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segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Pirataria Privada na Ilha Anchieta! O butim é grande!

De Parque Estadual para Parque Temático. 

O Golpe está aí! Só não vê quem não quer.

Reforma tudo com dinheiro público, pra entregar de mão beijada pra "iniciativa" privada.

Ainda bem que algum funcionário com escrúpulos e fígado deixou bem à mostra os "itens" que nem de perto dizem respeito à Contenção.



Quer entender todo o "rolê" do projeto de privatização da Ilha Anchieta? 

Então veja aqui: 

https://canoadepau.blogspot.com/2016/05/exploracao-turistica-da-ilha-anchieta.html

https://canoadepau.blogspot.com/2013/03/gestao-costeira-quem-perde-e-quem-ganha.html 

https://canoadepau.blogspot.com/2013/09/o-infeliz-destino-de-nossos-parques.html 


quarta-feira, 27 de março de 2019

A PESCA DE MARCAÇÃO EM UBATUBA - SP

"A 12a edição da coletânea do PROCAM, que consta de 16 artigos elaborados por alunos de Mestrado e Doutorado, apresenta-se como um conjunto de textos que caracterizam as múltiplas reflexões que compõem o quadro de pesquisas desenvolvidas nas suas diversas linhas de pesquisa dentro do arcabouço da Ciência Ambiental. A complexidade dos eventos associados à problemática ambiental impõe a necessidade de diálogo entre ciência, gestores e sociedade, em virtude da emergência de fenômenos que representam ameaças globais, em um cenário que Ulrich Beck (2010) define como sociedade de risco. Neste sentido, coloca-se a necessidade de aprofundar o debate de temas que têm, nos diferentes tipos de incerteza, a possibilidade de multiplicar conhecimentos e diálogos e construir um olhar mais apropriado para lidar com estas questões prementes."
"Nesta publicação, destaca-se mais uma vez, a preocupação do PROCAM de apresentar resultados de pesquisa desde uma perspectiva interdisciplinar. No conjunto de artigos aqui apresentados, enfatizase a importância dos processos sociais que determinam as formas de apropriação da natureza e suas transformações, através da participação social na gestão dos recursos ambientais em suas múltiplas manifestações, seja em políticas públicas, assim como nas práticas dos diversos atores sociais."

"No artigo “A pesca de marcação nos mares da Enseada do Flamengo, Ubatuba, São Paulo”, de Peter Santos Németh e Antonio Carlos Sant’ana Diegues, abordam-se as técnicas e conhecimentos relativos à pesca de marcação nos territórios marítimos tradicionais utilizados pela comunidade de pescadores artesanais da Praia da Enseada, na Enseada do Flamengo em Ubatuba, litoral norte do Estado de São Paulo. Concluiu-se que a atual regulação pesqueira, federal ou estadual, é feita “de cima para baixo”, ignorando deliberadamente as peculiaridades locais e os processos e mecanismos pelos quais os pescadores estabelecem, mantêm e defendem o usufruto ou a posse de espaços marítimos, atropelando as regras tradicionais baseadas no direito consuetudinário, e afetando sua liberdade e autonomia."

Fonte: Caminhos do conhecimento em interdisciplinaridade e meio ambiente / Pedro Roberto Jacobi / Paulo Antonio de Almeida Sinisgalli (organizadores) – São Paulo: IEE-USP e PROCAM-USP, 2018. 1ª Edição. 419 páginas.  ISBN 978-85-86923-55-5


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

MEXILHÕES MORREM COM ALTA TEMPERATURA DO MAR EM UBATUBA

Infelizmente é triste a notícia.
Com as altas temperaturas da água do mar em Ubatuba - SP, diversos produtores estão amargando um grande prejuízo com a mortalidade de seus mariscos.
O mexilhão não suporta a água muito quente e por volta dos 31 graus celsius eles começam a morrer.
Produtores locai estão perdendo sua produção.
Na região da Praia da Lagoinha a perda praticamente total, na Enseada ainda sobraram alguns.
Na Barra Seca sobraram apenas alguns dos mariscos juvenis.
No Itaguá foi registrada a temperatura de 29º C. em 31 de janeiro de 2019.
A última vez que tal evento havia ocorrido foi no verão do ano de 2010, quando a perda da safra foi quase total em Ubatuba.
MEXILHÕES DE UBATUBA: foto Peter Németh
O sapinhauá também morreu. Foto: Roberto Ferrero, Enseada, fev de 2019.
PRAIA DA COCANHA EM CARAGUÁ TAMBÉM HOUVE MORTANDADE
(Relato de José Luiz Alves, pesquisador e maricultor local)
"Bom dia, na Cocanha também morreram os mexilhões .
Aqui a diferença está sendo o sistema de semeadura e densidade.
Tem um maricultor que utiliza o sistema francês e o tamanho da rede é de 1,5 m, por ser curta ele fez com uma densidade alta. Esse maricultor teve mais de 50 % de mexilhões mortos nas redes.
Também alguns lançam os coletores para a captação de sementes, e só colhem no tamanho comercial.
 Essas duas situações que citei tem uma grande concentração de mexilhões e isso está favorecendo a mortandade.
No caso de quem trabalha no sistema espanhol e com uma densidade mais baixa (250 a 300 por metro), teve uma perda mais ou menos de 11,5% nas cordas.
Domingo eu tirei 39.5 kg de mexilhões. 114 mexilhões vieram mortos na corda. Naquele dia 25 mexilhões por quilo.4,6 kg de mexilhões mortos.
Podemos considerar alguns que morreram e desprenderam da corda. 
Mas se for comparar com os colegas. De todo jeito a situação está critica."

CAUSAS DE UM JANEIRO DOS MAIS QUENTES EM 76 ANOS (por CLIMATEMPO):
"O calor intenso e persistente que se sente em São Paulo neste janeiro de 2019 é resultado de uma combinação de fatores. Ainda que um novo episódio do fenômeno El Niño esteja quase configurado, desta vez não pode ser tecnicamente culpado pelo calorão paulistano.

A situação atual é parecida com a que foi observada no verão de 2014, quando uma circulação de ventos atípica predominou por mais de 30 dias sobre o país mantendo as frentes frias afastadas do litoral paulista.

Em dezembro de 2018, água do mar no meio do oceano Atlântico, ao largo da costa da Região Sudeste, estava mais fria do que o normal. Isto permitiu que o sistema de Alta Pressão Subtropical do Atlântico Sul (ASAS) ficasse mais próximo do litoral da Região Sudeste em janeiro de 2019. Qualquer sistema de alta pressão atmosférica inibe a formação, a expansão e permanência das grandes áreas de instabilidade que provocam chuva generalizada. Menos nuvens, mais sol e mais calor!

A presença do sistema de ASAS afasta as frentes frias. O ar frio de origem polar passa longe do litoral paulista e não consegue chegar a São Paulo. É o vento quente, que vem das regiões tropicais do país, que tem predominado sobre a capital paulista desde o início do ano.

Do outro lado do continente, na costa sul do Chile, a água do oceano Pacífico e está mais fria do que o normal. Esta é outra situação atípica que está desviando as frentes frias, que não conseguem avançar com força sobre a Argentina." fonte: https://www.climatempo.com.br/noticia/2019/01/25/sao-paulo-vive-um-dos-meses-mais-quentes-em-76-anos-1497

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

João Batista o "Ico Paru" pescador e maricultor da Enseada

João Batista, o "Ico" é filho do João Paru e da Dona Antônia. Nascido e criado na costeira do Morro do Espia no cantinho leste da Praia da Enseada em Ubatuba. Na Ponta do Espia o pai dele tinha roça e ele cresceu cuidando da roça e pescando com o pai e os irmãos.
João Batista, o Ico (12) 9 9151- 6633. Foto: Peter Santos Németh, Praia da Enseada.
Aliás a Turma do Paru sempre trabalhou muito forte junta.
Hoje o Ico também trabalha na sua fazenda marinha cultivando mexilhões Perna perna também conhecido como marisco de pedra.
Ele é o maior produtor da Praia da Enseada e cultiva artesanalmente com a ajuda da esposa que também ajuda nas vendas na pequena peixaria que montaram em casa.
São 5 produtores na Enseada e os cultivos ficam bem longe da areia da praia, na costeira do Morro do Espia, garantindo mais qualidade aos mariscos.
Depois de recolher as "cordas de marisco" ele pacientemente debulha e lava as conchas uma por uma até que fiquem prontas para irem pra a panela.
O Ico aprendeu a trabalhar com cultivo de marisco desde os anos 1980 quando a Enseada possuía uma grande fazenda marinha conduzida pelo Dino Garnier que chegou a produzir 150 toneladas de mexilhões por ano.
Aliás a Enseada tem uma tradição em cultivo de mexilhão desde o ano de 1968, quando o Sr. Enrique Casalderrey e o Sr. Roberto Prochaska fizeram a primeira balsa de cultivo de mexilhões, inspirada nas famosas bateas galegas de Villa Garcia de Arosa, na Espanha, terra natal do Sr. Enrique cujo pai presidiu a associação de produtores de mexilhão local. Mas isso é tema para outra história que estou documentando para uma publicação futura.
Enrique Casalderrey e (provavelmente) a primeira balsa do Brasil. Foto: Roberto Prochaska.
Sr, Roberto Prochaska com a balsa produzindo na Ilha Anchieta. Foto Roberto Prochaska

Batea de Villa Garcia de Arosa. Foto: Arquivo pessoal de Enrique Casalderrey.  
Produtores de Villa Garcia de Arosa, Galicia, Espanha: Foto: Arquivo pessoal de Enrique Casalderrey

Pra quem quiser comprar mexilhões de cultivo artesanal pode ligar para o João no telefone: (12) 9 9151- 6633 e encomendar mariscos vivos, direto do produtor. Os mais frescos possível, pois são colhidos e vendidos no mesmo dia.
Essas fotos foi ele mesmo quem tirou dia 21 de janeiro de 2019 durante uma manhã de trabalho:







sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Balneabilidade na Praia da Enseada em Ubatuba

Janeiro de 2019, Praia da Enseada - Ubatuba - SP

Este verão tem sido muito intenso em Ubatuba, o calor está beirando o insuportável, a Praia da Enseada esteve lotada como há pelo menos uns 10 anos não vejo e o mar é (ou seria) uma ótima opção para relaxar e refrescar. Seria...
Como já denunciei várias vezes aqui (2018/01/deu-merda-no-emissario-da-enseada) nada continua sendo feito com o esgoto da Enseada, absolutamente nada.
Pior do que isso, é que mesmo denunciando, avisando pessoalmente os banhistas in loco, este verão o pior aconteceu. Parentes e conhecidos da praia que possuem residência próximas ao vazamento adquiriram infecções de pele que evoluíram gravemente. Completando essa situação, a procura por atendimento médico em Ubatuba é um verdadeiro caos. Atravessar a Praia Grande, dependendo do horário, pode levar até 2 horas, e conseguir ser atendido na Santa Casa pode demorar outras 2. Os Postinhos da Maranduba e Saco da Ribeira ajudam, mas os diagnósticos de um para outro variaram de picada de mosquito agravada por areia e mar sujo, catapora e impetigo. Foi receitado de pomada a antibiótico.

Peço desculpas se as fotos a seguir são chocantes, mas a situação pede que a verdade nua e crua seja mostrada. São fotos de um adulto e duas crianças, uma de 3 anos e outra de 9 que se banharam no mar próximo ao emissário da Praia da Enseada em Ubatuba.





quinta-feira, 15 de novembro de 2018

"O PULEIRO"


O PULEIRO

SÓ LEMBRA QUE TEM O POBRE,
NA OCASIÃO DA ELEIÇÃO,
DEPOIS QUE TÁ NO PULEIRO,
NÃO LEMBRA QUEM TÁ NO CHÃO.

Quadrinha transmitida por Nelson de Góis na véspera da eleição de 2018. O blá blá do político continua o mesmo década após década.


quinta-feira, 5 de abril de 2018

segunda-feira, 19 de março de 2018

Decifrando Francisco Alves da Silva, "84 e 6 mês". Serra Baile.

Serra Baile

Bão então agora eu vô falá, nasci no estado do Rio me criei já no estado de São Paulo, mais aqui pro litoral. Idade, Francisco Alves da Silva, 84 e 6 mês.

Eu fui aquele que andei
Eu fui aquele que andei
60 légua num dia
60 légua num dia

Para ver se breganhava
Para ver se breganhava
Tristeza com alegria
Tristeza com alegria

Trabalha do Ubatuba, de Santos, São Sebastião
Eu vô comprá um pouco de barro
Pra fazer o meu boião

Dá-me um beijo que eu dô 2
Dá-me um beijo que eu dô 2
Dá-me 2 que eu dô 200
Dá-me 2 que eu dô 200

Me dais 210
Me dais 210
Que eu dô 1.400
Que eu dô 1.400

Trabalha do Ubatuba, de Santos, São Sebastião
Eu vô comprá um pouco de barro
Pra fazer o meu boião

Santo Antônio de Lisboa
Santo Antônio de Lisboa
Foi serrado com serrote
Foi serrado com serrote

Mulhé tem força na língua
Mulhé tem força na língua
Que nem boi tem no cangote
Que nem boi tem no cangote

Trabalha do Ubatuba, de Santos, São Sebastião
Eu vô comprá um pouco de barro
Pra fazer o meu boião

A viola não diz nada
A viola não diz nada
Pela bulha do pandeiro
Pela bulha do pandeiro

Eu não sô padre vigário
Eu não sô padre vigário
Não diz missa sem dinheiro
Não diz missa sem dinheiro

Trabalha do Ubatuba, de Santos, São Sebastião
Eu vô comprá um pouco de barro
Pra fazer o meu boião

Eu vô dá por despedida
Eu vô dá por despedida 
Que eu agora não canto mais
Que eu agora não canto mais

Vou fazer a minha casa
Vou fazer a minha casa
Entre suspiros e ais
Entre suspiros e ais

Trabalha do Ubatuba, de Santos, São Sebastião
Eu vô comprá um pouco de barro
Pra fazer o meu boião

TONTA:

sábado, 30 de setembro de 2017

Canoa RIFA entrando na linha

Chegou a vez da Canoa RIFA passar por uma reformazinha. Colocar pedaços onde está "pijuca", alargar a boca para deixar o bordo retinho, trocar os bancos e acertar a linha da "táboa do fundo". Depois de 10 anos de feita pelo Mestre Renato Bueno essa canoa de guapuruvu merece um tratamento especial. 
Fotos e trabalho de reparo por Peter Santos Németh, Praia da Enseada, julho de 2017.









 


terça-feira, 22 de agosto de 2017

Pegadeira de Lula, Ubatuba março de 2004.

Alguém se lembra da pegadeira de lula que ocorreu em março de 2004 nos arredores da Ilha Rapada em Ubatuba - SP?
Pois foi uma ocorrência realmente incrível. Chegamos a capturar 10 quilos de lulas por hora, por pescador. Não era possível pescar com 3 linhas, mal dávamos conta de manejar 2, tal a velocidade das ferradas. Parávamos para guardar as lulas no gelo apenas quando elas começavam a atingir a altura das nossas canelas, o que dificultava nosso deslocamento no convés.
Durante a noite, o mar parecia uma cidade com tantas luzes de barcos acesas. Foi também o primeiro teste do Brazuca após sua reforma. Eu o James e o Lagarto capturamos mais de 300 quilos em cerca de uma noite e meio dia de pescaria. Até hoje, passados 13 anos, o fenômeno da pegadeira de lula nunca mais se repetiu na região.
O Élvio Damásio chegou a registrar oficialmente a captura de 400 toneladas de lulas no Mercado de Peixes durante os 3 meses de pegadeira, fora as lanchas de turistas, canoazinhas e barquinhos como o meu, que não registraram suas capturas.
Estão aí as fotos que eu tirei para comprovar.

Esta foi somente a minha parte, um terço, fora o que demos na praia. 

Brazuca saindo para rever o mar.












domingo, 9 de julho de 2017

Canoa Caiçara de "4 paus" é Zap... Truco!

O mestre canoeiro Renato Bueno de Ubatuba demonstrando toda sua criatividade e técnica ao restaurar esta canoa caiçara que estava com o fundo comprometido. Esta canoa veio de Paúba, São Sebastião. Cortou-a ao meio longitudinalmente e inseriu uma nova prancha no fundo, uma proa com garra e sobreproa em peça única e um espelho de popa para instalação de motor de popa. A canoa restaurada voltou navegando até Paúba com um motor de 25 hp. Veja as fotos.









terça-feira, 21 de março de 2017

A ineficiente regulação do Estado e a questão do "Respeito".

O trecho que reproduzo a seguir é o item 5 da dissertação de mestrado que concluí no ano de 2016. Trazendo para o debate os vários pontos que precisam ser discutidos de forma honesta e realista para viabilizar a gestão eficaz e com justiça social do território costeiro do litoral norte de São Paulo.

5- CONSIDERAÇÕES FINAIS 
A complexidade do universo abordado por esta dissertação e a limitada formação deste pesquisador não permitiram que nossa investigação esgotasse o tema, mesmo em se tratando dos aspectos relativos à atuação de poucos pescadores sobre um território próprio tão específico.
Uma característica interessante do território pesquisado é que ele representa um microcosmo reunindo todas as características especiais necessárias para o desenvolvimento de pesquisas científicas, sobre as principais atividades causadoras dos impactos ambientais mais expressivos que hoje ocorrem em todo o litoral norte de São Paulo e os potenciais conflitos socioecológicos advindos destas atividades. Por exemplo, existem ao redor da Enseada do Flamengo:
1- um emissário submarino, operado irregularmente pela SABESP há mais de 30 anos, despejando esgoto e cloro diuturnamente a apenas 70 metros da areia da praia;
2- uma das maiores concentrações de leitos para aluguel de temporada de Ubatuba, quiosques e restaurantes, com baixíssimo índice de coleta e tratamento de esgoto;
3- o maior polo náutico da região com dezenas de marinas e garagens náuticas, causando o tráfego intenso de centenas de embarcações dentro de “UCs” federais e estaduais;
4- ainda, uma última península verde, o Morro da Ponta do Espia, local de antigas roças comunitárias e casinhas caiçaras; muitos pesqueiros tradicionais, ruínas, pomares ancestrais, fontes, olhos d’água, riachos e “praias virgens”. Este morro constitui zona de amortecimento por fazer “divisa” com o Parque Estadual da Ilha Anchieta e com a Estação Ecológica Tupinambás, no entanto, está hoje prestes a se tornar mais um resort de luxo, condomínio fechado para deleite do lobby especulativo imobiliário local;
5- uma “área preferencial” aquícola com várias fazendas marinhas familiares de baixo impacto (2 mil m², sem a utilização de arraçoamento), que contribuem para atrair, abrigar e fomentar a reprodução e dispersão (spill out) de uma grande variedade de organismos marinhos que nestes cultivos ocorrem naturalmente;
6- uma base de operações do Instituto Oceanográfico da USP, um centro de excelência em pesquisa marinha;
7- e desde 2004, uma associação de pescadores e maricultores locais, a Associação Pescadores da Enseada (APE), que costuma fazer a ponte de ligação entre pesquisadores e a comunidade tradicional local, facilitando muito o contato inicial para a troca de informações e desenvolvimento de pesquisas de campo.
Isto posto, concluímos que a gradativa perda dos valores tradicionais que garantem através do “segredo” o acesso restrito e controlado aos pesqueiros e seus recursos, somada à ingerência ou à incapacidade técnica e operacional dos órgãos governamentais responsáveis pela gestão e regulação destes recursos naturais, pode levar ao que Hardin chamou de A tragédia dos comuns. Desse modo, quando o espaço-recurso que é de todos, passa a ser de ninguém, pela ausência de mecanismos externos oficiais ou tradicionais de regulação, desde que ambos fundamentados no “respeito”, passa a imperar o estado de anomia, do “se eu não matar, outro vem e mata[1], processo que acelera a degradação do recurso pesqueiro e a falência dos valores comunitários locais.    
Portanto, havendo comprovação sob a ótica do direito consuetudinário de prática tradicional reiterada e constante dentro desses territórios pesqueiros estudados, automaticamente estará identificado o PHT que atesta ser esta, e não outra comunidade caiçara, a ancestral possuidora do “direito real de uso” e gestão desses espaços geográficos específicos, imprescindíveis para a reprodução material, simbólica e sociocultural do próprio grupo de pescadores locais.
Observando os temas relacionados nesse estudo e nos debruçando sobre a análise dos autores consultados e dos dados de campo obtidos, percebemos a importância que a noção do “respeito” ocupa dentro do sistema sociocultural das comunidades tradicionais de pescadores artesanais costeiros. Podemos notar que a principal regra tácita do “respeito” adotada na região estudada é a de “chegar primeiro”.
Também outra condição essencial para que um pescador alcance o “respeito” recíproco atingindo a posição de “mestre” dentro da hierarquia social e simbólica da comunidade é o grau de conhecimento, ou o saber-fazer próprio acumulado acerca dos territórios pesqueiros; das artes de pesca; do habitat das espécies recorrentes; das épocas de safra; da previsão meteorológica do Tempo; de sua capacidade pessoal física e artística, além da facilidade didática em retransmitir esses conhecimentos tradicionais para os aprendizes. Esse corpo de saberes, repositório de habilidades especiais ou “mestrança”, podem ser examinados, avaliados e aprovados socialmente pela prática da faina pesqueira diária e pelo sucesso das pescarias.
Como visto anteriormente, os mestres por sua autoridade coletivamente reconhecida são os naturais detentores do PHT que comporta todo o regramento cultural responsável pela construção, interpretação, gestão, manejo e uso dos territórios pesqueiros da própria comunidade local.
Desse modo obtemos pistas que indicam o porquê das instituições governamentais falharem em alcançar o “respeito” e a confiança dessas comunidades.
O motivo básico fundamental da desconfiança e da não ratificação do sistema formal de gestão ambiental-pesqueira por parte dos pescadores tradicionais locais é que este sistema desrespeita diretamente as duas regras chave que estão arraigadas basilarmente no código informal do respeito (o dos pescadores), atropelando o PHT local que regulamenta o usufruto dos seus territórios pesqueiros.
Portanto:
1- As instituições governamentais formais falham, por não considerar a regra do chegar primeiro, pois a comunidade tradicional está ligada àquele território por séculos e o “meio ambiente[2] com seu regramento alienígena surgiu apenas recentemente;
2- Os legisladores falham, por instituir um processo arbitrário de tomada de decisões, construído e politicamente barganhado em gabinetes, que não respeita a autoridade comunitária da mestrança e o grau de conhecimento que os mestres detêm sobre o uso do ambiente natural local e as especificidades próprias de cada território pesqueiro. Valorizando critérios ecológicos e político-econômicos da sociedade urbano-industrial e desvalorizando o PHT local.
Assim, a esfera governamental, através de seus analistas ambientais tecnocratas tenta, em vão, reduzir a diversidade fluída e volúvel do mar e seus recursos inconstantes a um regramento denominador comum universal. Os instrumentos normativos, tais como: leis, decretos, resoluções e portarias não dão conta de policiar todo o espectro de variáveis relacionadas ao uso do ambiente marinho. Essa é uma habilidade somente reservada aos mestres pescadores que estão ligados material e simbolicamente a um território pesqueiro local, particular e específico, transmitido socioculturalmente de geração em geração.
Existe um abismo entre visões de mundo diversas, na busca de um novo horizonte político-científico que dê conta da complexidade das urgentes questões socioambientais planetárias que se colocam para a humanidade.
Até agora, apesar dos inúmeros sinais de catástrofes socioambientais iminentes, a única certeza político-científica validada é a da incerteza ampla e generalizada sobre qual rumo devemos tomar. O paradigma científico mainstream atual, ainda incapaz de apontar um novo rumo claro e certo que liberte a própria ciência do círculo vicioso epistêmico positivista em que ela mesma se colocou, precisa considerar a validade de outras formas de saber que também se comprovam eficazes. Incorporando assim outras formas de também produzir ciência de modo empírico, e sofisticado, não pela teoria, mas por sua prática histórica permanente e ancestralmente continuada através dos tempos.
Desse modo, o saber-fazer constituinte do PHT pode contribuir ao menos para orientar em qual direção e sentido deva o conhecimento político-científico “normal” caminhar para superar a atual crise de não resposta acerca das interações homem-natureza.
Seria esta a implementação de um novo ethos político-científico capaz de ampliar o alcance da gestão governamental: integrando diferentes modos de percepção do mundo ao nosso redor ao respeitar a autonomia dos pescadores locais na aplicação do patrimônio cultural pesqueiro dessas comunidades, ao seu próprio território marítimo de origem, em consonância com os objetivos de conservação socioambiental do Parque Estadual da Ilha Anchieta[3], da APA Marinha do LN, do SNUC e da Resolução 169 da OIT.
Nosso trabalho demonstra a dificuldade extrema dos órgãos oficiais responsáveis pela fiscalização e gestão dos recursos pesqueiros em: conhecer, reconhecer e legislar sobre a diversidade de artes de pesca, técnicas e petrechos desenvolvidos e adaptados localmente de acordo com as peculiaridades de cada espécie alvo e cada ambiente marinho. Também se mostrando incapazes em enxergarem o “mundo” através da cultura local dos pescadores artesanais caiçaras.
O que prevalece no universo da “política de Estado” para o “meio-ambiente”, são sempre os interesses do capital econômico especulativo dissimulado e/ou disfarçado com a utilização de técnicas de “marketing verde” (greenwashing), usurpando conceitos científicos “ambientalistas” em causa própria. A finalidade dessa estratégia é obter o apoio da “opinião pública” para seus “empreendimentos turísticos”, condomínios e marinas “sustentáveis”[4] que gerariam “oportunidades de emprego e renda” aos pescadores e suas famílias. Estes, assim, poderiam “parar de devastar os peixes” abrindo mão de seus territórios pesqueiros para o “mergulho contemplativo” ou para a indústria da piscicultura.  É esse o discurso retórico “sustentável” especulativo padrão, que hoje domina os “fóruns” do litoral norte paulista.
Não obstante essa associação entre Estado e capital econômico, o processo de construção de políticas públicas através de normas de comando e controle, que é fruto do embate das ideias tentando apreender ou moldar a dimensão física material, de acordo com interesses político-econômicos, é, em sua essência, antagônico ao processo de construção do regramento tácito das populações tradicionais.
Na estruturação do trabalho e do manejo nos pesqueiros, é a natureza material dos espaços, com seus ritmos, ciclos, surpresas e geografia peculiares, quem molda as “leis do respeito”, dentro de uma tradição cultural local resiliente, o PHT.Desse modo, o saber-fazer tradicional está em consonância com o plano material bio-geofísico em que se insere, num processo análogo ao científico de constante avaliação, corroboração, adaptação e revalidação do conhecimento pesqueiro local.
Portanto, qualquer tentativa de gestão sobre essas culturas-territórios-ambientes que não “respeite” as dimensões materiais e simbólicas da população local, seus saberes, técnicas e tipologias de pesca, reconhecendo a sua capacidade de gerência eficaz do ambiente natural em que estão propriamente inseridas, contribui para a construção de uma política pública natimorta. Impossível de ser posta em prática, ou absorvida pelo PHT, devido a sua original ininteligibilidade ao “espírito caiçara”. Trata-se da institucionalização oficial do epistemicídio.
Assim, o máximo de concretude que estas regras alienígenas alcançam é a de uma simples folha de papel amarelada pelo tempo, esquecida em um fundo de gaveta qualquer.
Ou, se for mais nobre seu destino, uma página do “Diário Oficial” que embrulha a garoupa de linha vendida por um pescador caiçara do lugá, no banco da sua canoa.
A cultura caiçara resiste.

Foto: Peter Santos Németh, Praia da Enseada, setembro de 2006


[1] Comunicação pessoal do mestre Antenor dos Santos, Praia da Enseada, 2004.
[2] Denominação genérica, comum entre os caiçaras, de tudo que envolve questões ou instituições governamentais de regulamento e gestão das áreas naturais.
[3] Principalmente do Plano de Manejo do PEIA de 1989 e das oficinas do Conselho Gestor do PEIA de 2008.
[4] Seria este o caso de: proporcionar para a geração atual a oportunidade de desfrutar residências de alto padrão dentro de resorts de luxo envoltos pela mata atlântica e com direito a garagens náuticas, sem comprometer a capacidade dos futuros herdeiros de também possuírem suas mansões na floresta e ancoradouros para seus iates?