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quarta-feira, 31 de maio de 2017

MAPA DA TAINHA

Fonte: https://www.facebook.com/mapadatainha/
"A ideia deste projeto surgiu em 2016 dentro do Grupo de Estudos em Socioantropologia Marítima do NUPAUB-USP que coordena o Mapa da Tainha. A proposta deste mapeamento é registrar de modo colaborativo a captura da tainha (Mugil liza) pela pesca artesanal durante o período da safra de 2017. O objetivo principal é construir um banco de dados e imagens georeferenciados aberto a consulta de pescadores, pesquisadores e gestores públicos interessados em conhecer melhor a migração e a organização da pesca artesanal da tainha.
Acreditamos que o auto-monitoramento é instrumento fundamental para qualificar a interlocução dos pescadores nas instâncias gestoras responsáveis pela formulação de Políticas Públicas voltadas à pesca, à proteção ambiental e ao reconhecimento territorial de comunidades tradicionais. Importância que ganha destaque no atual contexto de desarticulação administrativa, restrição orçamentária e priorização de interesses empresariais, que colocam em risco iniciativas de ordenamento pesqueiro, como o processo de implementação das Diretrizes da FAO para a Pesca Artesanal no Brasil, e especificamente das discussões em torno do processo de formulação do Plano de Gestão para o Uso Sustentável da Tainha nas Regiões Sudeste e Sul do Brasil.
O Mapa da Tainha foi concebido para ser uma plataforma aberta, elaborada a partir da colaboração de pescadores e pesquisadores diretamente envolvidos com a pesca artesanal, com objetivo de sistematizar dados e informações a respeito do comportamento dos cardumes e das capturas realizadas pela pesca artesanal. Ampliando o conhecimento sobre a espécie e a atividade, subsidiando o movimento dos pescadores e apontando demandas e horizontes para a pesquisa acadêmica.
Para tanto convidamos aos interessados a colaborar enviando informações sobre a captura nas localidades, informando data e hora da captura - número de lanços se possível -, quantidade capturada, além de fotografias e vídeos."
Acesse mais informações sobre o Projeto em: http://nupaub.fflch.usp.br/sites/nupaub.fflch.usp.br/files/Mapeamento-colaborativo-da-tainha%20Nupaub.pdf
Acesse nossa Política de Privacidade em: http://nupaub.fflch.usp.br/node/19
Acesse nosso Mapa da Tainha em:
https://drive.google.com/open?id=1AtqcXXTHSxxiOqp-AvO7iyyd494&usp=sharing
Conheça nosso Formulário de Reporte de Captura em: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSe4ozTZPfImbe260rmff5wedg8NceuiWR59JtyigO7UQo7hXg/viewform?usp=sf_link


Praia do Gravatá, Florianópolis, SC. Foto: Facebook

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

AS CANOAS DO TIPO "REGATA" FEITAS PARA COMPETIR, PESCAR E LUTAR.

Que lindas, estreitas e esguias são estas canoas do tipo "regata" lá de Cananéia usadas localmente para a pesca da manjuba. Que habilidade para remar uma destas!
Neste site já falei das variedades diversas do tipo de embarcação classificado como Canoa Caiçara; a Canoa de Voga, a Canoa Boneteira, a Canoa de Paranaguá - PR.
Faltava algo sobre a Canoa Regata.
"Segundo Francelízio, pescador e canoeiro, a regata é uma canoa longa, de boca estreita, sem bordadura, muito veloz, corta muita água, mas não e é adequada para a pesca no local. Era confeccionada em Ilhabela e vendida para Santos e para o litoral sul do estado, utilizada na pesca da manjuba. Em Ilhabela, segundo Cláudio, pescador e carpinteiro, as canoas para seis ou oito remadores, eram utilizadas exclusivamente para as regatas que ocorriam duas vezes ao ano no município, nunca para a pesca. No decorrer do anoficavam guardadas em ranchos, aguardando a próxima competição". (Maldonado, 2001, p.105, grifos da autora).
"Cortar água" é o efeito que pode ser observado na proa da canoa da foto abaixo:

A pesca da manjuba:
Em 1999, acontece um marco histórico na questão dos direitos das comunidades Caiçaras sobre o usofruto de seus territórios tradicionais, mesmo que em áreas de unidades de conservação integral, que foi a PORTARIA REGIONAL Nº 1 /99 DE 13 DE AGOSTO DE 1999, assinada pelo INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS:
"Considerando a importância do Mar Pequeno (ou Mar de Dentro), por se tratar de região estuarina que constitui o terceiro maior criadouro mundial de espécies aquáticas;
Considerando a importância sócio-econômica do recurso manjuba para a região do rio Ribeira de Iguape;
Considerando que as bocas das Barras de Icapara e do rio Ribeira de Iguape, e praia do Leste são áreas pouco profundas e de concentração de juvenis de diversas espécies de peixes;
Considerando que o efeito não predatório da rede corrico sobre a população de manjuba e demais espécies, conhecimento este resultante dos trabalhos de pesquisa realizados pelo Instituto de Pesca da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Estado de São Paulo;
Considerando a alteração ambiental provocada pela aberturas do Valo Grande e mantendo a solicitação já efetuada aos órgãos competentes em favor do fechamento, durante o período das secas, resolve:

Art. 1º- Permitir o exercício da pesca da manjuba, com o petrecho denominado "manjubeira" ; no rio Ribeira de Iguape a partir do local conhecido como "coroinha" e "sinal" no Costão do Icapara até a Pedra do Jeajava.; e na margem da Ilha Comprida até o Hotel "Maré Alta".
Parágrafo único- As normas de navegação da Marinha devem ser respeitadas.
Art. 2º- Permitir o exercício da pesca da manjuba, com qualquer denominado "corrico", no Mar Pequeno (ou Mar de Dentro) até Sabauna e, também, no rio Ribeira de Iguape até os locais conhecido como "coroinha", e "sinal", respeitando as normas de navegação da Marinha.
(...)
Art. 5º- O petrecho "manjubeira" permitido para a pesca da majuba nos locais do Mar Pequeno e no rio Ribeira de Iguape descritos no art. 1º desta Portaria, deve apresentar as seguintes características:
I- Panagem
1. Redes compostas de braço, manga e saco com comprimento máximo de 150 m (cento e cinquenta metros); cada segmento da rede deve ter as características de comprimento e malhagem especificadas nos incisos II, III, e IV deste artigo.
2. Redes compostas somente de manga e saco com comprimento máximo de 150 m (cento e cinqucenta metros); cada segmento da rede deve ter as características de comprimento e malhagem especificadas no incisos III e IV deste artigo.
II- Braço (se houver)
Comprimento máximo de 34 m (trinta e quatro metros), malhagem mínima de 24 mm (vinte e quatro milímetros);
III- Manga
Comprimento máximo de 90 m (noventa metros), com malhagem mínima de 20 mm (vinte milímetros);
IV- Saco
Comprimento máximo de 26 m (vinte e seis metros), malhagem mínima de 18 mm (dezoito milímetros).
Parágrafo único- Para efeito de mensuração, define-se tamanho de malha como a medida tomada entre ângulos opostos da malha esticada e o tamanho da rede como medida tomada entre as extremidades da panagem.
Art. 6º- O comprimento da rede "corrico" a ser utilizada no rio Ribeira de Iguape e no Mar Pequeno, não deve ultrapassar 150 m (cento e cinqüenta metros), com malhagem de 24 mm (vinte e quatro milímetros).
Parágrafo único- Para efeito de mensuração, define-se tamanho de malha como a medida tomada entre ângulos opostos da malha esticada e o tamanho da rede como medida tomada entre as extremidades da panagem.
Art. 7º- O exercício da pesca, praticado em descordo com estas disposições constitui dano à fauna aquática de domínio publico, nos termos do art. 71 do Decreto-Lei nº 221/67assim como crime, nos termos dos Art. 34 da Lei nº 9.605/98, de 12 de fevereiro de 1998".

Essa importante "Portaria regional" criou um precedente capaz de garantir o acesso doa populações tradicionais aos seus territórios de direito ancestral, desde que sob regras de manejo sustentáveis, que muitas vezes reproduzem ou formalizam o próprio manejo tradicional.

1   fontes: 
1- https://www.facebook.com/photo.php?fbid=400427030063184&set=a.104000543039169.4555.100002876713968&type=1&relevant_count=1
2-MALDONADO, Wanda. Da mata para o mar - A construção da Canoa Caiçara em Ilhabela/SP, 2001.
3- http://ipesca.tripod.com/pesca.htm
4- http://www.pesca.sp.gov.br/noticia.php?id_not=547

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O TRAQUETE


A propulsão à vela foi uma das primeiras adaptações feitas pelos índios em suas canoas, imitando esta tecnologia trazida pelos primeiros colonizadores.(1)

 O traquete, como é genericamente chamado pelos caiçaras o conjunto de mastro e velas para a navegação “à pano”, hoje quase já não se usa mais.

 Foto de um traquete tradicional.
Herança dos heróicos tempos das grandes canoas de voga do início do século XX (fig. 41)(2). As vogas eram especificamente canoas de transporte de carga que levavam mercadorias das comunidades caiçaras isoladas economicamente até os grandes portos da época. Podiam facilmente transportar 6.700 litros de aguardente, mais até 08 passageiros, e ainda os remeiros que podiam ser de 04 até 08 contando com o “patrão” que era o mestre comandante da voga.
 fig 41

A canoa de voga é o tipo de canoa mais citado por diversos autores, em muitos relatos e estudos de várias épocas(3).

Esta recorrência talvez se deva não só ao gigantismo de suas dimensões, mais de 20 metros de comprimento por 2,2 metros de largura, que muito impressionavam os cronistas por serem esculpidas em um só tronco de árvore, mas também pela importância vital das vogas, já que eram os únicos meios de ligação disponíveis entre os caiçaras e os grandes centros, levando e trazendo mercadorias e “quitandas”, garantindo a sobrevivência das comunidades.

Estas viagens em meio a ventos e tempestades criaram histórias de eventos fantásticos e heroicos que atravessaram gerações até os dias de hoje.

Os panos(4) permitiam encurtar as viagens com o vento a favor. Com o vento contra, as mezenas,(vela latina colocada a popa), entrava em ação, sendo responsável pelo rumo da canoa em ventos laterais. Quando não havia vento, então entravam em ação os remos de voga (fig. 42).

Até hoje o nome “canoa de voga” está associado e algumas vezes confunde a tipificação da embarcação que neste trabalho definimos como Canoa Caiçara.

 fig.42 (Verschleisser-1990)


Trecho extraído do Dossiê Canoa Caiçara, para registro de bem cultural imaterial junto ao IPHAN.



(1) Verschleisser 1990:89; Maldonado 2001:86 e Museu Nacional do Mar em: http://www.museunacionaldomar.com.br/estrutura/canoas.htm.
(2) Comissão geographica geologica 2ª ed. 1919, capa Enc. Caiçara vol IV 2005 NUPAUB-USP.
(3) John Mawe 1944. Schmidt 1947, Mussolini 1980, França 1951, Maldonado 2001, Klink 1983, Verschleisser 1990, Oliveira 1983, Denadai 2009, Noffs 2004, Diegues 2004. 

(4)Traquete e Mezena, assim chamadas as velas das vogas de dois mastros, o primeiro, vela “quadrada” de formato retangular, armada no banco da proa, e a segunda, vela “latina” de formato triangular (fig. 41), armada no banco do meio.
Fonte sobre mastreação: sp modelismo.