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sábado, 30 de setembro de 2017

Canoa RIFA entrando na linha

Chegou a vez da Canoa RIFA passar por uma reformazinha. Colocar pedaços onde está "pijuca", alargar a boca para deixar o bordo retinho, trocar os bancos e acertar a linha da "táboa do fundo". Depois de 10 anos de feita pelo Mestre Renato Bueno essa canoa de guapuruvu merece um tratamento especial. 
Fotos e trabalho de reparo por Peter Santos Németh, Praia da Enseada, julho de 2017.









 


sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A SALVAGUARDA DA ARTE DE FAZER UMA CANOA CAIÇARA

Entre os tópicos do processo de registro da Canoa Caiçara como patrimônio cultural do Brasil, está a salvaguarda do bem.
Diretrizes do Ministério da Cultura: "a ação de salvaguarda tem por objetivo identificar e documentar os saberes e modos de fazer que constituem patrimônio cultural brasileiro, democratizar o acesso e promover o uso sustentável desse patrimônio para as gerações futuras e para a melhoria das condições de vida de seus produtores e detentores. Além de desenvolver as bases legais, administrativas, técnicas, tecnológicas e políticas da preservação dessa dimensão do patrimônio cultural, contribuir para a garantia das condições sócio-ambientais necessárias à produção, reprodução e transmissão de bens culturais de natureza imaterial, desenvolver as bases institucionais, conceituais e técnicas do reconhecimento e valorização da dimensão imaterial do patrimônio cultural e promover a defesa de direitos associados aos bens culturais de natureza imaterial, em especial os direitos de imagem e de propriedade intelectual de populações tradicionais e detentores desse patrimônio."
Conforme destaquei no Dossiê, a iniciativa da Sectur de São Sebastião, litoral norte de São Paulo, tem sido até agora uma das mais eficientes no sentido explícito do que preconiza uma ação de salvaguarda.
Parabenizo o Mestre Raimundinho, a Sectur, a Defesa Civil de são Sebastião e peço permissão para reproduzir a matéria abaixo.

Defesa Civil recolhe árvores Guapuruvu e repassa para as oficinas culturais da Sectur

São Sebastião, sexta-feira, 9 de agosto de 2013
Luciano Vieira | PMSS
Troncos serão usados na confecção de canoas pelo artesão Raimundinho
Troncos serão utilizados na confecção de canoas caiçaras pelo artesão Raimundinho
Após os fortes ventos que passaram pela Costa Sul na última semana, vários exemplares de Guapuruvu foram derrubadas no sertão do Una, em Barra do Una.
Muito usada na confecção de canoas caiçaras, três troncos foram cortados por agentes da Defesa Civil e transportados até a Secretaria de Turismo e Cultura.
O assessor cultural e artesão Raimundo Rafael Filho, o Raimundinho, fará a feitura das canoas que depois de pronta, serão repassadas por sorteio para algum caiçara local que deterá o poder da canoa por um período e depois a repassará para outro caiçara e assim, sucessivamente.
Até o momento, os três troncos do Guapuruvu estão próximos ao CIT (Centro de Informações Turísticas) na Rua da Praia. Posteriormente os mesmos serão destinados a outros locais. Um deles seguirá para o Batuíra, outro para a EM Topolândia, e a outra ficará no próprio CIT.
A ideia é manter a tradição da feitura de canoa caiçara e repassar para as novas gerações essa arte.
(CH/RF)
Fonte: Depto de Comunicação
http://www.saosebastiao.sp.gov.br/finaltemp/news.asp?id=N982013111249

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Pau de Canoa

Em “Concurso literário Ubatuba 2008 - Antologia, poesia, conto, teatro” editado pela Fundart, no conto “Pau de canoa” de Edgard O. C. Prochaska, página 60, percebemos a importância simbólica da canoa dentro do universo mítico do caiçara:

Mais abaixo um pouco, para os lados do riacho que escorria rumo ao grotão, a claridade desenhou aos olhos de Fabiano a visão de uma grande canoa que flutuava silenciosa por entre a bruma da manhã. Fabiano ficou meio aturdido com aquela aparição, mas era homem de coragem e não dado a espantar-se com coisa pouca. Atirou de lado a capa pra acordar de vez, esfregou os olhos e apanhou do chão o picuá onde, decerto ainda haveria um resto de farofa e um golpinho de café na garrafa arrolhada.
Religioso à sua maneira de ser, sentiu ter recebido um sinal mandado de Deus. Era um pau de canoa perfeito, reto e sem falhas, casualmente poupado pelo machado ou pelo fogo, pelas avalanches ocasionais ou pelos relâmpagos das tempestades que, às vezes, varriam a serra do mar.
...Fabiano respeitava a natureza como se respeita a uma mãe, decerto pelo próprio caráter dele ou por sentimento de proteção às coisas vivas que nos cercam. Sabia que para fazer a canoa, teria de matar a árvore e outro jequitibá igual aquele dificilmente iria aparecer nas próxima gerações. Então ajoelhou-se ao pé do tronco e fez uma reza pedindo perdão ao espírito da floresta e ao jequitibá, pelo que sabia ser necessário fazer. Em seguida ajeitou o facão e gravou com a ponta do metal suas iniciais em três locais diferentes, marcando o tronco e reservando-o como sua propriedade para pau de canoa. Ao terminar a última marca, uma grande gota de resina escapou do talho e tomou a forma de lágrima, enquanto que uma lágrima também escorreu do olho de Fabiano. Dizem mesmo os antigos que conheciam o fato que, naquele momento, criou-se um elo mágico e por isso mesmo aquela canoa seria encantada.”     
foto: Peter Santos Németh