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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

A Biblioteca Municipal Ateneu Ubatubense já tem.

Uma das formas de retribuir toda a generosidade do povo caiçara ubatubano em comigo compartilhar seu valiosos conhecimentos foi deixar um exemplar original da dissertação por mim elaborada disponível para consulta na Biblioteca Municipal de Ubatuba. Quem quiser é só passar lá e pesquisar: SITE DA BIBLIOTECA


RESUMO

NÉMETH, Peter Santos. A tradição pesqueira caiçara dos mares da Ilha Anchieta: a interdição dos territórios pesqueiros ancestrais e a reprodução sociocultural local. 2016. 248 f. Dissertação (Mestrado em Ciência Ambiental) – Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental – Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2016.


O presente estudo analisa os saberes e técnicas patrimoniais utilizadas pela população dos pescadores caiçaras que atuam na região da Ilha Anchieta e Enseada do Flamengo, em Ubatuba, litoral norte do Estado de São Paulo. Este corpo cumulativo de habilidades especiais, transmitidas oralmente, compõe o conhecimento tradicional pesqueiro local, patrimônio imaterial sobre o qual fundamentam sua reprodução sociocultural e o manejo de seus pesqueiros[1] tradicionais. Abordamos através de pesquisa qualitativa não dirigida, as relações entre a apropriação social do ambiente marinho e os conflitos decorrentes do embate entre essa noção ancestral de propriedade por parte dos pescadores artesanais locais frente às questões legais do gerenciamento territorial desses pesqueiros pelos órgãos oficiais, utilizando uma abordagem etnográfica em nosso trabalho de campo, seguindo preceitos etnocientíficos, aspectos da etno-oceanografia e da socioantropologia marítima. Hoje, a disputa pelo domínio sobre esses recursos pesqueiros comuns (seja por órgãos governamentais conservacionistas ou de fomento à pesca, seja pela pressão política da pesca capitalista de escala industrial e da pesca esportiva amadora) cria frágeis mecanismos de regulação do acesso a esses pesqueiros tradicionais e aos recursos que neles ocorrem, quase sempre excluindo o pequeno pescador artesanal do processo de tomada de decisão e governança. Concluímos que esta regulação pesqueira, federal ou estadual, feita “de cima para baixo” ignorando deliberadamente as peculiaridades locais e os processos e mecanismos pelos quais os pescadores estabelecem, mantêm e defendem o usufruto ou a posse de espaços marítimos, confirma a hipótese de que este sistemático des-respeito atropela as regras tradicionais baseadas no direito consuetudinário e põe em risco a característica fundamental que rege e sustenta todo o universo sociocultural e simbólico dessas populações tradicionais locais: a sua liberdade e autonomia, ou seja, a capacidade de governarem a si próprios. 


Palavras-chave: conhecimento tradicional, territórios pesqueiros, apropriação social do ambiente marinho, direito consuetudinário caiçara.



[1] Além das palavras estrangeiras, utilizar-se-á também o itálico para destacar as expressões especiais do vocabulário técnico tradicional caiçara local. 

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

CONVITE DEFESA: A tradição pesqueira caiçara dos mares da Ilha Anchieta.

Prezados amigos, convido todos que tiverem interesse em assistir a defesa da dissertação de mestrado cujo resumo segue abaixo. Será dia 15 de setembro próximo, as 10 horas no NUPAUB - USP.
Comissão Julgadora:
Prof. Dr. Antonio Carlos Sant'Ana Diegues, NUPAUB/USP, Orientador e Presidente da Comissão; 
Prof. Dr. Alexander Turra, IO/USP;
Profa. Dra. Cristiana Simão Seixas, UNICAMP;
Profa. Dra. Sueli Angelo Furlan, PROCAM/IEE/USP.

RESUMO
NÉMETH, Peter Santos. A tradição pesqueira caiçara dos mares da Ilha Anchieta: a interdição dos territórios pesqueiros ancestrais e a reprodução sociocultural local. 2016. 243 f. Dissertação (Mestrado em Ciência Ambiental) – Programa dePós-Graduação em Ciência Ambiental – Instituto de Energia e Ambiente daUniversidade de São Paulo, São Paulo, 2016.

 O presente estudo busca analisar os saberes e “técnicas patrimoniais” (DIEGUES, 2008: p.63) utilizadas pela população dos pescadores caiçaras que atuam na região da Ilha Anchieta e Enseada do Flamengo, em Ubatuba, litoral norte do Estado de São Paulo. Este corpo cumulativo de habilidades especiais, transmitidas oralmente, compõem o conhecimento tradicional pesqueiro local, patrimônio imaterial sobre o qual fundamentam sua reprodução sociocultural e o manejo de seus pesqueiros[1] tradicionais. Serão abordadas as relações entre a “apropriação social do ambiente marinho” (GEISTDOERFER, 1974; 1982; CORDELL, 1989; 2000; DIEGUES, 2004a) e os conflitos decorrentes do embate entre essa noção ancestral de propriedade por parte dos pescadores artesanais locais e as questões legais do gerenciamento territorial desses pesqueiros pelos órgãos oficiais. Hoje, a disputa pelo domínio sobre esses recursos pesqueiros comuns (seja por órgãos governamentais conservacionistas ou de fomento à pesca, seja pela pressão política da pesca capitalista de escala industrial e da pesca esportiva amadora) cria frágeis mecanismos de regulação do acesso a esses “pesqueiros” (CORDELL, 1974; 1989; GEISTDOERFER, 1982; NIETSCHMANN, 1989) e aos recursos que neles ocorrem, quase sempre excluindo o pequeno pescador artesanal do processo de tomada de decisão e governança. Essa regulação pesqueira, federal ou estadual, feita “de cima para baixo” (LEIVA, 2014: p.138) ignorando deliberadamente as peculiaridades locais e “os processos e mecanismos pelos quais os grupos estabelecem, mantêm e defendem o usufruto ou a posse de espaços interessantes” (MALDONADO, 1994: p.35). Este sistemático des-respeito atropela e põe em risco a característica fundamental que rege e sustenta todo o universo sociocultural e simbólico dessas populações tradicionais locais: a sua liberdade e autonomia (CUNHA, 2000: p.108, RAMALHO, 2007: p.36, BRANDÃO, 2015: p.75), ou seja, a capacidade de governarem a si próprios. 

Palavras-chave: conhecimento tradicional, territórios pesqueiros, apropriação social do ambiente marinho, direito consuetudinário caiçara.




[1] Além das palavras estrangeiras, utilizar-se-á também o itálico para destacar as expressões especiais do vocabulário técnico tradicional caiçara local. 

CLIQUE AQUI PARA ACESSAR O TEXTO COMPLETO

Se esqueci de algum nome nos agradecimentos me perdoe pois são mais de 10 anos de amizades para agradecer e eu posso ter me esquecido de alguém durante este longo percurso, obrigado a você também.

Agradecimentos:
Agradeço às minhas famílias, os Both Németh, os Carvalho Santos, os Casalderrey Prochaska. Minha querida Lilian e meu filho Rafael, sempre o porto seguro durante os tempos de mar revolto, amo vocês.
Minha gratidão e reverência a todos os “fogos” caiçaras de norte a sul de Ubatuba, que me adotaram como a um filho, iniciando-me nos segredos da arte pesqueira tradicional.  Em especial à Turma da Enseada, os dos Santos, os Giraud, os Góis, os Graça, os de Oliveira e os de Jesus e aos amigos bravos remadores ubatubanos da AARCCA, rema!
Agradeço em especial ao Prof. Diegues pela imensa generosidade em abrir as portas da academia para um simples “pescador” e também ao Luiz Bargmann Netto, primeiro apoiador do meu trabalho como pesquisador.
Obrigado aos pesquisadores locais, José Ronaldo dos Santos, Julio César Mendes, Mário Ricardo de Oliveira e Élvio de Oliveira Damásio: os “três mosqueteiros” da resistência caiçara ubatubana. Peço bênçãos em nome do Divino Espírito Santo, obrigado Foliões!
Ao povo paulista pela manutenção do NUPAUB/PROCAM/IEE/USP; aos colegas, funcionários e professores que incentivaram a integração de conhecimentos: Sueli Furlan, Adrian Ribaric, Gustavo Moura, Luiz Beduschi, Sílvia Zanirato, Pedro Jacobi, Paulo Sinisgalli, Eduardo Caldas, Alexander Turra, Maria Gasalla, Claudia Santos, Ivan Martins, Caiuá Peres, Henrique Kefalás, Antonio Afonso, Samuel Yang, muito obrigado.
Um imenso obrigado ao MAPA-Ubatuba, Ana Maria Paschoal da Cruz e Paulo Vasco e Fundação Florestal, Lucila Pinsard Vianna e Priscila Saviolo Moreira.
Agradeço aos companheiros dos vários fóruns de discussão dos quais participei no litoral norte: APE, MAPEC, AMESP, Z-10, CMDRP, PEIA, APA Marinha do L.N., PMU, SEAP/MPA, TAMAR, e especialmente aos amigos pesquisadores do Instituto de Pesca de Ubatuba, Sérgio Ostini (in memoriam), Élvio Damásio, Helcio Marques, Valéria Gelli, Ricardo Pereira, Marcelo Alves, Roberto Seckendorff, Venâncio de Azevedo, Laura de Miranda, Marcus Carneiro e Eduardo Sanches. Vocês do “Pesca” são valorosos semeadores de mares e de mentes.
Muito obrigado ao povo brasileiro pela bolsa CAPES de auxílio à pesquisa.













FOTOS DA DEFESA: Prof. Adrian Ribaric.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

REGISTROS DA CANOA CAIÇARA

Abril começou com uma "enxurrada" de vídeos sobre a Canoa Caiçara liberados na plataforma do Youtube. Coincidentemente (coincidências não existem) participei dos dois registros que agora estão disponíveis para visualização.
Um deles é o Canoa Caiçara de Luiz Bargmann Netto e do Instituto Costa Brasilis:


E o outro Canoas Caiçara de Bárbara de Aquino, Rodolfo Vidal e Cleber Rocha Chiquinho:


É muito gratificante ouvir trechos do DOSSIÊ CANOA CAIÇARA narrados por jovens caiçaras. Sensação de missão cumprida, embora o REGISTRO não tenha ainda sido efetivado pelo IPHAN.

E abaixo, dois trechos do documentário Os saberes do fazer - Cultura Caiçara Viva
Direção de Emiliano Bernardo, Ricardo Imakawa e Ruben Bianchi, 2014. 




Canoa Caiçara no lagamar do Itaguá. Foto: Peter Santos Németh.


segunda-feira, 30 de julho de 2012

CORRIDA DE CANOAS ENSEADA 2012 - UBATUBA

Finalmente o sol deu as caras durante a 3a Corrida de Canoas Pescadores da Enseada.
Após dois anos consecutivos de muita chuva, a festa ficou completa.
Foram 6 provas nas categorias masculino, feminina e aprendiz e mais de 40 inscritos.
Tivemos o apoio da Pousada Maanaim que ofereceu um delicioso almoço aos remadores, do Projeto Tamar-Ubatuba que promoveu a soltura de tartarugas e premiou os ganhadores, prefeitura de Ubatuba através da Secretaria de pesca e obras, Fundart, pousada Maravista e Farmarys manipulação que ofereceu os Biotônicos.
Este ano foram homenageados o Sr. Élvio Damásio, caiçara tradicional e o narrador oficial das corridas de canoas de Ubatuba, o Sr. Alaor Guedes Sampaio, motorista responsável pelo caminhão que transporta as canoas das comunidades até o local da corrida e o Sr. Roberto Prochaska, que completou 70 anos "de praia".
Foram também comercializados mexilhões produzidos pelos caiçaras locais em suas fazendas marinhas de modo sustentável a preços promocionais.

Assista mais em:  http://youtu.be/MkKJD9qhsgY
                             http://youtu.be/GUU3X2hm_8o



                                                                                                                                 foto: Zsolt Németh


Sr. Elder dos Santos Giraud, caiçara e maricultor manipulando os mexilhões de cultivo sustentáveis.
 foto: Peter Santos Németh

foto: Peter Santos Németh


Sr. Alaor, sendo homenageado.
 foto: Lilian Prochaska


Sr. Élvio recebendo os agradecimentos de todos os remadores.
 foto: Lilian Prochaska


segunda-feira, 11 de junho de 2012

DOCUMENTÁRIO "CANOA CAIÇARA" REGISTRA O UNIVERSO DA CANOA DE UM SÓ PAU

Dentro do projeto Com Quantas Memórias se Faz uma Canoa, foi realizado o documentário Canoa Caiçara que de maneira poética registra o universo material e simbólico dos pescadores artesanais de canoa a remo.
A importância da canoa como veículo que carrega em suas linhas habilmente entalhadas por poucos mestres canoeiros ainda em atividade em Ubatuba, São Paulo, é capturada por depoimentos de vários mestres, Seu Domingos da Sete Fontes e seu Filho Renato Bueno, Maximiliano do Cambury, Seu Filhinho da Picinguaba, Seu Gino da Barra Seca e Nélio, e o grande mestre do litoral norte o Baéco, filho do Seu Agrício Neri Barbosa do Ubatumirim, o mais renomado mestre canoeiro da região.


Foto: Peter Santos Németh - Ico/Enseada

De modo quase didático, o diretor Luiz Bargmann extrai naturalmente destes mestres, técnicas empíricas que só podem ser passadas de geração em geração através da oralidade.
O vídeo completo está disponível no endereço:
http://www.fau.usp.br/intermeios/pagina.php?id=43
Atualmente o modo de fazer da canoa caiçara e os saberes e fazeres dos Mestres Canoeiros estão em fase de registro junto ao IPHAN para serem reconhecidos como Bem Cultural Imaterial Brasileiro.

terça-feira, 15 de maio de 2012

A MAIOR CANOA CAIÇARA DE UBATUBA

A MAIOR CANOA DE UBATUBA.

Esta maravilhosa obra da engenharia empírica Caiçara, é uma canoa esculpida de um jequitibá imenso. Com  1,34m de boca e 9,60m de comprimento é uma obra prima, esculpida pela família Neri Barbosa (vídeo).
Na foto, meu amigo e professor Élvio de Oliveira Damásio, Mestre Caiçara legítimo, mostra a proporção da monóxila. As duas outras canoas emborcadas são de tamanho normal (três palmos de boca) e foram esculpidas de um guapuruvu carregado pela enchente do rio.
Conheça também a GIGANTE CANOA CUNHAMBEBE, da praia da Almada.



Fotos: Peter Santos Németh

sábado, 3 de dezembro de 2011

CANOA CAIÇARA: BEM CULTURAL IMATERIAL DO BRASIL-IPHAN

A Canoa Caiçara é uma embarcação especialmente desenvolvida e adaptada para a pesca costeira de subsistência que ocorre no litoral sul fluminense, paulista, até o litoral norte paranaense. Sua produção totalmente artesanal é de domínio exclusivo de poucos mestres canoeiros ainda em atividade, que utilizando saberes e fazeres ancestrais transmitidos de geração em geração através da oralidade[1], conservam este patrimônio cultural capaz de assegurar a autonomia desta população tradicional em plena harmonia com o ambiente marinho e terrestre em que vivem.

 A cultura caiçara relacionada a construção de canoas corre o risco de desaparecer devido à falta de interesse de seus herdeiros em continuar a atividade, seja pela baixa remuneração, pela dificuldade do trabalho ou pela legislação ambiental que dificulta o acesso às matérias-primas.

 Torna-se necessário portanto não apenas garantir o acesso sustentado do caiçara aos grandes troncos de árvores, mas também resgatar e valorizar seu universo cultural tradicional para que as novas gerações se interessem, se envolvam, ampliem o conhecimento e o reproduza, perpetuando-o.

A canoa esculpida em um único tronco de árvore denominada canoa caiçara, é uma embarcação que carrega em suas linhas habilmente entalhadas a associação direta à população dos pescadores caiçaras que habitam a faixa litorânea que vai do litoral sul fluminense, paulista, até o norte paranaense.[2]

Seu design especial com características próprias, desenvolvidas e aperfeiçoadas visando garantir para esta atividade pesqueira tradicional a máxima funcionalidade e segurança com a mínima manutenção e gasto energético, garantiu a sobrevivência desta população caiçara em perfeita harmonia com o ambiente natural em que se inserem até os dias atuais.

A canoa caiçara desperta a curiosidade e admiração naqueles que a conhecem pela primeira vez, pelo fato de ser construída a partir de um único tronco de madeira. Também é motivo de veneração quase mística por aqueles que conhecem profundamente suas qualidades e segredos, que se revelam apenas durante os anos de intimidade diária nas pescarias de subsistência.

Objeto de raros estudos sobre suas características e técnicas construtivas, reunindo aspectos simbólicos, étnicos, técnicos e ergológicos, cujos únicos detentores destes saberes tácitos são os mestres caiçaras construtores de canoas de um só tronco, a canoa caiçara ainda carece do reconhecimento oficial como patrimônio cultural do povo caiçara.

Este dossiê reunindo fotos, relatos, estudos, pesquisas, vídeos e documentos relativos à descrição sistemática e pormenorizada do modo de fazer e dos saberes, junto com técnicas de uso de ferramentas, relacionados à canoa caiçara, tem por objetivo instruir o processo de tombamento dos saberes e fazeres relacionados à canoa caiçara de um só tronco produzida em território caiçara, para registro no Livro de Registro de Saberes junto ao IPHAN, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, como bem cultural de natureza imaterial do Brasil, baseando-se nos artigos 215 e 216 da Constituição Federal de 1988, Decreto nº 3.551 de 4 de agosto de 2000 e no Decreto Federal nº 6.040 de 7 de fevereiro de 2007.   



[1] Roberto Verschleisser, Com quantos paus se faz uma canoa um estudo de casos 1990.  Dissertação Escola de Belas Artes-UFRJ.
[2] Antonio Carlos Diegues, Diversidade biológica e culturas tradicionais litorâneas: o caso das comunidades ciçaras 1988. NUPAUB-USP e Wanda Maldonado, Da mata para o mar: a construção da canoa caiçara em Ilhabela/SP  2001.  Dissertação PROCAM-USP.

Foto: Peter Santos Németh, Praia do Ubatumirim, Ubatuba, SP.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Mestres Canoeiros

Em “A construção material e simbólica da canoa caiçara em Ilhabela”, de Wanda Maldonado, encontramos na página 316, a descrição dos conhecimentos práticos necessários para o mestre canoeiro transferir ou reproduzir material e simbolicamente a canoa dentro de um grupo social:
“Com relação à construção da canoa em Ilhabela observamos uma distinção entre o pescador que faz as canoas e o mestre-canoeiro. O primeiro pode até ter boa parte dos conhecimentos necessários à construção de uma canoa e obter um produto de qualidade razoável, ou seja, uma canoa pequena que servirá à pesca costeira. Mas ele não tem o reconhecimento social, não possui o status que caracteriza o especialista. O mestre-canoeiro, por sua vez, possui o conhecimento, as habilidades e, talvez a mais importante distinção, a experiência.
foto: Peter Santos Németh
...O mestre é o que conhece e domina o processo de construção da canoa por inteiro e coordena o trabalho dos ajudantes, seus aprendizes. O resultado do trabalho do mestre-canoeiro é uma canoa perfeita e a canoa perfeita é a que possui, além das qualidades necessárias à navegabilidade, uma estética reconhecida pelos pescadores.”

sábado, 28 de maio de 2011

DVD FEITIO DA CANOA CAIÇARA, agora on-line.

O projeto dos saberes e fazeres da canoa caiçara registrou conhecimentos e técnicas sobre o feitio das canoas de um só tronco utilizadas pelas comunidades caiçaras; do litoral norte de São Paulo.
Através de atividade em grupo que proporcionaram a exposição e a transmissão desse conhecimento tradicional, oferecemos às novas gerações o reconhecimento da canoa caiçara como um bem de natureza imaterial dessa importante cultura do litoral brasileiro.
Neste DVD, apresentamos o registro em 4 vídeos: 
Apresentação do Projeto e Palestra com Amyr Klink - 19 minutos; 
A Corrida de Canoas da Praia da Enseada - 22 minutos; 
Oficina de Mestres Canoeiros - 27 minutos; 
O Feitio da Canoa pelo Canoeiro Renato - 32 minutos.

O DVD pode ser acessado livremente neste link: DVD Canoa Caiçara Youtube.
ou  adquirido pelo e-mail: bambuluz@yahoo.com.br - R$ 35,00.

Filmagem: Luiz Bargmann Netto; Diógenes S. Miranda e Silvio Cordeiro.
Direção e Edição: Luiz Bargmann Netto.
Finalização: Diógenes S. Miranda.
Produção: YPSE Comunicação, 2010.