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segunda-feira, 10 de junho de 2013

IPHAN ACEITA COMO PERTINENTE O PEDIDO DE REGISTRO DA CANOA CAIÇARA

Dia 10 de abril de 2013, o Conselho Consultivo do Iphan considerou o requerimento de registro da Canoa Caiçara como bem cultural imaterial brasileiro, pertinente. Isso significa que a primeira etapa para o registro definitivo foi cumprida. Agora um amplo estudo abrangendo as outras áreas do território Caiçara nos litorais fluminense e paranaense será iniciado. Esperamos poder continuar contribuindo nesse processo para que o registro definitivo se concretize. Agradecemos imensamente a todos os apoiadores e contamos com vocês ainda neste longo percurso que virá. Leia o ofício abaixo e assista aquí um vídeo sobre este processo.

sexta-feira, 22 de março de 2013

DOSSIÊ CANOA CAIÇARA AGORA DISPONÍVEL ON-LINE

Prezados amigos da Canoa Caiçara, agora o Dossiê Canoa Caiçara que instrui o processo de pedido de registro da Canoa Caiçara como bem cultural imaterial do Brasil está disponível na íntegra on-line.
Trata-se de cópia do original que foi protocolado junto ao Iphan.

Acesse o Dossiê clicando aqui.

 "ARMADA"

Saiba mais sobre o processo de registro da Canoa Caiçara clicando aqui.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

CONSELHEIRO DO IPHAN VISITA MESTRES CANOEIROS


Dia 15 de janeiro de 2013, esteve visitando os Mestres Canoeiros de Ubatuba o Sr. Luiz Phelipe Andrès, conselheiro consultivo do IPHAN, e integrante da Câmara do Patrimônio Imaterial por onde passa o processo de registro da Canoa Caiçara como bem cultural imaterial brasileiro. 
 
Para o encontro estavam presentes a os Mestres Agricio Neri Barbosa, seu filho Manoel Neri Barbosa, (o Baéco), e Renato Bueno que debateram(veja aqui) longamente com o Sr. Luiz Phelipe sobre os elementos constitutivos da cultura caiçara implicados na fabricação da canoa. A visita teve o intuito de coletar informações para adiantar o processo de avaliação do pedido de registro feito pelo pesquisador Peter Santos Németh que deverá ser avaliado pelo IPHAN em abril próximo.
 
Este é o primeiro pedido de registro de bem cultural imaterial relacionado à embarcações brasileiras já feito. Caso seja aprovado o requerimento inicial, o registro efetivo dos saberes e fazeres do Mestres Canoeiros Caiçaras como patrimônio cultural do Brasil ainda necessitará de um inventário e de um plano de salvaguarda(veja) que assegure a transmissão deste conhecimento para as futuras gerações.
Apoiam esta iniciativa a Associação Pescadores da Enseada - APE, FUNDART - Prefeitura de Ubatuba, Nupaub-USP, Museu Caiçara de Ubatuba, APA Marinha - LN, Fundação PróTamar - Ubatuba, Instituto Costa Brasilis, União dos Moradores da Juréia, Amyr Klink Projetos Especiais, os remadores das corridas de canoas do Litoral Norte, além de vários colaboradores e admiradores da Canoa Caiçara. 

Fotos: Peter Santos Németh
Mais informações:

segunda-feira, 11 de junho de 2012

DOCUMENTÁRIO "CANOA CAIÇARA" REGISTRA O UNIVERSO DA CANOA DE UM SÓ PAU

Dentro do projeto Com Quantas Memórias se Faz uma Canoa, foi realizado o documentário Canoa Caiçara que de maneira poética registra o universo material e simbólico dos pescadores artesanais de canoa a remo.
A importância da canoa como veículo que carrega em suas linhas habilmente entalhadas por poucos mestres canoeiros ainda em atividade em Ubatuba, São Paulo, é capturada por depoimentos de vários mestres, Seu Domingos da Sete Fontes e seu Filho Renato Bueno, Maximiliano do Cambury, Seu Filhinho da Picinguaba, Seu Gino da Barra Seca e Nélio, e o grande mestre do litoral norte o Baéco, filho do Seu Agrício Neri Barbosa do Ubatumirim, o mais renomado mestre canoeiro da região.


Foto: Peter Santos Németh - Ico/Enseada

De modo quase didático, o diretor Luiz Bargmann extrai naturalmente destes mestres, técnicas empíricas que só podem ser passadas de geração em geração através da oralidade.
O vídeo completo está disponível no endereço:
http://www.fau.usp.br/intermeios/pagina.php?id=43
Atualmente o modo de fazer da canoa caiçara e os saberes e fazeres dos Mestres Canoeiros estão em fase de registro junto ao IPHAN para serem reconhecidos como Bem Cultural Imaterial Brasileiro.

sábado, 3 de dezembro de 2011

CANOA CAIÇARA: BEM CULTURAL IMATERIAL DO BRASIL-IPHAN

A Canoa Caiçara é uma embarcação especialmente desenvolvida e adaptada para a pesca costeira de subsistência que ocorre no litoral sul fluminense, paulista, até o litoral norte paranaense. Sua produção totalmente artesanal é de domínio exclusivo de poucos mestres canoeiros ainda em atividade, que utilizando saberes e fazeres ancestrais transmitidos de geração em geração através da oralidade[1], conservam este patrimônio cultural capaz de assegurar a autonomia desta população tradicional em plena harmonia com o ambiente marinho e terrestre em que vivem.

 A cultura caiçara relacionada a construção de canoas corre o risco de desaparecer devido à falta de interesse de seus herdeiros em continuar a atividade, seja pela baixa remuneração, pela dificuldade do trabalho ou pela legislação ambiental que dificulta o acesso às matérias-primas.

 Torna-se necessário portanto não apenas garantir o acesso sustentado do caiçara aos grandes troncos de árvores, mas também resgatar e valorizar seu universo cultural tradicional para que as novas gerações se interessem, se envolvam, ampliem o conhecimento e o reproduza, perpetuando-o.

A canoa esculpida em um único tronco de árvore denominada canoa caiçara, é uma embarcação que carrega em suas linhas habilmente entalhadas a associação direta à população dos pescadores caiçaras que habitam a faixa litorânea que vai do litoral sul fluminense, paulista, até o norte paranaense.[2]

Seu design especial com características próprias, desenvolvidas e aperfeiçoadas visando garantir para esta atividade pesqueira tradicional a máxima funcionalidade e segurança com a mínima manutenção e gasto energético, garantiu a sobrevivência desta população caiçara em perfeita harmonia com o ambiente natural em que se inserem até os dias atuais.

A canoa caiçara desperta a curiosidade e admiração naqueles que a conhecem pela primeira vez, pelo fato de ser construída a partir de um único tronco de madeira. Também é motivo de veneração quase mística por aqueles que conhecem profundamente suas qualidades e segredos, que se revelam apenas durante os anos de intimidade diária nas pescarias de subsistência.

Objeto de raros estudos sobre suas características e técnicas construtivas, reunindo aspectos simbólicos, étnicos, técnicos e ergológicos, cujos únicos detentores destes saberes tácitos são os mestres caiçaras construtores de canoas de um só tronco, a canoa caiçara ainda carece do reconhecimento oficial como patrimônio cultural do povo caiçara.

Este dossiê reunindo fotos, relatos, estudos, pesquisas, vídeos e documentos relativos à descrição sistemática e pormenorizada do modo de fazer e dos saberes, junto com técnicas de uso de ferramentas, relacionados à canoa caiçara, tem por objetivo instruir o processo de tombamento dos saberes e fazeres relacionados à canoa caiçara de um só tronco produzida em território caiçara, para registro no Livro de Registro de Saberes junto ao IPHAN, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, como bem cultural de natureza imaterial do Brasil, baseando-se nos artigos 215 e 216 da Constituição Federal de 1988, Decreto nº 3.551 de 4 de agosto de 2000 e no Decreto Federal nº 6.040 de 7 de fevereiro de 2007.   



[1] Roberto Verschleisser, Com quantos paus se faz uma canoa um estudo de casos 1990.  Dissertação Escola de Belas Artes-UFRJ.
[2] Antonio Carlos Diegues, Diversidade biológica e culturas tradicionais litorâneas: o caso das comunidades ciçaras 1988. NUPAUB-USP e Wanda Maldonado, Da mata para o mar: a construção da canoa caiçara em Ilhabela/SP  2001.  Dissertação PROCAM-USP.

Foto: Peter Santos Németh, Praia do Ubatumirim, Ubatuba, SP.