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sexta-feira, 22 de março de 2013

DOSSIÊ CANOA CAIÇARA AGORA DISPONÍVEL ON-LINE

Prezados amigos da Canoa Caiçara, agora o Dossiê Canoa Caiçara que instrui o processo de pedido de registro da Canoa Caiçara como bem cultural imaterial do Brasil está disponível na íntegra on-line.
Trata-se de cópia do original que foi protocolado junto ao Iphan.

Acesse o Dossiê clicando aqui.

 "ARMADA"

Saiba mais sobre o processo de registro da Canoa Caiçara clicando aqui.

terça-feira, 15 de maio de 2012

A MAIOR CANOA CAIÇARA DE UBATUBA

A MAIOR CANOA DE UBATUBA.

Esta maravilhosa obra da engenharia empírica Caiçara, é uma canoa esculpida de um jequitibá imenso. Com  1,34m de boca e 9,60m de comprimento é uma obra prima, esculpida pela família Neri Barbosa (vídeo).
Na foto, meu amigo e professor Élvio de Oliveira Damásio, Mestre Caiçara legítimo, mostra a proporção da monóxila. As duas outras canoas emborcadas são de tamanho normal (três palmos de boca) e foram esculpidas de um guapuruvu carregado pela enchente do rio.
Conheça também a GIGANTE CANOA CUNHAMBEBE, da praia da Almada.



Fotos: Peter Santos Németh

segunda-feira, 14 de maio de 2012

A CANOA INDÍGENA BRASILEIRA E AS HAABJAS DA ESTÔNIA

É interessante notar as semalhanças entre as técnicas construtuivas de canoas indígenas brasileiras como as dos Yanomamis amazônicos,   com as técnicas da europa oriental, das canoas denominadas Haabjas da região de Sooma, na Estônia. Ambas utilizam o fogo para alargar e moldar o corpo da canoa com o auxílio dos "barrotes" que são as madeiras colocadas dentro dos bordos para forçar o alargamento.
A diferença mais marcante seria a presença das "garras", (quillhas), na canoa estoniana mesmo que estas quilhas ocorram mais nas canoas marítimas, servindo para dar maior estabilidade e direção.
Enquanto que na canoa Yanomami, as garras não existem como normalmente ocorr nas canoas fluviais ou lacustres. 
Assista aos vídeos em:

Haabjas 1- http://www.youtube.com/watch?v=1Y3VunqO0Cs
             2- http://www.youtube.com/watch?v=3ify-3h5TFA

Yanomami 1- http://www.youtube.com/watch?v=uDX2BzUFQA4 




Fontes: HAABJAS - http://www.flickr.com/photos/soomaa/2780580734/in/photostream/  em 23-set-11
               YANOMAMI -  http://www.youtube.com/watch?v=uDX2BzUFQA4  em 20-set-11

quinta-feira, 26 de abril de 2012

A CANOA CAIÇARA E SUA IMPORTÂNCIA MATERIAL E SIMBÓLICA

sábado, 25 de fevereiro de 2012
Hoje, com a gentileza do caiçara Eduardo Souza e do Luiz Moura (O guaruçá), faço questão de apresentar este belo texto sobre a canoa caiçara. Aos dois, os meus sinceros agradecimentos e um grande abraço. Em tempo: não consegui anexar a imagem do Ubatuba Víbora. Ainda bem que o Júlio Mendes tem muitas imagens de canoas (e todas são belas!).


Talvez pela simplicidade, talvez por ser primitiva - neste mundo ansioso de novidades tecnológicas, confortáveis e fugazes -, a canoa é para mim algo belo, uma obra de arte. Fui levado a refletir sobre o tema ao deitar os olhos na foto da canoa que encima as páginas do Ubatuba Víbora, do amigo Sidney Borges. A canoa em terra, na areia da praia, solitária, à espera do dono e, diante de si, o mar... Belíssima foto!
Tenho um depoimento do Baeco, fazedor de canoas. É um artista. Eis trechos do que ele diz: “A construção de canoa começa pela escolha da melhor madeira, mas a famosa mesmo é o Cedro. Depois vem a Timbuíba, o Ingá, o Bracuí... o Loro, o Guapuruvu e o Angelim. O Angelim tem três tipos: Angelim Amargoso, Angelim Gisara e o Angelim Pedra. Estas três são boas pra canoa. Esta é a madeira que a gente garante.” (...) ”Madeira a gente escolhe a lua, sim; agora, não precisa ser uma minguante de inverno; qualquer minguante é boa.” (...) ”A gente sabe a árvore que vai dar boa canoa no olho, primeiro o olho... Você bate o olho, vai, erra centímetros, e o tamanho é a boca da canoa” (...) ”O comprimento a gente se baseia na boca, na largura da boca, tá? Normalmente é sete vezes um, sete por uma. Sete vezes a largura da boca é o comprimento da canoa.” (...) ”Se ela, por exemplo, tem sessenta centímetros de boca, sete vezes seis quarenta e dois, então a canoa normalmente vai ter quatro metros e vinte centímetros.” (...) ”Pra medir no mato a gente tem uma mania: põe uma vara em direção à árvore antes do corte e aí sai com exatidão. A gente põe a vara lá na direção que vai ser o meio da canoa, e olha de longe e calcula. Porque tem a posição da boca, porque olhando na árvore você vê o lado melhor para a boca. Você olha tem um lado que é ‘selado’ e tem o outro que é mais ‘jeitoso’ para fazer a boca da canoa. A gente mede naquele lado. Com a vara faz uma cruz. Um olha de longe e vê o que está sobrando. Você vê com exatidão, porque a madeira é roliça. O outro, de longe, olha, aí você empurra pra lá, empurra pra cá, até saber o centro direitinho. Aí tira a grossura da casca, tira um pinguinho menos, e você tira o tamanho certo; aí sai exato, centímetro certo...”

O homem vê na árvore a canoa e, então, a transforma. O que era uma árvore, um Angelim no meio da mata, transforma-se, vira utensílio, instrumento, humaniza-se, torna-se mundo. A intimidade do homem com a canoa, que se torna extensão de seu corpo, de sua alma, que participa de sua história. Quando na solidão do mar, em terra, a mulher, os filhos, os amigos esperam que ela não falhe em trazer de volta o pescador que a navega, e a canoa, então, encarna a esperança. É ela que faz com que o mar, enquanto dificuldade, obstáculo, desafio, se torne possibilidade e colabore também na formação do modo-de-ser caiçara desse homem.

Na vida da maioria dos ubatubanos não há pelo menos uma história em que não esteja presente uma canoa. Nos meus tempos de infância, ela servia como veículo (além do uso na pesca) de transporte corriqueiro para os caiçaras do norte e do sul do município. A canoa é também fazedora de reminiscência. Tenho na memória duas canoas: a Mirim (acho que já escrevi sobre ela aqui no O Guaruçá), que meu pai me deu de presente bem antes de eu aprender a andar. Uma pequena canoa de guapuruvu. Arisca que só ela. Boa parte de minha infância e adolescência foi a bordo dessa canoinha, subindo e descendo o rio Grande da cidade. A outra, uma velha canoa, era a que meu pai, juntamente com alguns amigos dele, nos finais de semana, me levava para pescar com rede de arrasto na baía da cidade, na Praia do Cruzeiro. Ia na proa, deitando a rede ao mar aos poucos, sincronizado à velocidade da canoa. Meu velho, na popa, remava. Lançada a rede, em semicírculo, retornávamos à praia onde já nos esperavam para começar a puxada da rede com cordas feitas de imbé. Quando terminava a pescaria, subíamos a canoa, rolando-a sobre tocos de madeira até o rancho onde ela permaneceria esperando o próximo final de semana. Era pesca de lazer para meu pai e seus amigos. Para mim, sair de canoa com meu pai, momentos mágicos, inesquecíveis. Lembrar de uma canoa é também lembrar-me do meu velho, meu primeiro e maior amigo. Que Deus o tenha.

Nota do Editor: Eduardo Antonio de Souza Netto é caiçara, 60, prosador (nas horas vácuas) de Ubatuba, para Ubatuba et orbi.

Fonte:  José Ronaldo dos Santos, Caiçara de Ubatuba (SP-BR), preocupado em registrar coisas do nosso povo para que outros em http://coisasdecaicara.blogspot.com.br/2012/02/canoa-caicara.html

sábado, 3 de dezembro de 2011

CANOA CAIÇARA: BEM CULTURAL IMATERIAL DO BRASIL-IPHAN

A Canoa Caiçara é uma embarcação especialmente desenvolvida e adaptada para a pesca costeira de subsistência que ocorre no litoral sul fluminense, paulista, até o litoral norte paranaense. Sua produção totalmente artesanal é de domínio exclusivo de poucos mestres canoeiros ainda em atividade, que utilizando saberes e fazeres ancestrais transmitidos de geração em geração através da oralidade[1], conservam este patrimônio cultural capaz de assegurar a autonomia desta população tradicional em plena harmonia com o ambiente marinho e terrestre em que vivem.

 A cultura caiçara relacionada a construção de canoas corre o risco de desaparecer devido à falta de interesse de seus herdeiros em continuar a atividade, seja pela baixa remuneração, pela dificuldade do trabalho ou pela legislação ambiental que dificulta o acesso às matérias-primas.

 Torna-se necessário portanto não apenas garantir o acesso sustentado do caiçara aos grandes troncos de árvores, mas também resgatar e valorizar seu universo cultural tradicional para que as novas gerações se interessem, se envolvam, ampliem o conhecimento e o reproduza, perpetuando-o.

A canoa esculpida em um único tronco de árvore denominada canoa caiçara, é uma embarcação que carrega em suas linhas habilmente entalhadas a associação direta à população dos pescadores caiçaras que habitam a faixa litorânea que vai do litoral sul fluminense, paulista, até o norte paranaense.[2]

Seu design especial com características próprias, desenvolvidas e aperfeiçoadas visando garantir para esta atividade pesqueira tradicional a máxima funcionalidade e segurança com a mínima manutenção e gasto energético, garantiu a sobrevivência desta população caiçara em perfeita harmonia com o ambiente natural em que se inserem até os dias atuais.

A canoa caiçara desperta a curiosidade e admiração naqueles que a conhecem pela primeira vez, pelo fato de ser construída a partir de um único tronco de madeira. Também é motivo de veneração quase mística por aqueles que conhecem profundamente suas qualidades e segredos, que se revelam apenas durante os anos de intimidade diária nas pescarias de subsistência.

Objeto de raros estudos sobre suas características e técnicas construtivas, reunindo aspectos simbólicos, étnicos, técnicos e ergológicos, cujos únicos detentores destes saberes tácitos são os mestres caiçaras construtores de canoas de um só tronco, a canoa caiçara ainda carece do reconhecimento oficial como patrimônio cultural do povo caiçara.

Este dossiê reunindo fotos, relatos, estudos, pesquisas, vídeos e documentos relativos à descrição sistemática e pormenorizada do modo de fazer e dos saberes, junto com técnicas de uso de ferramentas, relacionados à canoa caiçara, tem por objetivo instruir o processo de tombamento dos saberes e fazeres relacionados à canoa caiçara de um só tronco produzida em território caiçara, para registro no Livro de Registro de Saberes junto ao IPHAN, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, como bem cultural de natureza imaterial do Brasil, baseando-se nos artigos 215 e 216 da Constituição Federal de 1988, Decreto nº 3.551 de 4 de agosto de 2000 e no Decreto Federal nº 6.040 de 7 de fevereiro de 2007.   



[1] Roberto Verschleisser, Com quantos paus se faz uma canoa um estudo de casos 1990.  Dissertação Escola de Belas Artes-UFRJ.
[2] Antonio Carlos Diegues, Diversidade biológica e culturas tradicionais litorâneas: o caso das comunidades ciçaras 1988. NUPAUB-USP e Wanda Maldonado, Da mata para o mar: a construção da canoa caiçara em Ilhabela/SP  2001.  Dissertação PROCAM-USP.

Foto: Peter Santos Németh, Praia do Ubatumirim, Ubatuba, SP.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Mestres Canoeiros

Em “A construção material e simbólica da canoa caiçara em Ilhabela”, de Wanda Maldonado, encontramos na página 316, a descrição dos conhecimentos práticos necessários para o mestre canoeiro transferir ou reproduzir material e simbolicamente a canoa dentro de um grupo social:
“Com relação à construção da canoa em Ilhabela observamos uma distinção entre o pescador que faz as canoas e o mestre-canoeiro. O primeiro pode até ter boa parte dos conhecimentos necessários à construção de uma canoa e obter um produto de qualidade razoável, ou seja, uma canoa pequena que servirá à pesca costeira. Mas ele não tem o reconhecimento social, não possui o status que caracteriza o especialista. O mestre-canoeiro, por sua vez, possui o conhecimento, as habilidades e, talvez a mais importante distinção, a experiência.
foto: Peter Santos Németh
...O mestre é o que conhece e domina o processo de construção da canoa por inteiro e coordena o trabalho dos ajudantes, seus aprendizes. O resultado do trabalho do mestre-canoeiro é uma canoa perfeita e a canoa perfeita é a que possui, além das qualidades necessárias à navegabilidade, uma estética reconhecida pelos pescadores.”

Pau de Canoa

Em “Concurso literário Ubatuba 2008 - Antologia, poesia, conto, teatro” editado pela Fundart, no conto “Pau de canoa” de Edgard O. C. Prochaska, página 60, percebemos a importância simbólica da canoa dentro do universo mítico do caiçara:

Mais abaixo um pouco, para os lados do riacho que escorria rumo ao grotão, a claridade desenhou aos olhos de Fabiano a visão de uma grande canoa que flutuava silenciosa por entre a bruma da manhã. Fabiano ficou meio aturdido com aquela aparição, mas era homem de coragem e não dado a espantar-se com coisa pouca. Atirou de lado a capa pra acordar de vez, esfregou os olhos e apanhou do chão o picuá onde, decerto ainda haveria um resto de farofa e um golpinho de café na garrafa arrolhada.
Religioso à sua maneira de ser, sentiu ter recebido um sinal mandado de Deus. Era um pau de canoa perfeito, reto e sem falhas, casualmente poupado pelo machado ou pelo fogo, pelas avalanches ocasionais ou pelos relâmpagos das tempestades que, às vezes, varriam a serra do mar.
...Fabiano respeitava a natureza como se respeita a uma mãe, decerto pelo próprio caráter dele ou por sentimento de proteção às coisas vivas que nos cercam. Sabia que para fazer a canoa, teria de matar a árvore e outro jequitibá igual aquele dificilmente iria aparecer nas próxima gerações. Então ajoelhou-se ao pé do tronco e fez uma reza pedindo perdão ao espírito da floresta e ao jequitibá, pelo que sabia ser necessário fazer. Em seguida ajeitou o facão e gravou com a ponta do metal suas iniciais em três locais diferentes, marcando o tronco e reservando-o como sua propriedade para pau de canoa. Ao terminar a última marca, uma grande gota de resina escapou do talho e tomou a forma de lágrima, enquanto que uma lágrima também escorreu do olho de Fabiano. Dizem mesmo os antigos que conheciam o fato que, naquele momento, criou-se um elo mágico e por isso mesmo aquela canoa seria encantada.”     
foto: Peter Santos Németh

sábado, 28 de maio de 2011

DVD FEITIO DA CANOA CAIÇARA, agora on-line.

O projeto dos saberes e fazeres da canoa caiçara registrou conhecimentos e técnicas sobre o feitio das canoas de um só tronco utilizadas pelas comunidades caiçaras; do litoral norte de São Paulo.
Através de atividade em grupo que proporcionaram a exposição e a transmissão desse conhecimento tradicional, oferecemos às novas gerações o reconhecimento da canoa caiçara como um bem de natureza imaterial dessa importante cultura do litoral brasileiro.
Neste DVD, apresentamos o registro em 4 vídeos: 
Apresentação do Projeto e Palestra com Amyr Klink - 19 minutos; 
A Corrida de Canoas da Praia da Enseada - 22 minutos; 
Oficina de Mestres Canoeiros - 27 minutos; 
O Feitio da Canoa pelo Canoeiro Renato - 32 minutos.

O DVD pode ser acessado livremente neste link: DVD Canoa Caiçara Youtube.
ou  adquirido pelo e-mail: bambuluz@yahoo.com.br - R$ 35,00.

Filmagem: Luiz Bargmann Netto; Diógenes S. Miranda e Silvio Cordeiro.
Direção e Edição: Luiz Bargmann Netto.
Finalização: Diógenes S. Miranda.
Produção: YPSE Comunicação, 2010.