Uma das crenças mais difundidas a respeito da tainha é que ela seria um peixe abençoado por ter a imagem de Nossa Senhora estampada em suas escamas.
Fora esta crença popular a escama da tainha ainda tem uma função "estratégica" entre o rol de artimanhas dos pescadores.
Um dos principais fatores que garante o sucesso de uma pescaria tradicional é o "segredo" com respeito ao local onde está o cardume de Tainhas. Geralmente este cardume é chamado de "o peixe" e saber onde "o peixe" está, onde "o peixe dorme" e qual a quantidade do peixe é fundamental para o sucesso da pescaria.
Então durante a Época da Tainha, é comum os pescadores utilizarem as mais diversas estratégias para garantir o "segredo" sobre "o peixe". Então é muito comum entre os pescadores de uma localidade, mentir, enganar, despistar sobre o resultado de uma pescaria a fim de não revelar o "segredo" para os outros pescadores.
É aí que as escamas da tainha são utilizadas para cumprir esta função estratégica.
Muitas vezes quando o pescador quer dar a impressão de que matou muita tainha na noite anterior (mesmo tendo matado 2 ou 3), ele limpa as tainhas e junta as escamas e o sangue delas para espalha-los ao redor da canoa, por cima da rede e na proa da canoa, passando assim a impressão de que matou muitas tainhas.
Já com o intuito contrário, se ele matou muita tainha e quer esconder o sucesso da pescaria para que seus "concorrentes" não se dirijam para o pesqueiro utilizado na noite anterior, ele limpa todas as escamas de dentro da canoa, ou que tenham caído no chão, e lava todo o sangue de tainha que esteja na rede ou na proa da canoa.
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segunda-feira, 18 de junho de 2018
quarta-feira, 31 de maio de 2017
MAPA DA TAINHA
Fonte: https://www.facebook.com/mapadatainha/
"A ideia deste projeto surgiu em 2016 dentro do Grupo de Estudos em Socioantropologia Marítima do NUPAUB-USP que coordena o Mapa da Tainha. A proposta deste mapeamento é registrar de modo colaborativo a captura da tainha (Mugil liza) pela pesca artesanal durante o período da safra de 2017. O objetivo principal é construir um banco de dados e imagens georeferenciados aberto a consulta de pescadores, pesquisadores e gestores públicos interessados em conhecer melhor a migração e a organização da pesca artesanal da tainha.
Acreditamos que o auto-monitoramento é instrumento fundamental para qualificar a interlocução dos pescadores nas instâncias gestoras responsáveis pela formulação de Políticas Públicas voltadas à pesca, à proteção ambiental e ao reconhecimento territorial de comunidades tradicionais. Importância que ganha destaque no atual contexto de desarticulação administrativa, restrição orçamentária e priorização de interesses empresariais, que colocam em risco iniciativas de ordenamento pesqueiro, como o processo de implementação das Diretrizes da FAO para a Pesca Artesanal no Brasil, e especificamente das discussões em torno do processo de formulação do Plano de Gestão para o Uso Sustentável da Tainha nas Regiões Sudeste e Sul do Brasil.
O Mapa da Tainha foi concebido para ser uma plataforma aberta, elaborada a partir da colaboração de pescadores e pesquisadores diretamente envolvidos com a pesca artesanal, com objetivo de sistematizar dados e informações a respeito do comportamento dos cardumes e das capturas realizadas pela pesca artesanal. Ampliando o conhecimento sobre a espécie e a atividade, subsidiando o movimento dos pescadores e apontando demandas e horizontes para a pesquisa acadêmica.
Para tanto convidamos aos interessados a colaborar enviando informações sobre a captura nas localidades, informando data e hora da captura - número de lanços se possível -, quantidade capturada, além de fotografias e vídeos."
Acesse mais informações sobre o Projeto em: http://nupaub.fflch.usp.br/sites/nupaub.fflch.usp.br/files/Mapeamento-colaborativo-da-tainha%20Nupaub.pdf
Acesse nossa Política de Privacidade em: http://nupaub.fflch.usp.br/node/19
Acesse nosso Mapa da Tainha em:
https://drive.google.com/open?id=1AtqcXXTHSxxiOqp-AvO7iyyd494&usp=sharing
Conheça nosso Formulário de Reporte de Captura em: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSe4ozTZPfImbe260rmff5wedg8NceuiWR59JtyigO7UQo7hXg/viewform?usp=sf_link
"A ideia deste projeto surgiu em 2016 dentro do Grupo de Estudos em Socioantropologia Marítima do NUPAUB-USP que coordena o Mapa da Tainha. A proposta deste mapeamento é registrar de modo colaborativo a captura da tainha (Mugil liza) pela pesca artesanal durante o período da safra de 2017. O objetivo principal é construir um banco de dados e imagens georeferenciados aberto a consulta de pescadores, pesquisadores e gestores públicos interessados em conhecer melhor a migração e a organização da pesca artesanal da tainha.
Acreditamos que o auto-monitoramento é instrumento fundamental para qualificar a interlocução dos pescadores nas instâncias gestoras responsáveis pela formulação de Políticas Públicas voltadas à pesca, à proteção ambiental e ao reconhecimento territorial de comunidades tradicionais. Importância que ganha destaque no atual contexto de desarticulação administrativa, restrição orçamentária e priorização de interesses empresariais, que colocam em risco iniciativas de ordenamento pesqueiro, como o processo de implementação das Diretrizes da FAO para a Pesca Artesanal no Brasil, e especificamente das discussões em torno do processo de formulação do Plano de Gestão para o Uso Sustentável da Tainha nas Regiões Sudeste e Sul do Brasil.
O Mapa da Tainha foi concebido para ser uma plataforma aberta, elaborada a partir da colaboração de pescadores e pesquisadores diretamente envolvidos com a pesca artesanal, com objetivo de sistematizar dados e informações a respeito do comportamento dos cardumes e das capturas realizadas pela pesca artesanal. Ampliando o conhecimento sobre a espécie e a atividade, subsidiando o movimento dos pescadores e apontando demandas e horizontes para a pesquisa acadêmica.
Para tanto convidamos aos interessados a colaborar enviando informações sobre a captura nas localidades, informando data e hora da captura - número de lanços se possível -, quantidade capturada, além de fotografias e vídeos."
Acesse mais informações sobre o Projeto em: http://nupaub.fflch.usp.br/sites/nupaub.fflch.usp.br/files/Mapeamento-colaborativo-da-tainha%20Nupaub.pdf
Acesse nossa Política de Privacidade em: http://nupaub.fflch.usp.br/node/19
Acesse nosso Mapa da Tainha em:
https://drive.google.com/open?id=1AtqcXXTHSxxiOqp-AvO7iyyd494&usp=sharing
Conheça nosso Formulário de Reporte de Captura em: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSe4ozTZPfImbe260rmff5wedg8NceuiWR59JtyigO7UQo7hXg/viewform?usp=sf_link
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Praia do Gravatá, Florianópolis, SC. Foto: Facebook |
sábado, 4 de março de 2017
A PESCA DE TRÓIA EM UBATUBA-SÃO PAULO
SUBSÍDIOS PARA O PLANO DE GESTÃO PARA O USO SUSTENTÁVEL DA TAINHA, NO BRASIL.
Autores:
Peter Santos Németh e Antonio Carlos Sant'Ana Diegues
Resumo:
O presente estudo etnográfico procura caracterizar a arte de pesca denominada pesca de tróia e os petrechos utilizados nesse tipo de técnica pesqueira tradicional, em Ubatuba. A pesca de tainhas e paratis (Família Mugilidae) é de grande valor socioeconômico e seus primeiros registros no litoral sudeste brasileiro datam de meados do século XVI. Ainda hoje, a pesca de tróia é praticada em diversas comunidades locais do litoral norte de São Paulo. Culturalmente, essa técnica de pesca é de extrema importância para a transmissão dos saberes tradicionais relacionados às artes de pesca praticadas em canoas à remo e uma das principais responsáveis pela manutenção do patrimônio cultural pesqueiro caiçara.
TEXTO COMPLETO
Este artigo derivou da dissertação de mestrado entitulada:
A tradição pesqueira caiçara dos mares da Ilha Anchieta: a interdição dos territórios pesqueiros ancestrais e a reprodução sociocultural local
Autores:
Peter Santos Németh e Antonio Carlos Sant'Ana Diegues
Resumo:
O presente estudo etnográfico procura caracterizar a arte de pesca denominada pesca de tróia e os petrechos utilizados nesse tipo de técnica pesqueira tradicional, em Ubatuba. A pesca de tainhas e paratis (Família Mugilidae) é de grande valor socioeconômico e seus primeiros registros no litoral sudeste brasileiro datam de meados do século XVI. Ainda hoje, a pesca de tróia é praticada em diversas comunidades locais do litoral norte de São Paulo. Culturalmente, essa técnica de pesca é de extrema importância para a transmissão dos saberes tradicionais relacionados às artes de pesca praticadas em canoas à remo e uma das principais responsáveis pela manutenção do patrimônio cultural pesqueiro caiçara.
TEXTO COMPLETO
Este artigo derivou da dissertação de mestrado entitulada:
A tradição pesqueira caiçara dos mares da Ilha Anchieta: a interdição dos territórios pesqueiros ancestrais e a reprodução sociocultural local
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Praia da Enseada final dos anos 1940. Foto: Paulo Florençano |
quinta-feira, 4 de junho de 2015
É PRECISO PENSARMOS A TAINHA.
Atualização: ARTIGO COMPLETO NESTE LINK: http://ppg.revistas.uema.br/index.php/REPESCA/article/view/1053
Mais do que apenas "um peixe", muito menos um mero "recurso" a ser explorado pelo capital, a tainha é na verdade um "serviço cultural", ou seja uma função do ecossistema que influencia aspectos estéticos (as canoas e os petrechos), recreativos (o jogo da pesca), educacionais (o como pescar), culturais (a tradição da pesca) e até espirituais da experiência humana (MEA, 2003, p.77).
O Prof. Antonio Carlos Diegues costuma dizer que "a tainha é um peixe social", e isso pode ser comprovado pelo "frisson" que a expectativa da chegada dos cardumes causa nas comunidades litorâneas desde a Lagoa dos Patos, no sul do Brasil, até o Norte do Rio de Janeiro.
Nem bem termina o verão, os pescadores já iniciam o "preparo" para o tempo frio. Tresmalhos são checados e reformados, as canoas são reparadas e pintadas e sinais dos ventos e do mar são analisados na busca de um prognóstico para a próxima safra de tainhas.
No entanto recentemente, mais uma vez desastrosamente para os artesanais de São Paulo, um novo ator, além do velho conhecido CEPSUL, infiltrou-se nesse roteiro, a portaria interministerial nº 4, legislação feita pelo MPA e MMA.
Regras que promovam o manejo sustentável do "recurso" tainha, são mais do que necessárias, mas o problema é que isso acontece em um ambiente dominado pelo lobby da pesca industrial, cujos sindicatos aceitam todos os limites, cotas e defesos, desde que não diminuam suas capturas. O que acontece então, é que os setores com pouca representatividade, principalmente os artesanais de canoa à remo do litoral norte de São Paulo, saem sempre prejudicados com essas portarias feitas "sob medida" para os interesses industriais. Miranda (et al., 2011) defendem a suspensão da pesca de tainha pela frota de traineiras, e citam que em julho de 2010, apenas uma única traineira “matou” mais tainhas do que o total capturado no mesmo mês pela pequena pesca, em catorze (14) municípios paulistas. Alertam também que em São Paulo nesse mesmo ano de 2010, nos meses de junho e julho, apenas 1,1% das unidades produtivas envolvidas na pesca da tainha, eram de traineiras. Mesmo assim foram responsáveis, realizando apenas 0,4% das descargas, por 50,1% da captura total de tainhas. Demonstram os autores, cabalmente, a imensa desproporcionalidade entre a frota de traineiras e a pequena pesca, resultando em competição desigual, menor disponibilidade da espécie para as populações tradicionais e maiores custos sócio-econômicos e culturais para os usuários desse recurso pesqueiro (MIRANDA et al., 2011: p.17-19).
A tainha, sendo um "peixe social" deveria ser considerada como um patrimônio cultural reservado apenas para a captura não mecanizada/motorizada. A interação entre essa espécie e os nativos da costa brasileira já foi descrita por Hans Staden no ano de 1557, por Carlos Borges Schmidt e Gioconda Mussolini, nos anos de 1940 e 1950, portanto é uma cultura arraigada no DNA dessas populações costeiras. Não é possível permitir que traineiras capturem toneladas e toneladas de tainhas simplesmente para que toneladas de suas ovas sejam exportadas para o Japão e o peixe seja colocado à venda conforme a foto abaixo feita no Extra-Itaim em maio de 2015. Esse peixe está podre! Que pescador comeria um peixe nesse estado, quanto mais teria coragem de vendê-lo! Só presta pra isca de garoupa.
Enquanto isso, o pescador artesanal de canoa à remo sofre outro tipo de tratamento.
Na foto acima, os pescadores de tainhas e paratis estavam sendo presos pela segunda vez. Na primeira foi apreendida a rede de tainha, 10 quilos de tainha e estipulada uma fiança de 300 reais para cada um. O detalhe pavoroso dessa autuação, foi que toda essa injustiça deu-se baseada em uma portaria CEPSUL/IBAMA que já estava revogada no ato da "infração". Ou seja, prisão ilegal.
Esse momento especial de discussão desse Plano de Gestão para a pesca sustentável da tainha, acredito eu, seja ideal para que todas essas discrepâncias e injustiças sejam colocadas à mesa. Para isso é necessária a união de todos dos pescadores artesanais não mecanizados/motorizados que têm na tainha, muito mais do que um recurso natural, e sim um patrimônio sociocultural indissociável de seu próprio modo de vida tradicional.
CONTINUA... em 2016: http://canoadepau.blogspot.com.br/2016/06/e-preciso-pensarmos-tainha-2.html
Mais do que apenas "um peixe", muito menos um mero "recurso" a ser explorado pelo capital, a tainha é na verdade um "serviço cultural", ou seja uma função do ecossistema que influencia aspectos estéticos (as canoas e os petrechos), recreativos (o jogo da pesca), educacionais (o como pescar), culturais (a tradição da pesca) e até espirituais da experiência humana (MEA, 2003, p.77).
O Prof. Antonio Carlos Diegues costuma dizer que "a tainha é um peixe social", e isso pode ser comprovado pelo "frisson" que a expectativa da chegada dos cardumes causa nas comunidades litorâneas desde a Lagoa dos Patos, no sul do Brasil, até o Norte do Rio de Janeiro.
Nem bem termina o verão, os pescadores já iniciam o "preparo" para o tempo frio. Tresmalhos são checados e reformados, as canoas são reparadas e pintadas e sinais dos ventos e do mar são analisados na busca de um prognóstico para a próxima safra de tainhas.
No entanto recentemente, mais uma vez desastrosamente para os artesanais de São Paulo, um novo ator, além do velho conhecido CEPSUL, infiltrou-se nesse roteiro, a portaria interministerial nº 4, legislação feita pelo MPA e MMA.
Regras que promovam o manejo sustentável do "recurso" tainha, são mais do que necessárias, mas o problema é que isso acontece em um ambiente dominado pelo lobby da pesca industrial, cujos sindicatos aceitam todos os limites, cotas e defesos, desde que não diminuam suas capturas. O que acontece então, é que os setores com pouca representatividade, principalmente os artesanais de canoa à remo do litoral norte de São Paulo, saem sempre prejudicados com essas portarias feitas "sob medida" para os interesses industriais. Miranda (et al., 2011) defendem a suspensão da pesca de tainha pela frota de traineiras, e citam que em julho de 2010, apenas uma única traineira “matou” mais tainhas do que o total capturado no mesmo mês pela pequena pesca, em catorze (14) municípios paulistas. Alertam também que em São Paulo nesse mesmo ano de 2010, nos meses de junho e julho, apenas 1,1% das unidades produtivas envolvidas na pesca da tainha, eram de traineiras. Mesmo assim foram responsáveis, realizando apenas 0,4% das descargas, por 50,1% da captura total de tainhas. Demonstram os autores, cabalmente, a imensa desproporcionalidade entre a frota de traineiras e a pequena pesca, resultando em competição desigual, menor disponibilidade da espécie para as populações tradicionais e maiores custos sócio-econômicos e culturais para os usuários desse recurso pesqueiro (MIRANDA et al., 2011: p.17-19).
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Traineira chapada de tainha. fonte facebook: No encanto azul do mar. |
O questionamento aqui é o seguinte: qual é o benefício/contribuição da pesca industrial (exceto o lucro concentrado na mão dos armadores), já que o produto final chega nessas condições acima, ao consumidor final (se é que alguém tem coragem de consumir esse peixe podre)?
Enquanto isso, o pescador artesanal de canoa à remo sofre outro tipo de tratamento.
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Pescadores da arte Pesca de Tróia, sendo presos na Enseada. Foto: Peter Nemeth. |
Agora essa nova portaria nº 4, que não caracteriza as peculiaridades "endêmicas" das artes de pesca tradicionais do litoral norte de São Paulo, coloca de novo em risco a Pesca de Tróia e os pescadores de canoa. Como a portaria não define a Pesca de Tróia do litoral norte de SP, e cita só a Pesca de Trolha (sinônimo sulista da mesma arte), e também no site do CEPSUL não existe a definição dessa arte, sobra margem para a autuação desses pescadores baseada na discricionariedade dos policiais ambientais. Já que no caso da foto acima, após entrada com pedido de danos morais pela prisão ilegal, o juiz indeferiu o pedido, dizendo que eles praticavam Pesca de Caceio (outra arte de pesca totalmente diferente), e essa pesca seria proibida por outra legislação na proximidade das praias!!?? Injustiça, injustiça e mais injustiça.
CONTINUA... em 2016: http://canoadepau.blogspot.com.br/2016/06/e-preciso-pensarmos-tainha-2.html
IPHAN. (2012).
A pesca da tainha na Ilha do Mel:
territorialidades, sociabilidades e técnicas. Curitiba: Superintendência do
IPHAN no Paraná.
MEA. (2003).
Ecosystems and human well-being: a
framework for assessment/Millennium Ecosystem Assessment. Washington: Island
Press.
MUSSOLINI, Gioconda (1980). Ensaios
de antropologia indígena e caiçara. Rio
de janeiro: Paz e Terra. 287p.
SCHMIDT, C.
B. (1948). Alguns aspectos da pesca no
litoral paulista. p.41., Diretoria de publicidade agrícola –
Secretaria da agricultura do Estado de São Paulo. Separata da Revista do Museu
Paulista, Nova série, vol. 1, 1947, São Paulo, Brasil.
SECKENDORFF,
R. W. von; AZEVEDO, V. G. de (2007). Abordagem
histórica da pesca da tainha mugil platanus e do parati mugil curema
(perciformes: mugilidae) no litoral norte do Estado de São Paulo. Série
Relatórios Técnicos, São Paulo, n. 28: 1-8, 2007. (ISSN: 1678-2283). Disponível
em: ftp://ftp.sp.gov.br/ftppesca/serreltec_28.pdf. Acesso em 06 out. 2010.
MIRANDA, L. V. ; CARNEIRO, M. H. ; PERES, M. B. ; CERGOLE, M. C. ; MENDONÇA, J. T.. (2011). Contribuições ao processo de ordenamento da pesca da espécie Mugil liza (Teleostei:Mugilidae) nas regiões sudeste e sul do Brasil entre os anos 2006 e 2010. Série Relatórios Técnicos (Instituto de Pesca. Online), v. 49, p. 1-23, 2011. Disponível em: ftp://ftp.sp.gov.br/ftppesca/serreltec_49.pdf. Acesso em 22 out. 2015.
MIRANDA, L. V. ; CARNEIRO, M. H. ; PERES, M. B. ; CERGOLE, M. C. ; MENDONÇA, J. T.. (2011). Contribuições ao processo de ordenamento da pesca da espécie Mugil liza (Teleostei:Mugilidae) nas regiões sudeste e sul do Brasil entre os anos 2006 e 2010. Série Relatórios Técnicos (Instituto de Pesca. Online), v. 49, p. 1-23, 2011. Disponível em: ftp://ftp.sp.gov.br/ftppesca/serreltec_49.pdf. Acesso em 22 out. 2015.
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
PRA ONDE FOI A ÁGUA DO RIOZINHO DA ENSEADA?
Entre essas duas fotos, existem 57 anos de diferença. Ambas foram tiradas na mesma margem esquerda do Riozinho da Barra do Destacamento, na Praia da Enseada em Ubatuba.
Em 1956, canoas faziam a carga e descarga dos barcos de cabotagem que traziam mantimentos da cidade de Santos. O porto ficava na Rua Luzia Maciel Leite, próximo ao número 97, na Praia da Enseada. Pescadores mais antigos relatam os pequenos cardumes de tainhas que podiam ser capturados na lagoa que o rio formava, camarões de água doce enormes (cafulas e pitus), robalos, etc. O rio tinha até barranca, de onde podia-se saltar na água morna que o peiral represava.
Nesse tempo (antes da estrada) alguns caminhõezinhos que se aventuravam entre Ubatuba e Caraguá, tinham que usar a areia da praia como estrada e a molecada caiçara ficava esperando para ajudar a desatolar o corajoso fretista que ousasse enfrentar o rio na maré errada. São várias histórias de recompensas, às vezes ganhas, outras "ganhadas", pacotes de café, balas, cigarros. Mas a imagem campeã, é a de um bando de crianças flutuando no riozinho, cada um com a sua bola de mortadela!Hoje, o rio virou filete de água, ou melhor de esgoto. As tainhazinhas ainda resistem, mas são mini tainhas de 2 centímetros cada, lutando pela vida igualzinho às adultas, é incrível observá-las em seus mini-cardumes.
Muito brejo também foi aterrado para gerar terrenos comercializáveis e isso com certeza "imprensou" a água que não aflora mais. E não foi só na Enseada que isso aconteceu, nas Toninhas tinha a barra do Rio Jacundá, mas isso já é uma outra história, para um próximo post.
Isso tudo era rio navegável, hoje é rua! |
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