"A 12a edição da coletânea do PROCAM, que consta de 16 artigos elaborados por alunos de Mestrado e Doutorado, apresenta-se como um conjunto de textos que caracterizam as múltiplas reflexões que compõem o quadro de pesquisas desenvolvidas nas suas diversas linhas de pesquisa dentro do arcabouço da Ciência Ambiental. A complexidade dos eventos associados à problemática ambiental impõe a necessidade de diálogo entre ciência, gestores e sociedade, em virtude da emergência de fenômenos que representam ameaças globais, em um cenário que Ulrich Beck (2010) define como sociedade de risco. Neste sentido, coloca-se a necessidade de aprofundar o debate de temas que têm, nos diferentes tipos de incerteza, a possibilidade de multiplicar conhecimentos e diálogos e construir um olhar mais apropriado para lidar com estas questões prementes."
"Nesta publicação, destaca-se mais uma vez, a preocupação do PROCAM de apresentar resultados de pesquisa desde uma perspectiva interdisciplinar. No conjunto de artigos aqui apresentados, enfatizase a importância dos processos sociais que determinam as formas de apropriação da natureza e suas transformações, através da participação social na gestão dos recursos ambientais em suas múltiplas manifestações, seja em políticas públicas, assim como nas práticas dos diversos atores sociais."
"No artigo “A pesca de marcação nos mares da Enseada do Flamengo, Ubatuba, São Paulo”, de Peter Santos Németh e Antonio Carlos Sant’ana Diegues, abordam-se as técnicas e conhecimentos relativos à pesca de marcação nos territórios marítimos tradicionais utilizados pela comunidade de pescadores artesanais da Praia da Enseada, na Enseada do Flamengo em Ubatuba, litoral norte do Estado de São Paulo. Concluiu-se que a atual regulação pesqueira, federal ou estadual, é feita “de cima para baixo”, ignorando deliberadamente as peculiaridades locais e os processos e mecanismos pelos quais os pescadores estabelecem, mantêm e defendem o usufruto ou a posse de espaços marítimos, atropelando as regras tradicionais baseadas no direito consuetudinário, e afetando sua liberdade e autonomia."
Fonte: Caminhos do conhecimento em interdisciplinaridade e meio ambiente / Pedro Roberto Jacobi / Paulo Antonio de Almeida Sinisgalli (organizadores) – São Paulo: IEE-USP e PROCAM-USP, 2018. 1ª Edição. 419 páginas. ISBN 978-85-86923-55-5
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quarta-feira, 27 de março de 2019
quarta-feira, 19 de dezembro de 2018
quinta-feira, 15 de novembro de 2018
"O PULEIRO"
O PULEIRO
SÓ LEMBRA QUE TEM O POBRE,
NA OCASIÃO DA ELEIÇÃO,
DEPOIS QUE TÁ NO PULEIRO,
NÃO LEMBRA QUEM TÁ NO CHÃO.
Quadrinha transmitida por Nelson de Góis na véspera da eleição de 2018. O blá blá do político continua o mesmo década após década.
quarta-feira, 3 de outubro de 2018
Fandango da Força Verde
Mestre Aorelio Domingues traduz com maestria a injustiça sofrida por Caiçaras de todo o litoral.
Conhecidas por "Florestal", "Força Verde" ou simplesmente "Meio Ambiente" essa força policial fiscalizatória trata os Caiçaras como bandidos.
Transcrevo um trecho da minha dissertação que foca nesta situação específica:
4.7.1. O conflito com o “meio ambiente”
O pescador caiçara tradicional, não difere, nem percebe distinção, entre a própria vida e o ambiente natural em que ele está inserido, e do qual sobrevive.
Para o caiçara, o conceito de “meio ambiente”, possui significado totalmente distinto da concepção urbano-industrial.
O “meio ambiente”, para ele, significa: a polícia florestal e as leis ambientais (MANSANO, 2004: p. 208; DIEGUES, 2008: p.67) que restringem suas atividades tradicionais. É muito comum ouvir entre os caiçaras, expressões como: “O meio ambiente prendeu”, “O meio ambiente proibiu”, “O pessoal do meio ambiente”.
"O profundo respeito e admiração pela natureza dos moradores da Barra do Ararapira não os fazem conservacionistas, pois a palavra é uma invenção nossa e que surge da nossa maneira dicotômica de perceber a natureza separada da humanidade. “Conservar” jamais seria uma palavra usada por eles, pois os mesmos não veem uma natureza possível de ser conservada, já que para eles não é algo estável, parada no tempo, imutável. Como se conserva algo que muda constantemente?" (RAINHO, 2015: p.140, grifo da autora)
Esta “névoa” que envolve o conceito local de “meio ambiente”, causa uma grande confusão quando o caiçara precisa expressar suas ideias sobre “manejo” ou “conservação ambiental”. O conceito de “conservação da natureza”, envolve práticas tradicionais tão arraigadas ao próprio modo de vida local, que os pescadores precisando explicá-las formalmente, confundem-se, contradizem-se, constrangem-se com a necessidade de dominar palavras, para explicar algo tão óbvio do ponto de vista tradicional prático.
"Aquele dia da reunião (Oficina do PEIA: SÃO PAULO, 2008a) mostrando... lembra... A placa que tinha (na Ilha Anchieta)... Mostrô o (nome suprimido) caçando né... lata de skol... Aí eu falei pra ela (gestora): -Isso aí a Sra. mostra né? Isso aí, coisa ruim, a Sra. mostra... Mas a Sra. num mostra que lá na Ilha tem aqueles pé de amendoeira, que faz sombra na frente do presídio, quem plantô foi pescador! Aquilo num nasceu lá não, a Sra. viu? Foi gente que levou... amendoeira, bananeira, coco da Bahia... Quem plantô? Né? Pescador... Pescador num faz o que ela tava mostrando... [...] Hoje a Ilha, Alemão... o que vem de saco de latinha quando desce lá (no píer do Saco da Ribeira), meu Deus do céu... Enche o cais só de saco preto cheio de latinha de cerveja... E a mulher (gestora do PEIA) filma os pescadô né? Que é os pescadô que (estraga)... Viu o monte de lata e garrafa (mostrados na Praia do Sul pela gestora, ao lado do rancho dos pescadores, para justificar a retirada do rancho daquela praia)? É... Mas o que descarrega (de lixo de turista) ninguém filmou, aquele monte de saco preto que só vê barulho, 10, 12 saco, mas assim ó (mostra 1 metro acima do solo) que vem de lá... Isso ninguém filma... É muito (injustiça)... sabe..." (DOS SANTOS, 2014, comunicação pessoal)
Se a pressão da formalidade provoca distorção na comunicação, no entanto, suas considerações baseadas na observação empírica do uso da natureza no dia-a-dia da faina pesqueira, são cristalinos quando apontam quem realmente lucra com o “meio ambiente”.
"O meio ambiente foi bom sabe pra quem? Pros... pros, cara... que vieram pra explorá Ubatuba, assim, Caraguatatuba, todo o litoral, é os grileiro. Então isso foi bom. Então o meio ambiente ele foi bom, pelos (para os) grileiros que apareceram. Mas pela classe que sempre respeitaram o meio ambiente, eles prejudicaram. Que é os pescador... é os antigo... é o roceiro, é o cara que sempre criou o filho com farinha e palmito... entendeu?" (DE GÓIS, 2016, comunicação pessoal)
Conhecidas por "Florestal", "Força Verde" ou simplesmente "Meio Ambiente" essa força policial fiscalizatória trata os Caiçaras como bandidos.
Transcrevo um trecho da minha dissertação que foca nesta situação específica:
4.7.1. O conflito com o “meio ambiente”
O pescador caiçara tradicional, não difere, nem percebe distinção, entre a própria vida e o ambiente natural em que ele está inserido, e do qual sobrevive.
Para o caiçara, o conceito de “meio ambiente”, possui significado totalmente distinto da concepção urbano-industrial.
O “meio ambiente”, para ele, significa: a polícia florestal e as leis ambientais (MANSANO, 2004: p. 208; DIEGUES, 2008: p.67) que restringem suas atividades tradicionais. É muito comum ouvir entre os caiçaras, expressões como: “O meio ambiente prendeu”, “O meio ambiente proibiu”, “O pessoal do meio ambiente”.
"O profundo respeito e admiração pela natureza dos moradores da Barra do Ararapira não os fazem conservacionistas, pois a palavra é uma invenção nossa e que surge da nossa maneira dicotômica de perceber a natureza separada da humanidade. “Conservar” jamais seria uma palavra usada por eles, pois os mesmos não veem uma natureza possível de ser conservada, já que para eles não é algo estável, parada no tempo, imutável. Como se conserva algo que muda constantemente?" (RAINHO, 2015: p.140, grifo da autora)
Esta “névoa” que envolve o conceito local de “meio ambiente”, causa uma grande confusão quando o caiçara precisa expressar suas ideias sobre “manejo” ou “conservação ambiental”. O conceito de “conservação da natureza”, envolve práticas tradicionais tão arraigadas ao próprio modo de vida local, que os pescadores precisando explicá-las formalmente, confundem-se, contradizem-se, constrangem-se com a necessidade de dominar palavras, para explicar algo tão óbvio do ponto de vista tradicional prático.
"Aquele dia da reunião (Oficina do PEIA: SÃO PAULO, 2008a) mostrando... lembra... A placa que tinha (na Ilha Anchieta)... Mostrô o (nome suprimido) caçando né... lata de skol... Aí eu falei pra ela (gestora): -Isso aí a Sra. mostra né? Isso aí, coisa ruim, a Sra. mostra... Mas a Sra. num mostra que lá na Ilha tem aqueles pé de amendoeira, que faz sombra na frente do presídio, quem plantô foi pescador! Aquilo num nasceu lá não, a Sra. viu? Foi gente que levou... amendoeira, bananeira, coco da Bahia... Quem plantô? Né? Pescador... Pescador num faz o que ela tava mostrando... [...] Hoje a Ilha, Alemão... o que vem de saco de latinha quando desce lá (no píer do Saco da Ribeira), meu Deus do céu... Enche o cais só de saco preto cheio de latinha de cerveja... E a mulher (gestora do PEIA) filma os pescadô né? Que é os pescadô que (estraga)... Viu o monte de lata e garrafa (mostrados na Praia do Sul pela gestora, ao lado do rancho dos pescadores, para justificar a retirada do rancho daquela praia)? É... Mas o que descarrega (de lixo de turista) ninguém filmou, aquele monte de saco preto que só vê barulho, 10, 12 saco, mas assim ó (mostra 1 metro acima do solo) que vem de lá... Isso ninguém filma... É muito (injustiça)... sabe..." (DOS SANTOS, 2014, comunicação pessoal)
Se a pressão da formalidade provoca distorção na comunicação, no entanto, suas considerações baseadas na observação empírica do uso da natureza no dia-a-dia da faina pesqueira, são cristalinos quando apontam quem realmente lucra com o “meio ambiente”.
"O meio ambiente foi bom sabe pra quem? Pros... pros, cara... que vieram pra explorá Ubatuba, assim, Caraguatatuba, todo o litoral, é os grileiro. Então isso foi bom. Então o meio ambiente ele foi bom, pelos (para os) grileiros que apareceram. Mas pela classe que sempre respeitaram o meio ambiente, eles prejudicaram. Que é os pescador... é os antigo... é o roceiro, é o cara que sempre criou o filho com farinha e palmito... entendeu?" (DE GÓIS, 2016, comunicação pessoal)
sábado, 4 de março de 2017
A PESCA DE TRÓIA EM UBATUBA-SÃO PAULO
SUBSÍDIOS PARA O PLANO DE GESTÃO PARA O USO SUSTENTÁVEL DA TAINHA, NO BRASIL.
Autores:
Peter Santos Németh e Antonio Carlos Sant'Ana Diegues
Resumo:
O presente estudo etnográfico procura caracterizar a arte de pesca denominada pesca de tróia e os petrechos utilizados nesse tipo de técnica pesqueira tradicional, em Ubatuba. A pesca de tainhas e paratis (Família Mugilidae) é de grande valor socioeconômico e seus primeiros registros no litoral sudeste brasileiro datam de meados do século XVI. Ainda hoje, a pesca de tróia é praticada em diversas comunidades locais do litoral norte de São Paulo. Culturalmente, essa técnica de pesca é de extrema importância para a transmissão dos saberes tradicionais relacionados às artes de pesca praticadas em canoas à remo e uma das principais responsáveis pela manutenção do patrimônio cultural pesqueiro caiçara.
TEXTO COMPLETO
Este artigo derivou da dissertação de mestrado entitulada:
A tradição pesqueira caiçara dos mares da Ilha Anchieta: a interdição dos territórios pesqueiros ancestrais e a reprodução sociocultural local
Autores:
Peter Santos Németh e Antonio Carlos Sant'Ana Diegues
Resumo:
O presente estudo etnográfico procura caracterizar a arte de pesca denominada pesca de tróia e os petrechos utilizados nesse tipo de técnica pesqueira tradicional, em Ubatuba. A pesca de tainhas e paratis (Família Mugilidae) é de grande valor socioeconômico e seus primeiros registros no litoral sudeste brasileiro datam de meados do século XVI. Ainda hoje, a pesca de tróia é praticada em diversas comunidades locais do litoral norte de São Paulo. Culturalmente, essa técnica de pesca é de extrema importância para a transmissão dos saberes tradicionais relacionados às artes de pesca praticadas em canoas à remo e uma das principais responsáveis pela manutenção do patrimônio cultural pesqueiro caiçara.
TEXTO COMPLETO
Este artigo derivou da dissertação de mestrado entitulada:
A tradição pesqueira caiçara dos mares da Ilha Anchieta: a interdição dos territórios pesqueiros ancestrais e a reprodução sociocultural local
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Praia da Enseada final dos anos 1940. Foto: Paulo Florençano |
terça-feira, 24 de junho de 2014
QUANTO VALE O PATRIMÔNIO HALIÊUTICO TRADICIONAL?
Independentemente da dificuldade que a ciência reducionista e cartesiana tem de delimitar, predizer, controlar e compreender os fenômenos naturais marinhos dentro da dimensão complexa da propriedade comunal na fluidez do mar, certas sociedades humanas conseguem este intento através de sistemas de uso tradicionais.
No entanto a complexidade das interações humanas com a natureza, fez com que os ecólogos tenham preferido deixar o homem de fora dos ecossistemas, sem considerar as relações mais respeitosas das populações tradicionais com o ambiente natural, criando uma visão misantrópica no discurso conservacionista ao considerar toda ação humana como destruidora da natureza (DIEGUES, 2004).
A emergência da questão ambiental nos últimos anos jogou ainda uma outra luz sobre esses modos “arcaicos” de produção. Ao deslocar o eixo de análise do critério da produtividade para o do manejo sustentado dos recursos naturais, evidenciou a positividade relativa dos modelos indígenas de exploração dos recursos naturais e desse modelo da cultura rústica, parente mais pobre, mas valioso, dos modelos indígenas. (ARRUDA, 2000, grifo do autor)
O relativo isolamento do caiçara paulista (MUSSOLINI, 1980) garantiu a tenência de saberes e fazeres culturalmente diferenciados por essas comunidades e, de certo modo, manteve o patrimônio cultural intacto até meados dos anos 1930 quando por pressão de um novo mercado emergente consumidor de pescado, elas passaram a se dedicar mais intensivamente à pesca (DIEGUES, 1973;1983; ADAMS, 2000).
O PHT passou então a agregar novos valores externos, como pescar além das necessidades de subsistência gerando excedente suficiente para comprar pequenos motores e redes de nylon que melhoravam os resultados da pesca, alimentando o círculo vicioso de exploração e dependência econômica que culminou na crise de sobrepesca dos anos 1970.
A princípio essas novas visões e valores não tradicionais agregados geraram o primeiro grande impacto sociocultural, o da sobrepesca, que até hoje ameaça a própria existência material desses pescadores. Entretanto a consciência adquirida de que os recursos pesqueiros são finitos em contraponto à fartura aparentemente infinita do tempo dos antigos (SANCHES, 2004; NÉMETH, 2010), gerou num primeiro momento o rompimento cultural com o as leis do respeito[1] (DIEGUES, 2004), onde os recursos que antes eram explorados de modo a garantir a sustentabilidade passaram a ser intensamente utilizados antes que se esgotassem.
Comprovada e reforçada pela prática a ideia de que os estoques são finitos, os caiçaras começam a sofrer uma segunda grande influência cultural no início dos anos 1980, a do ambientalismo. Assim o conceito de preservação ambiental também passa a fazer parte do vocabulário tradicional, embora esse enfoque preservacionista os excluísse do ecossistema a ser protegido e, muitas vezes os responsabilizasse pela degradação.
Hoje no século XXI, fomentado por outros enfoques acadêmicos de situar o PHT dentro de um contexto científico mais abrangente, como o da etnociência, uma nova ideia começa a fluir e penetrar essas comunidades: a de que eles próprios podem ser a ferramenta fundamental para a conservação dos recursos pesqueiros, pelo imenso conhecimento tradicional especializado que possuem à cerca de pequenas e específicas áreas de mar das quais são os naturais guardiões e usuários por gerações.
Na concepção de Toledo (1998), a diversidade cultural deve ser protegida da mesma forma que a diversidade biológica. Para ele, salvaguardar a herança natural do país sem resguardar as culturas que lhe tem dado vida, é reduzir a natureza a algo sem reconhecimento, estático, distante, quase morto. Destaca-se, então, que a sociodiversidade constitui uma dimensão tão importante quanto a biodiversidade (BERKES, 1989; DIEGUES; ARRUDA, 2001). (SALDANHA, 2005, grifo nosso.).
Essa ideia revolucionária opõe-se à atual marginalização e apartamento dos pescadores caiçaras de seu ambiente-território, institucionalizados pela criação das unidades de conservação. Também pode reverter a conotação negativa que conceitos e palavras como: meio-ambiente, proteção da natureza e conservação, têm no imaginário da cultura tradicional. Assim, os próprios caiçaras vendo-se parte do habitat, passarão a defender esses valores conservacionistas como garantia da perpetuação de seu modo de vida e reprodução de seus próprios valores socioculturais.
Cabe ainda relacionar esse modo de vida tradicional com o “Programa Bioeconômico Mínimo” de Georgescu-Roegen, cuja proposta é reduzir o consumo para assim reduzir a depleção dos recursos naturais a um mínimo compatível com uma sobrevivência razoável da espécie humana (CECHIN: 2008), transportando o valor do PHT de uma posição geralmente vista como atrasada e subdesenvolvida para a vanguarda do pensamento “Bioeconômico”. Essas considerações poderão proporcionar a justificada reinserção sociocultural desses saberes tradicionais valiosos para a sobrevivência humana em um ambiente dinâmico e imprevisível, preocupação inerente à Economia Ecológica e sua principal questão: “quais são os condicionantes ecológicos que não só restringem a atividade econômica, como colocam em risco a sobrevivência da humanidade em futuro mais distante?” (CECHIN, 2008).
Será que a humanidade ouvirá qualquer programa que implique uma constrição de seu conforto exossomático? Talvez, o destino do homem seja ter uma vida curta, mas ardente, excitante e extravagante ao invés de uma longa existência monótona e vegetativa. Deixando outras espécies -as amebas, por exemplo- que não têm ambições espirituais herdar uma Terra ainda banhada em muito sol (GR, 1976b: 35). (CECHIN,2008, tradução nossa)
O valor da tradição caiçara, para Seu Pedro Rafael da Praia Vermelha em Ilhabela, São Paulo, está registrado na memória do que lhe disse seu pai, já no leito de morte:
Eu já estou no fim, estou quase chegando no finzinho do meu caminho, mas vocês tem muita coisa pra frente ainda...você...olha... Eu... dinheiro, não deixo, porque você sabe o dinheiro que nóis ganhamo é só pra nóis vivê, não deixo dinheiro... mas com o que vocês ganhá eu deixo... Eu criei a vocês com esses tráfico[2], eu criei a vocês... ninguém passô fome, ninguém sentiu nada, e vocês... quando eu morrê, vocês fiquem com esse tráfico, só que vocês se une, se unam, não se desmanche, eu vivi nisso aí sem dependê de patrão pra vivê, que o patrão só Deus, e nóis na terra num tem que tê patrão, você num tem hora de entrá, num tem hora de saí, num tem que pedir a ninguém”. (BERNARDO e BIANCHI, 2009, transcrição nossa)
[1] Convenções sociais tácitas características destas populações.
[2] Tráfico é o equipamento usado para ralar a mandioca e fabricar a farinha.
Trecho do texto CONSIDERAÇÕES SOBRE OS ASPECTOS DE VALORAÇÃO ECONÔMICA DOS SERVIÇOS ECOSSISTÊMICOS ASSOCIADOS AO CONHECIMENTO TRADICIONAL DOS PESCADORES ARTESANAIS. autor Peter Santos Németh.
quinta-feira, 17 de maio de 2012
REGISTRO DA PAISAGEM CAIÇARA - A PINTURA E O SKATE DE CRISTIANO MENDES
Eternizando o planeta contemporâneo!
"Relatar o que os olhos podem ver... eternizar o presente... lugares que ao futuro não pertencerão! O mundo em mutação... retratos fiéis, paradisíacas paisagens, de um lugar chamado Ubatuba... de um jovem artista caiçara... Cristiano Mendes.”
Mais telas em: http://www.flickr.com/photos/cristianomendes/
Caiçara, o jovem artista plástico Cristiano Vieira Mendes, nasceu no centro do município de Ubatuba. A veia artística é hereditária: seu pai D’Águas já deixou sua marca por toda a cidade. Desde muito pequeno, Cristiano gostava de pincelar. Na adolescência, acompanhava seu pai nos trabalhos de pintura de letreiros em muros, adquirindo intimidade com pincéis, tintas e grandes painéis. Aos 17 anos, resolveu ousar e pintou sua primeira tela “Marinha”, retratando os barcos da Barra. Ele diz que, quando iniciou, seu trabalho tinha traços primitivistas e que quase sempre pintava imagens reproduzidas por sua imaginação. A paixão pela arte tomou conta de seu ser, assim resolveu ir em busca de técnicas, pois no início pintava com látex sobre eucatex. Foi quando procurou orientação do artista plástico e professor Pauli Gil. Com o tempo, ele passou a pintar em óleo sobre tela e desenvolveu sua própria técnica descobrindo também sua verdadeira linha: a arte classificada com hiper-realismo, ou seja, cópia perfeita do real. Cristiano tira fotos da paisagem e passa a retratá-las fielmente em suas cores e formas. Uma das suas características quase sempre são telas de grande dimensão; no geral, medem 1,20 x 90 a 1,70 x 90, confeccionadas pelo próprio artista. Uma obra para ficar pronta dura em média de uma a duas semanas. Ele disciplinou-se em seu trabalho e o faz de quatro a cinco horas diárias, sempre na parte da manhã em função da luz solar. Cristiano sempre sonhou em fazer uma faculdade, onde pudesse especializar-se, porém a dificuldade financeira não permitiu por momento realizar este sonho, assim ele transformou-se em um grande autodidata, e agora está buscando novas experiências, surgindo figuras de natureza morta, animais e flores.
O artista sabe que tem muito para aprender, pois ainda é muito jovem, porém é muito dedicado no que faz e mostra-se bem maduro em relação a arte. Ele já participou do Mapa Cultural do Estado de São Paulo, do Mapa Cultural do Banco Itaú e diversas exposições coletivas na Fundart. Através do estilista e apresentador Clodovil, que adquiriu duas telas suas, teve uma delas exposta no programa de televisão Band e outra na Rede Mulher. Cristiano, como todos os artistas locais, lamenta não ter um espaço coletivo para que todos possam trabalhar, além de ser um atrativo para os turistas que teriam um endereço certo. Ele diz: “Infelizmente, falta incentivo cultural!”.
Cristiano revela: “Eu optei por retratar imagens que eu sei que no futuro não estarão mais assim. Esta é a única chance das pessoas saberem o mundo belo em que ainda vivemos”.
Prêmios: Menção Honrosa - 23o Salão de Arte ACSP Pinheiros 2010. "Pescando o Futuro"
Prêmio Aquisição - 9º Salão Nacional de Belas Artes de Ubatuba 2011. "O Resgate da Arte"
assista em: http://www.youtube.com/watch?v=QoCtY2g_Fgw
Artista Plástico nascido em Ubatuba-SP. Realiza trabalhos de paisagem em óleo sobre tela que retratam cenas cotidianas da Cultura Caiçara.
Muito influenciado pelo mar, canoas e barcos que fizeram parte de sua infância ao lado de seu avô Zé Capão, notável pescador artesanal da Região.
Ao mesmo tempo possui grande plasticidade para desenvolver outros temas como natureza morta, flores, animais e abstratismo também.
Em 1998 foi destaque na televisão ao pintar a Praia do Promirim que fez parte da cenografia do Programa do apresentador Clodovil Hernandes, o qual considera seu padrinho artistístico.
O realismo de suas pinceladas já foi destaque em Salões de Artes Plásticas do Litoral Norte de SP, resultando em premiações relevantes (Ilha Bela e Ubatuba).
Cristiano Mendes também agita a cena do skate no município de Ubatuba, onde coordenou a Escolinha de Skate.
fontes: http://www2.uol.com.br/jornalasemana/edicao186/cultura.htm
http://www.flickr.com/people/cristianomendes/
http://www.ubatuba.sp.gov.br/noticias/view.php?id=1213
http://www.fundart.com.br/Destaques/9o-salao-nacional-de-belas-artes-de-ubatuba-exposicao-aberta-ate-o-dia-06-de-novembro.html
"Relatar o que os olhos podem ver... eternizar o presente... lugares que ao futuro não pertencerão! O mundo em mutação... retratos fiéis, paradisíacas paisagens, de um lugar chamado Ubatuba... de um jovem artista caiçara... Cristiano Mendes.”
Caiçara, o jovem artista plástico Cristiano Vieira Mendes, nasceu no centro do município de Ubatuba. A veia artística é hereditária: seu pai D’Águas já deixou sua marca por toda a cidade. Desde muito pequeno, Cristiano gostava de pincelar. Na adolescência, acompanhava seu pai nos trabalhos de pintura de letreiros em muros, adquirindo intimidade com pincéis, tintas e grandes painéis. Aos 17 anos, resolveu ousar e pintou sua primeira tela “Marinha”, retratando os barcos da Barra. Ele diz que, quando iniciou, seu trabalho tinha traços primitivistas e que quase sempre pintava imagens reproduzidas por sua imaginação. A paixão pela arte tomou conta de seu ser, assim resolveu ir em busca de técnicas, pois no início pintava com látex sobre eucatex. Foi quando procurou orientação do artista plástico e professor Pauli Gil. Com o tempo, ele passou a pintar em óleo sobre tela e desenvolveu sua própria técnica descobrindo também sua verdadeira linha: a arte classificada com hiper-realismo, ou seja, cópia perfeita do real. Cristiano tira fotos da paisagem e passa a retratá-las fielmente em suas cores e formas. Uma das suas características quase sempre são telas de grande dimensão; no geral, medem 1,20 x 90 a 1,70 x 90, confeccionadas pelo próprio artista. Uma obra para ficar pronta dura em média de uma a duas semanas. Ele disciplinou-se em seu trabalho e o faz de quatro a cinco horas diárias, sempre na parte da manhã em função da luz solar. Cristiano sempre sonhou em fazer uma faculdade, onde pudesse especializar-se, porém a dificuldade financeira não permitiu por momento realizar este sonho, assim ele transformou-se em um grande autodidata, e agora está buscando novas experiências, surgindo figuras de natureza morta, animais e flores.
O artista sabe que tem muito para aprender, pois ainda é muito jovem, porém é muito dedicado no que faz e mostra-se bem maduro em relação a arte. Ele já participou do Mapa Cultural do Estado de São Paulo, do Mapa Cultural do Banco Itaú e diversas exposições coletivas na Fundart. Através do estilista e apresentador Clodovil, que adquiriu duas telas suas, teve uma delas exposta no programa de televisão Band e outra na Rede Mulher. Cristiano, como todos os artistas locais, lamenta não ter um espaço coletivo para que todos possam trabalhar, além de ser um atrativo para os turistas que teriam um endereço certo. Ele diz: “Infelizmente, falta incentivo cultural!”.
Cristiano revela: “Eu optei por retratar imagens que eu sei que no futuro não estarão mais assim. Esta é a única chance das pessoas saberem o mundo belo em que ainda vivemos”.
Prêmios: Menção Honrosa - 23o Salão de Arte ACSP Pinheiros 2010. "Pescando o Futuro"
Prêmio Aquisição - 9º Salão Nacional de Belas Artes de Ubatuba 2011. "O Resgate da Arte"
assista em: http://www.youtube.com/watch?v=QoCtY2g_Fgw
Artista Plástico nascido em Ubatuba-SP. Realiza trabalhos de paisagem em óleo sobre tela que retratam cenas cotidianas da Cultura Caiçara.
Muito influenciado pelo mar, canoas e barcos que fizeram parte de sua infância ao lado de seu avô Zé Capão, notável pescador artesanal da Região.
Ao mesmo tempo possui grande plasticidade para desenvolver outros temas como natureza morta, flores, animais e abstratismo também.
Em 1998 foi destaque na televisão ao pintar a Praia do Promirim que fez parte da cenografia do Programa do apresentador Clodovil Hernandes, o qual considera seu padrinho artistístico.
O realismo de suas pinceladas já foi destaque em Salões de Artes Plásticas do Litoral Norte de SP, resultando em premiações relevantes (Ilha Bela e Ubatuba).
Cristiano Mendes também agita a cena do skate no município de Ubatuba, onde coordenou a Escolinha de Skate.
fontes: http://www2.uol.com.br/jornalasemana/edicao186/cultura.htm
http://www.flickr.com/people/cristianomendes/
http://www.ubatuba.sp.gov.br/noticias/view.php?id=1213
http://www.fundart.com.br/Destaques/9o-salao-nacional-de-belas-artes-de-ubatuba-exposicao-aberta-ate-o-dia-06-de-novembro.html
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