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quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

João Batista o "Ico Paru" pescador e maricultor da Enseada

João Batista, o "Ico" é filho do João Paru e da Dona Antônia. Nascido e criado na costeira do Morro do Espia no cantinho leste da Praia da Enseada em Ubatuba. Na Ponta do Espia o pai dele tinha roça e ele cresceu cuidando da roça e pescando com o pai e os irmãos.
João Batista, o Ico (12) 9 9151- 6633. Foto: Peter Santos Németh, Praia da Enseada.
Aliás a Turma do Paru sempre trabalhou muito forte junta.
Hoje o Ico também trabalha na sua fazenda marinha cultivando mexilhões Perna perna também conhecido como marisco de pedra.
Ele é o maior produtor da Praia da Enseada e cultiva artesanalmente com a ajuda da esposa que também ajuda nas vendas na pequena peixaria que montaram em casa.
São 5 produtores na Enseada e os cultivos ficam bem longe da areia da praia, na costeira do Morro do Espia, garantindo mais qualidade aos mariscos.
Depois de recolher as "cordas de marisco" ele pacientemente debulha e lava as conchas uma por uma até que fiquem prontas para irem pra a panela.
O Ico aprendeu a trabalhar com cultivo de marisco desde os anos 1980 quando a Enseada possuía uma grande fazenda marinha conduzida pelo Dino Garnier que chegou a produzir 150 toneladas de mexilhões por ano.
Aliás a Enseada tem uma tradição em cultivo de mexilhão desde o ano de 1968, quando o Sr. Enrique Casalderrey e o Sr. Roberto Prochaska fizeram a primeira balsa de cultivo de mexilhões, inspirada nas famosas bateas galegas de Villa Garcia de Arosa, na Espanha, terra natal do Sr. Enrique cujo pai presidiu a associação de produtores de mexilhão local. Mas isso é tema para outra história que estou documentando para uma publicação futura.
Enrique Casalderrey e (provavelmente) a primeira balsa do Brasil. Foto: Roberto Prochaska.
Sr, Roberto Prochaska com a balsa produzindo na Ilha Anchieta. Foto Roberto Prochaska

Batea de Villa Garcia de Arosa. Foto: Arquivo pessoal de Enrique Casalderrey.  
Produtores de Villa Garcia de Arosa, Galicia, Espanha: Foto: Arquivo pessoal de Enrique Casalderrey

Pra quem quiser comprar mexilhões de cultivo artesanal pode ligar para o João no telefone: (12) 9 9151- 6633 e encomendar mariscos vivos, direto do produtor. Os mais frescos possível, pois são colhidos e vendidos no mesmo dia.
Essas fotos foi ele mesmo quem tirou dia 21 de janeiro de 2019 durante uma manhã de trabalho:







sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Balneabilidade na Praia da Enseada em Ubatuba

Janeiro de 2019, Praia da Enseada - Ubatuba - SP

Este verão tem sido muito intenso em Ubatuba, o calor está beirando o insuportável, a Praia da Enseada esteve lotada como há pelo menos uns 10 anos não vejo e o mar é (ou seria) uma ótima opção para relaxar e refrescar. Seria...
Como já denunciei várias vezes aqui (2018/01/deu-merda-no-emissario-da-enseada) nada continua sendo feito com o esgoto da Enseada, absolutamente nada.
Pior do que isso, é que mesmo denunciando, avisando pessoalmente os banhistas in loco, este verão o pior aconteceu. Parentes e conhecidos da praia que possuem residência próximas ao vazamento adquiriram infecções de pele que evoluíram gravemente. Completando essa situação, a procura por atendimento médico em Ubatuba é um verdadeiro caos. Atravessar a Praia Grande, dependendo do horário, pode levar até 2 horas, e conseguir ser atendido na Santa Casa pode demorar outras 2. Os Postinhos da Maranduba e Saco da Ribeira ajudam, mas os diagnósticos de um para outro variaram de picada de mosquito agravada por areia e mar sujo, catapora e impetigo. Foi receitado de pomada a antibiótico.

Peço desculpas se as fotos a seguir são chocantes, mas a situação pede que a verdade nua e crua seja mostrada. São fotos de um adulto e duas crianças, uma de 3 anos e outra de 9 que se banharam no mar próximo ao emissário da Praia da Enseada em Ubatuba.





quinta-feira, 15 de novembro de 2018

"O PULEIRO"


O PULEIRO

SÓ LEMBRA QUE TEM O POBRE,
NA OCASIÃO DA ELEIÇÃO,
DEPOIS QUE TÁ NO PULEIRO,
NÃO LEMBRA QUEM TÁ NO CHÃO.

Quadrinha transmitida por Nelson de Góis na véspera da eleição de 2018. O blá blá do político continua o mesmo década após década.


quarta-feira, 7 de março de 2018

Projeto Registro da Canoa Caiçara - 2018

Logo oficial do Projeto de Registro. Arte: Peter santos Németh 2018.

Amigos da Canoa Caiçara apresentamos o novo logo do Projeto Registro dos Saberes associados a Canoa Caiçara. O Projeto atualmente está sediado no NUPAUB-USP dentro do Projeto Embarcações Tradicionais do Brasil.
Nosso logo foi inspirado em uma placa de "trânsito" utilizada na Praia da Enseada em Ubatuba desde o ano de 2005 no Rancho Meu Chamêgo, para sinalizar aos turistas que naquele local é proibido estacionar pois é local de manejo tradicional da Canoa Caiçara.

Placa original. Foto: Peter Santos Németh - 2005.

Foto do local de manejo tradicional, percebam a semelhança com o logo. Foto: Peter Santos Németh - 2005.
Nossa ideia é que este logo além de identificar o Projeto e a equipe do Registro, também identifique os locais de manejo tradicional da Canoa Caiçara, assim como na Praia da Enseada.
Assim, os interessados em reproduzir nossa placa receberão a arte do logo para confeccionarem sua própria sinalização local.

sábado, 4 de março de 2017

A PESCA DE TRÓIA EM UBATUBA-SÃO PAULO

SUBSÍDIOS PARA O PLANO DE GESTÃO PARA O USO SUSTENTÁVEL DA TAINHA, NO BRASIL.

Autores:
Peter Santos Németh e Antonio Carlos Sant'Ana Diegues

Resumo:
O presente estudo etnográfico procura caracterizar a arte de pesca denominada pesca de tróia e os petrechos utilizados nesse tipo de técnica pesqueira tradicional, em Ubatuba. A pesca de tainhas e paratis (Família Mugilidae) é de grande valor socioeconômico e seus primeiros registros no litoral sudeste brasileiro datam de meados do século XVI. Ainda hoje, a pesca de tróia é praticada em diversas comunidades locais do litoral norte de São Paulo. Culturalmente, essa técnica de pesca é de extrema importância para a transmissão dos saberes tradicionais relacionados às artes de pesca praticadas em canoas à remo e uma das principais responsáveis pela manutenção do patrimônio cultural pesqueiro caiçara.

TEXTO COMPLETO

Este artigo derivou da dissertação de mestrado entitulada:
A tradição pesqueira caiçara dos mares da Ilha Anchieta: a interdição dos territórios pesqueiros ancestrais e a reprodução sociocultural local
Praia da Enseada final dos anos 1940. Foto: Paulo Florençano

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

A Biblioteca Municipal Ateneu Ubatubense já tem.

Uma das formas de retribuir toda a generosidade do povo caiçara ubatubano em comigo compartilhar seu valiosos conhecimentos foi deixar um exemplar original da dissertação por mim elaborada disponível para consulta na Biblioteca Municipal de Ubatuba. Quem quiser é só passar lá e pesquisar: SITE DA BIBLIOTECA


RESUMO

NÉMETH, Peter Santos. A tradição pesqueira caiçara dos mares da Ilha Anchieta: a interdição dos territórios pesqueiros ancestrais e a reprodução sociocultural local. 2016. 248 f. Dissertação (Mestrado em Ciência Ambiental) – Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental – Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2016.


O presente estudo analisa os saberes e técnicas patrimoniais utilizadas pela população dos pescadores caiçaras que atuam na região da Ilha Anchieta e Enseada do Flamengo, em Ubatuba, litoral norte do Estado de São Paulo. Este corpo cumulativo de habilidades especiais, transmitidas oralmente, compõe o conhecimento tradicional pesqueiro local, patrimônio imaterial sobre o qual fundamentam sua reprodução sociocultural e o manejo de seus pesqueiros[1] tradicionais. Abordamos através de pesquisa qualitativa não dirigida, as relações entre a apropriação social do ambiente marinho e os conflitos decorrentes do embate entre essa noção ancestral de propriedade por parte dos pescadores artesanais locais frente às questões legais do gerenciamento territorial desses pesqueiros pelos órgãos oficiais, utilizando uma abordagem etnográfica em nosso trabalho de campo, seguindo preceitos etnocientíficos, aspectos da etno-oceanografia e da socioantropologia marítima. Hoje, a disputa pelo domínio sobre esses recursos pesqueiros comuns (seja por órgãos governamentais conservacionistas ou de fomento à pesca, seja pela pressão política da pesca capitalista de escala industrial e da pesca esportiva amadora) cria frágeis mecanismos de regulação do acesso a esses pesqueiros tradicionais e aos recursos que neles ocorrem, quase sempre excluindo o pequeno pescador artesanal do processo de tomada de decisão e governança. Concluímos que esta regulação pesqueira, federal ou estadual, feita “de cima para baixo” ignorando deliberadamente as peculiaridades locais e os processos e mecanismos pelos quais os pescadores estabelecem, mantêm e defendem o usufruto ou a posse de espaços marítimos, confirma a hipótese de que este sistemático des-respeito atropela as regras tradicionais baseadas no direito consuetudinário e põe em risco a característica fundamental que rege e sustenta todo o universo sociocultural e simbólico dessas populações tradicionais locais: a sua liberdade e autonomia, ou seja, a capacidade de governarem a si próprios. 


Palavras-chave: conhecimento tradicional, territórios pesqueiros, apropriação social do ambiente marinho, direito consuetudinário caiçara.



[1] Além das palavras estrangeiras, utilizar-se-á também o itálico para destacar as expressões especiais do vocabulário técnico tradicional caiçara local. 

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

APRENDIZADO EM "CIÊNCIAS CAIÇARAS"

Coisas que aprendi com o Mestre Tião Lourenço (in memoriam). https://www.youtube.com/playlist?list=PLBpXFzQ1-RlPqDAGPEIm7wz8ULOK59B8C

Essa sequencia de fotos foram tiradas entre março de 2011 e abril de 2012.
Foi após esta reforma que a Marvada ganhou a sua faixazinha amarela marcando a linha do bordo.
Agora ela já precisa "botar pedaço na garra de proa" e "catar" mais algum pedaço "pijuco".
A turma já está cobrando a presença da Marvada nas corridas de 4 remos!

Tudo começa com uma "cutucadinha" onde tá "pijucando"...




Depois "pra botar pedaço", a gente "afeiçoa um sobrenício"


Aí a gente faz a cola 


 Lixa tudo e ninguém mais descobre onde é que tá o pedaço.






sábado, 18 de junho de 2016

É PRECISO PENSARMOS A TAINHA 2

Escrevi recentemente sobre o impacto da frota industrial sobre a captura da tainha e as consequências desta expropriação de um recurso natural que desde os primeiros registros históricos (STADEN, 1557) é a base da cultura litorânea de centenas de comunidades tradicionais do sudeste sul brasileiro:
http://canoadepau.blogspot.com.br/2015/06/e-preciso-pensarmos-tainha.html

Fonte principal: ARTIGO PESCA DE TRÓIA REPESCA 2016

Também, recentemente a tradicional pesca artesanal de tróia, a mais praticada na captura da tainha no litoral caiçara, passou a ser considerada ilegal, transformando a cultura dos pescadores em crime:
http://canoadepau.blogspot.com.br/2016/03/a-extincao-da-pesca-artesanal.html

Felizmente, nesta safra de tainha de 2016, quando as 50 traineiras (isso mesmo 50!) tentaram renovar suas licenças, não conseguiram, pois 100% delas haviam pescado em áreas proibidas no ano passado:
http://www.agricultura.gov.br/animal/noticias/2016/06/mapa-indefere-concessao-de-pesca-da-tainha-para-50-embarcacoes

Miranda (et al., 2011) defendem a suspensão da pesca de tainha pela frota de traineiras, e citam que em julho de 2010, apenas uma única traineira matou mais tainhas do que o total capturado no mesmo mês pela pequena pesca, em catorze (14) municípios paulistas. Alertam também que em São Paulo nesse mesmo ano de 2010, nos meses de junho e julho, apenas 1,1% das unidades produtivas envolvidas na pesca da tainha, eram de traineiras. Mesmo assim foram responsáveis, realizando apenas 0,4% das descargas, por 50,1% da captura total de tainhas. Demonstram os autores, cabalmente, a imensa desproporcionalidade entre a frota de traineiras e a pequena pesca, resultando em competição desigual, menor disponibilidade da espécie para as populações tradicionais e maiores custos sócio-econômicos e culturais para os usuários desse recurso pesqueiro(MIRANDA et al 2011: p.17-19).

Sabe-se no entanto que a imprevisibilidade é a única certeza quando se fala em recursos pesqueiros e tentar conseguir prever estas situações de altos e baixos da produtividade marinha é onde o progresso do conhecimento, pode ser de extrema ajuda (Andrew Bakun,1996).

Coincidência ou não, é fato consumado que nesta safra de 2016, as comunidades tradicionais caiçaras estão tendo resultados recordes com a pesca de tainhas. Vamos deixar as fotos falarem:

Fotos de: Mulheres Artesãs da Enseada da Baleia:

Fotos de: Leila Anunciação, Trindade R.J.:


Fotos de Ten. Cel. Macário Ubatumirim, Ubatuba:

Fotos de Fabíola Soares, Praia da Justa, Ubatuba:

Dezenas de comunidades caiçaras estão ganhando o seu quinhão. A cultura da tainha está sendo repassada e saberes ancestrais estão novamente sendo exercitados.

Os industriais reclamam prejuízos com a exportação do CAVIAR BRASILEIRO para os chineses.
A ova de tainha é uma iguaria exportada pelo brasil e custa aqui quase 500 reais o quilo: BOTTARGA
 
Bem, fala pros chineses que lá no Paulinho, na Praia da Enseada, tem ova de montão! Este ano o caviar é dos caiçaras!

Foto de Roberto Ferrero, Praia da Enseada, Ubatuba:

Mais informações sobre o caso no blog: ÚÚÚÚ!!! TAINHA NA REDE.

Atualizado em 25/04/17: Artigo relacionado recente CEPSUL: DE QUEM È O PEIXE? 

terça-feira, 10 de maio de 2016

Ressaca na Enseada - 5 de setembro de 2006

Quem só conhece a Praia da Enseada no verão, bem mansinha e tranquila, não imagina do que o mar é capaz nos dias de ressaca. Mais uma vez as imagens falarão bem mais do que as palavras.
Fotos: Peter Santos Németh