro teste do Brazuca após sua reforma. Eu o James e o Lagarto capturamos mais de 300 quilos em cerca de uma noite e meio dia de pescaria. Até hoje, passados 13 anos, o fenômeno da pegadeira de lula nunca mais se repetiu na região.
O Élvio Damásio chegou a registrar oficialmente a captura de 400 toneladas de lulas no Mercado de Peixes durante os 3 meses de pegadeira, fora as lanchas de turistas, canoazinhas e barquinhos como o meu, que não registraram suas capturas.
Estão aí as fotos que eu tirei para comprovar.

Esta foi somente a minha parte, um terço, fora o que demos na praia. 

Brazuca saindo para rever o mar.












domingo, 9 de julho de 2017

Canoa Caiçara de "4 paus" é Zap... Truco!

O mestre canoeiro Renato Bueno de Ubatuba demonstrando toda sua criatividade e técnica ao restaurar esta canoa caiçara que estava com o fundo comprometido. Esta canoa veio de Paúba, São Sebastião. Cortou-a ao meio longitudinalmente e inseriu uma nova prancha no fundo, uma proa com garra e sobreproa em peça única e um espelho de popa para instalação de motor de popa. A canoa restaurada voltou navegando até Paúba com um motor de 25 hp. Veja as fotos.









quarta-feira, 31 de maio de 2017

MAPA DA TAINHA

Fonte: https://www.facebook.com/mapadatainha/
"A ideia deste projeto surgiu em 2016 dentro do Grupo de Estudos em Socioantropologia Marítima do NUPAUB-USP que coordena o Mapa da Tainha. A proposta deste mapeamento é registrar de modo colaborativo a captura da tainha (Mugil liza) pela pesca artesanal durante o período da safra de 2017. O objetivo principal é construir um banco de dados e imagens georeferenciados aberto a consulta de pescadores, pesquisadores e gestores públicos interessados em conhecer melhor a migração e a organização da pesca artesanal da tainha.
Acreditamos que o auto-monitoramento é instrumento fundamental para qualificar a interlocução dos pescadores nas instâncias gestoras responsáveis pela formulação de Políticas Públicas voltadas à pesca, à proteção ambiental e ao reconhecimento territorial de comunidades tradicionais. Importância que ganha destaque no atual contexto de desarticulação administrativa, restrição orçamentária e priorização de interesses empresariais, que colocam em risco iniciativas de ordenamento pesqueiro, como o processo de implementação das Diretrizes da FAO para a Pesca Artesanal no Brasil, e especificamente das discussões em torno do processo de formulação do Plano de Gestão para o Uso Sustentável da Tainha nas Regiões Sudeste e Sul do Brasil.
O Mapa da Tainha foi concebido para ser uma plataforma aberta, elaborada a partir da colaboração de pescadores e pesquisadores diretamente envolvidos com a pesca artesanal, com objetivo de sistematizar dados e informações a respeito do comportamento dos cardumes e das capturas realizadas pela pesca artesanal. Ampliando o conhecimento sobre a espécie e a atividade, subsidiando o movimento dos pescadores e apontando demandas e horizontes para a pesquisa acadêmica.
Para tanto convidamos aos interessados a colaborar enviando informações sobre a captura nas localidades, informando data e hora da captura - número de lanços se possível -, quantidade capturada, além de fotografias e vídeos."
Acesse mais informações sobre o Projeto em: http://nupaub.fflch.usp.br/sites/nupaub.fflch.usp.br/files/Mapeamento-colaborativo-da-tainha%20Nupaub.pdf
Acesse nossa Política de Privacidade em: http://nupaub.fflch.usp.br/node/19
Acesse nosso Mapa da Tainha em:
https://drive.google.com/open?id=1AtqcXXTHSxxiOqp-AvO7iyyd494&usp=sharing
Conheça nosso Formulário de Reporte de Captura em: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSe4ozTZPfImbe260rmff5wedg8NceuiWR59JtyigO7UQo7hXg/viewform?usp=sf_link


Praia do Gravatá, Florianópolis, SC. Foto: Facebook

sábado, 8 de abril de 2017

THE MYTH OF UNTAMED NATURE IN THE BRAZILIAN RAINFOREST

Existe uma versão em inglês do "bestseller" do Prof. Antonio Carlos Diegues, O Mito Moderno da Natureza Intocada. Esta edição de 1998 está disponível em pdf (TEXTO COMPLETO) no site do NUPAUB-USP. Segue o sumário em inglês.


 SUMMARY (COMPLETE BOOK)
Among some Brazilian conservationists and Governmental
Agencies, such as IBAMA (Brazilian Institute for Environment), there
is still the concept that protected areas (National Parks, Ecological
Stations) should be empty spaces, with no human dwellers.
According to the existing law, the presence of any human group,
traditional or not, is a threat to conservation and therefore, traditional
communities living in areas before the establishment of the
restrictive protected areas should be expelled. It is known however
that the traditional communities (mainly artisanal fishermen,
riverine and extractive groups) have lived for long time and due to
their type of livelihood are, to a large extent, responsible for the
conservation of the area. In many cases, the expulsion of these
groups has induced the arrival of powerful economic groups such
as sawmill processors, land speculators that are responsible for
the degradation of protected areas.
In some cases, after the transfer of the traditional population to
the surrounding regions, the protected area is considered to belong
the government environmental authorities and not to the original
dwellers. In this case, very often, the expelled traditional groups
also start predatory practices. In the cases these communities have
not been officially expelled, the constraints on the use of natural
resources are so restrictive that part of the population migrates in
order to make their living elsewhere.
In order to understand the cause of this unjust treatment against
traditional populations it is important to understand the origins of
the North-American conservationism concerning the creation of
national parks in the late 19th century, when the Yellowstone Park
was created. These ideas have deeply influenced the establishment
of national parks in Brazil.
In the second half of the 19th century, industrialization and
urbanization in U.S.A. were an advanced process, and colonization
was going on in the western regions. However, in that period there
were vast empty or wild areas. Conservationists, like Muir, Thoreau,
Marsh were influential in putting aside these areas for recreation
and admiration of natural beauty by urban population. This
ideology of “wilderness” considered that there is an inverse
relationship between human action and the well-being of the natural
environment. The natural environment and the urban world
were viewed as enemies. In this context, mountains and forested
regions and related wildlife were considered as wilderness, an
area enhanced and maintained in the absence of people. There
areas were seen as pristine environments, similar to those that
existed before human interventions. Very few north-American
conservationists considered that indians were part of the
“wilderness”. George Catlin was an exception and suggested that
not only the grazing lands but also the buffaloes and the indians
should be protected.
These ideas have deeply influenced the first Brazilian
conservationists. Vast areas were considered “empty” and “wild”,
although most of them were sparsely populated by traditional
communities of small scale fishermen, shifting cultivators, extractive
groups. These human groups were not so common in the areas
proposed as national parks in the US. Very often parts of the tropical
forests in Brazil were and in some case still are maintained in a
“wild” state because of the type of livelihood of the traditional
population that need to use the natural resources in a wise way in
order to survive. However, because of imported conservationist ideas
these traditional human groups should be transferred, by law, from
the land their ancestors have inhabited for a long time. Recent
studies undertaken by IUCN (Amend, 1992) have shown that only
14% of the national parks in Latin America are inhabited and
around 50% of them have traditional dwellers (small farmers,
artisanal fishermen). According to the same study inside or around
80% of the Brazilian national parks there are human communities
that use natural resources. The NUPAUB/USP — Research Center
on Human Populations and Wetlands in Brazil is undergoing an
overall survey on traditional communities and protected areas in
the Atlantic Forest. In the first phase, four states (São Paulo, Paraná,
Rio de Janeiro and Espírito Santo) are studied. Only in São Paulo
in 40% of the parks there is population (traditional or not) living
inside the protected areas.
Conservationist ideas concerning the role of traditional
populations have evolved, as it can be seen from the various
international meetings of IUCN — World Conservation Union in
the last 20 years. Many Brazilian conservationists however opposed
any change concerning the need for maintaining traditional
population in their habitat. Since the IUCN Meeting in Delhi and
particularly in the IV International Congress on National Parks and
Protected Areas, in Caracas (1992), called Peoples and Parks, the
positive role of traditional population in national parks
conservation has been recognized. Deep knowledge of the
ecosystem, long-standing sustainable management practices,
dependence on the use of natural resources, ancestral territorial
rights were recognized as important arguments to maintain and
associate traditional communities with protected areas management.
Recent studies (Balée, 1988; Gomez-Pompa, 1971, 1972; Posey,
1987; Brown, 1992) have shown the role of the traditional
communities (indians, small-scale fishermen, traditional peasants)
in conserving flora biodiversity in the tropical forests. These
researchers claim that it is important to take into consideration the
knowledge and expertise of these populations in conserving
biodiversity. These studies are relevant as today conservation of
biodiversity has become one of the most important functions of the
protected areas.
The acceptance of the presence and awareness of the contribution
of traditional population to national parks conservation is growing
among conservationists and researchers in Brazil, in spite of the
fierce opposition of some governmental and non-governmental
sectors. The creation of the extractive reserves, result of the struggle
of the rubber-tappers (seringueiros) is an important step to the
recognition of the role of the traditional communities. Other
categories involving the contribution of traditional population
should also be added to the existing protected area system managed
by IBAMA. NUPAUB/USP is proposing a new category entitled:
Ecological and Cultural Reserve as a Strategy to Protect both Biological
and Cultural Diversity.
A new system of protected areas (Sistema Nacional de Unidades
de Conservação) is being proposed but unfortunately this
discussion is restricted to narrow conservationist circles. In the
first proposal made by the IBAMA there is barely a place for the
traditional population in the system, and this should be changed.
The new system is an important issue and should not be handled
only by a few conservationist agencies. It should be an issue of
interest to be thoroughly discussed within the Brazilian civil society.

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