Mostrando postagens com marcador haabjas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador haabjas. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 22 de março de 2013

DOSSIÊ CANOA CAIÇARA AGORA DISPONÍVEL ON-LINE

Prezados amigos da Canoa Caiçara, agora o Dossiê Canoa Caiçara que instrui o processo de pedido de registro da Canoa Caiçara como bem cultural imaterial do Brasil está disponível na íntegra on-line.
Trata-se de cópia do original que foi protocolado junto ao Iphan.

Acesse o Dossiê clicando aqui.

 "ARMADA"

Saiba mais sobre o processo de registro da Canoa Caiçara clicando aqui.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

A CANOA INDÍGENA BRASILEIRA E AS HAABJAS DA ESTÔNIA

É interessante notar as semalhanças entre as técnicas construtuivas de canoas indígenas brasileiras como as dos Yanomamis amazônicos,   com as técnicas da europa oriental, das canoas denominadas Haabjas da região de Sooma, na Estônia. Ambas utilizam o fogo para alargar e moldar o corpo da canoa com o auxílio dos "barrotes" que são as madeiras colocadas dentro dos bordos para forçar o alargamento.
A diferença mais marcante seria a presença das "garras", (quillhas), na canoa estoniana mesmo que estas quilhas ocorram mais nas canoas marítimas, servindo para dar maior estabilidade e direção.
Enquanto que na canoa Yanomami, as garras não existem como normalmente ocorr nas canoas fluviais ou lacustres. 
Assista aos vídeos em:

Haabjas 1- http://www.youtube.com/watch?v=1Y3VunqO0Cs
             2- http://www.youtube.com/watch?v=3ify-3h5TFA

Yanomami 1- http://www.youtube.com/watch?v=uDX2BzUFQA4 




Fontes: HAABJAS - http://www.flickr.com/photos/soomaa/2780580734/in/photostream/  em 23-set-11
               YANOMAMI -  http://www.youtube.com/watch?v=uDX2BzUFQA4  em 20-set-11

sábado, 3 de dezembro de 2011

CANOA CAIÇARA: BEM CULTURAL IMATERIAL DO BRASIL-IPHAN

A Canoa Caiçara é uma embarcação especialmente desenvolvida e adaptada para a pesca costeira de subsistência que ocorre no litoral sul fluminense, paulista, até o litoral norte paranaense. Sua produção totalmente artesanal é de domínio exclusivo de poucos mestres canoeiros ainda em atividade, que utilizando saberes e fazeres ancestrais transmitidos de geração em geração através da oralidade[1], conservam este patrimônio cultural capaz de assegurar a autonomia desta população tradicional em plena harmonia com o ambiente marinho e terrestre em que vivem.

 A cultura caiçara relacionada a construção de canoas corre o risco de desaparecer devido à falta de interesse de seus herdeiros em continuar a atividade, seja pela baixa remuneração, pela dificuldade do trabalho ou pela legislação ambiental que dificulta o acesso às matérias-primas.

 Torna-se necessário portanto não apenas garantir o acesso sustentado do caiçara aos grandes troncos de árvores, mas também resgatar e valorizar seu universo cultural tradicional para que as novas gerações se interessem, se envolvam, ampliem o conhecimento e o reproduza, perpetuando-o.

A canoa esculpida em um único tronco de árvore denominada canoa caiçara, é uma embarcação que carrega em suas linhas habilmente entalhadas a associação direta à população dos pescadores caiçaras que habitam a faixa litorânea que vai do litoral sul fluminense, paulista, até o norte paranaense.[2]

Seu design especial com características próprias, desenvolvidas e aperfeiçoadas visando garantir para esta atividade pesqueira tradicional a máxima funcionalidade e segurança com a mínima manutenção e gasto energético, garantiu a sobrevivência desta população caiçara em perfeita harmonia com o ambiente natural em que se inserem até os dias atuais.

A canoa caiçara desperta a curiosidade e admiração naqueles que a conhecem pela primeira vez, pelo fato de ser construída a partir de um único tronco de madeira. Também é motivo de veneração quase mística por aqueles que conhecem profundamente suas qualidades e segredos, que se revelam apenas durante os anos de intimidade diária nas pescarias de subsistência.

Objeto de raros estudos sobre suas características e técnicas construtivas, reunindo aspectos simbólicos, étnicos, técnicos e ergológicos, cujos únicos detentores destes saberes tácitos são os mestres caiçaras construtores de canoas de um só tronco, a canoa caiçara ainda carece do reconhecimento oficial como patrimônio cultural do povo caiçara.

Este dossiê reunindo fotos, relatos, estudos, pesquisas, vídeos e documentos relativos à descrição sistemática e pormenorizada do modo de fazer e dos saberes, junto com técnicas de uso de ferramentas, relacionados à canoa caiçara, tem por objetivo instruir o processo de tombamento dos saberes e fazeres relacionados à canoa caiçara de um só tronco produzida em território caiçara, para registro no Livro de Registro de Saberes junto ao IPHAN, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, como bem cultural de natureza imaterial do Brasil, baseando-se nos artigos 215 e 216 da Constituição Federal de 1988, Decreto nº 3.551 de 4 de agosto de 2000 e no Decreto Federal nº 6.040 de 7 de fevereiro de 2007.   



[1] Roberto Verschleisser, Com quantos paus se faz uma canoa um estudo de casos 1990.  Dissertação Escola de Belas Artes-UFRJ.
[2] Antonio Carlos Diegues, Diversidade biológica e culturas tradicionais litorâneas: o caso das comunidades ciçaras 1988. NUPAUB-USP e Wanda Maldonado, Da mata para o mar: a construção da canoa caiçara em Ilhabela/SP  2001.  Dissertação PROCAM-USP.

Foto: Peter Santos Németh, Praia do Ubatumirim, Ubatuba, SP.