Mostrando postagens com marcador iphan. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador iphan. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 12 de junho de 2018

Entrevistando o Mestre Canoeiro João Francisco - Mamanguá.

PROJETO REGISTRO DA CANOA CAIÇARA: Entrevista nº 01 em 5 de maio 2018
MESTRE CANOEIRO:
JOÃO FRANCISCO DO NASCIMENTO, BAIRRO DO BAIXIO, MAMANGUÁ, PARATY
IDADE: 60 ANOS, CASADO
CONSTRUTOR  DE CANOA CAIÇARA E PESCADOR
Entrevistador: Antonio Carlos Diegues

Inicio da atividade de construtor de canoas com cerca de 20-25 anos, observando o Mestre Leonel, seu primo do Bairro do Cruzeiro em Mamanguá. “Só via ele trabalhá na canoa, mas não perguntava nada.” Depois começou a trabalhar na profissão com o irmão mais velho, seu Acácio, que já sabia fazer a canoa. A primeira canoa foi feita com “timbuíva” com 50-60 cm. de boca.
As madeiras mais usadas eram as de timbuíva, ingá ( a mais usada,  pesada) caquera,  canafístula, jequitibá (para canoas maiores, com motor), guapuruvú ( madeira leve, dura menos que as outras).

Ferramentas usadas: machado, enxó, plaina, arco de pua

Processo de produção:
1.Escolha da  árvore no mato.
2.Derrubada da arvore e desgalhamento, preparo do tronco para a retirada da mata e transporte até o rancho onde se continua o feitio da canoa. O transporte é feito com a ajuda de vizinhos e parentes através do mutirão
3.Nivelamento da parte superior do tronco com machado
4.Colocação da linha de centro, fixada na proa e na popa. Coloca também duas linhas laterais, uma de cada lado, retirando a casca.
5.Prepara o “bergado” ou a “subida“ da proa e da popa.
7.Vira o tronco de bruço e cavuca o miolo do tronco
8.Para medir a espessura faz três buracos no fundo dianteiro, traseiro e meio.
9.O acabamento é feito com enxó e plaina.

Destino da canoa: quase sempre para uso próprio mas pode ser vendida se houver comprador.
Mudanças na profissão.
No Saco do Mamanguá as canoas eram feitas por ele, seu irmão Acácio, seu Tonico do Fundo do Saco, o Ditinho do Baixio. Só o seu João continua, mas somente faz alguma reforma de canoa pois é aposentado e já não tem forças para o trabalho mais pesado de retirada do tronco da mata.

A partir da implantação do “ parque” (Reserva Ecológica da Juatinga) em 1992, a atividade ficou mais difícil pela proibição da  derrubada das árvores pelo órgão gestor(hoje Eneia). “A gente tirava alguma madeira pra canoa, mas ia assustado”. Só era permitido usar árvores caídas ou derrubadas pelo vento, pela idade, mas em geral a madeira já vinha com defeito, partes podres, etc. Até então a maioria das embarcações eram canoas a remo usadas na pesca, canoas bordadas com motor de centro para transporte, baleeiras compradas do sul, barcos a motor de centro e algumas poucas lanchas de alumínio, depois de fibra para transporte de turistas. O modo de vida já estava mudando, o pessoal trabalhando na construção civil e no transporte de veranistas/turistas. A lavoura foi desaparecendo junto com as casas de farinha, sobrando hoje somente uma ou duas. A pesca, apesar de ter diminuído, garante ainda a mistura na comida das famílias e alguma venda para restaurantes locais e visitantes. As mulheres também passaram a  pescar o siri com  as “fisgas” na praia ou com os “covos”, transportados em canoas e deixadas com isca para serem retirados na manhã seguinte. As mulheres também retiram a carne do siri que é vendida a restaurantes, assim como vendem ostras e mexilhões retirados das pedras das “costeiras” e vôngole retirados também pelas mulheres na maré baixa.

Futuro dos mestres e da canoa caiçara: Para seu João a canoa caiçara do Mamanguá tende a desaparecer pois os jovens não se interessam pela profissão e usam cada vez mais as lanchas de alumínio com motores maiores e mais rápidos no transporte de turistas. Alguns desses turistas, no entanto, preferem alugar os barcos de madeira com motor de centro, mais vagarosos mas que permitem apreciar a paisagem durante a viagem.
Pescador do Mamanguá em sua canoa. Foto: Paulo Nogara.


quarta-feira, 7 de março de 2018

Projeto Registro da Canoa Caiçara - 2018

Logo oficial do Projeto de Registro. Arte: Peter santos Németh 2018.

Amigos da Canoa Caiçara apresentamos o novo logo do Projeto Registro dos Saberes associados a Canoa Caiçara. O Projeto atualmente está sediado no NUPAUB-USP dentro do Projeto Embarcações Tradicionais do Brasil.
Nosso logo foi inspirado em uma placa de "trânsito" utilizada na Praia da Enseada em Ubatuba desde o ano de 2005 no Rancho Meu Chamêgo, para sinalizar aos turistas que naquele local é proibido estacionar pois é local de manejo tradicional da Canoa Caiçara.

Placa original. Foto: Peter Santos Németh - 2005.

Foto do local de manejo tradicional, percebam a semelhança com o logo. Foto: Peter Santos Németh - 2005.
Nossa ideia é que este logo além de identificar o Projeto e a equipe do Registro, também identifique os locais de manejo tradicional da Canoa Caiçara, assim como na Praia da Enseada.
Assim, os interessados em reproduzir nossa placa receberão a arte do logo para confeccionarem sua própria sinalização local.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Ato pela salvaguarda da canoa caiçara

Contribuindo para o registro da Canoa Caiçara (clique aqui e conheça o projeto) em 9 de dezembro (sábado) próximo, em Ubatuba, na praia da Barra Seca as 10h acontecerá o evento: Vivência da canoa caiçara – “Ato pela salvaguarda da canoa caiçara” . Acesse o DOSSIÊ CANOA CAIÇARA 2012.
"CAIÇARA EM CONSTRUÇÃO" Praia da Barra Seca, Ubatuba, SP. Fonte: Helbert Ramon facebook
Saiba mais sobre o evento em: http://fundart.com.br/festa-fandango-caicara-acontece-em-dezembro-2/

ATUALIZAÇÃO: FOTOS DO EVENTO DIA 09/12/17 (fotos: Peter Santos Németh)
                      Se depender desse povo guerreiro a salvaguarda já é uma realidade.










sábado, 7 de outubro de 2017

MAPA DA CANOA CAIÇARA

Apresentamos o Mapa Colaborativo da Canoa Caiçara (CLIQUE AQUI PARA ACESSAR).

A Canoa Caiçara, como toda embarcação tradicional, é expressão material da inventividade e personalidade cultural da comunidade que a produziu. Para construir uma Canoa Caiçara é preciso dominar um sofisticado sistema de saberes associados às artes da pesca, navegação e carpintaria naval, modeladas ao longo de gerações especialmente para as condições náuticas locais, com a matéria prima disponível e adaptada aos usos e necessidades sociais específicas de um território.

"Consideramos território caiçara o espaço litorâneo entre o sul do Rio de Janeiro e o Paraná onde se desenvolveu um modo de vida baseado na pequena produção de mercadorias que associa a pequena agricultura e a pesca, além de elementos culturais comuns, como o linguajar característico, festas e uma forma específica de ver o mundo. Apesar das características comuns a todas as comunidades caiçaras, existem variações culturais importantes entre o litoral sul do Rio de Janeiro, norte de São Paulo e sul de São Paulo e Paraná que se explicam pelos tipos e graus de inserção nas economias regionais e pela contribuição, em grau variado, das diversas matrizes culturais. Essas diferenças se refletem, por exemplo, nos tipos de embarcações usadas e que se distinguem pela função e tipo de ambiente em que são utilizadas (mar, estuário, rios) bem como pelo diferente aporte de outras culturas (como a baleeira trazida pelos catarinenses açorianos) vizinhas como a caipira e a açoriana". (DIEGUES, Enciclopédia Caiçara, Vol. 1, pg. 25)


Mapa do território Caiçara por Diegues (2005): Enciclopédia Caiçara, Vol. 4, pg. 320. 

 O registro do Complexo Cultural da Canoa Caiçara deve portanto abranger as diferentes dimensões de seu papel na cultura local, os múltiplos saberes artesanais envolvidos em sua construção e uso, assim como o universo simbólico - festas, lendas, lugares de uso e de memória -, que a envolve.
Acreditamos que o reconhecimento institucional, pelo Estado brasileiro, da cultura Caiçara, é instrumento fundamental para a garantia de direitos constitucionais reservados aos grupos e comunidades tradicionais. Assim contribuindo para a formulação de políticas públicas de planejamento territorial, ambiental e fundiário, em um projeto de desenvolvimento que abrigue os produtores e detentores desta importante e ameaçada parcela da cultura nacional.
Neste sentido, o Mapa da Canoa Caiçara se constitui não apenas como um banco de dados mas também como instrumento de divulgação e mobilização em torno do reconhecimento da Cultura Caiçara. 
Para tanto, convidamos a todos os interessados a participar, com a elaboração do MAPA DA CANOA CAIÇARA (clique) através do facebook. Onde todas as informações serão recebidas, filtradas e depois plotadas por nossa equipe de colaboradores.

Texto por Adrian Ribaric e Peter Santos Németh.

Mais informações em: 


MAPA DA CANOA CAIÇARA Google Maps 



Foto: Peter Santos Németh, Praia da Enseada, Ubatuba, SP

sexta-feira, 20 de junho de 2014

SEMINÁRIO DE CULTURA CAIÇARA EM SÃO SEBASTIÃO

Fonte: http://www.pesnochao.org.br/seminario.html.

Este evento tem como propósito promover a difusão de elementos da cultura tradicional caiçara junto aos professores do ensino público de Ilhabela e São Sebastião e demais interessados.
Foram convidados estudiosos deste universo para compartilhar seus conhecimentos, ampliar o interesse pelo assunto e instrumentalizar os educadores para novas abordagens dentro de sala de aula.

O registro da Canoa Caiçara como Bem Cultural Imaterial junto ao IPHAN, será abordado em uma palestra no dia 25 de junho pela manhã.

O Seminário acontece no Teatro Municipal de São Sebastião, nos dias 24 e 25 de junho, 

das 9:00 às 13:00 horas

Outras informações podem ser obtidas pelo telefone 12 3896 6727






Programação:

COMO FOI: CLIQUE AQUI


quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

A FUNDART de Ubatuba amplia o acervo sobre a Canoa Caiçara.

fonte: Fundart - http://fundart.com.br/contribua-com-campanha-pelo-registro-da-canoa-caicara/

Contribua com a Campanha pelo Registro da Canoa Caiçara

A Canoa Caiçara, bem cultural imaterial brasileiro, em processo de registro no IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, conta com a colaboração da população no inventário oficial.

O requerimento de registro da Canoa Caiçara como bem cultural imaterial brasileiro foi encaminhado para o IPHAN em 2012, pela Associação de Pescadores da Enseada de Ubatuba. Em abril de 2013, o Conselho Consultivo do IPHAN iniciou uma campanha junto aos órgãos competentes pelos processos e práticas culturais referentes à Canoa Caiçara dentro de seu território cultural.

A Campanha que localizará, identificará e mapeará semelhanças e técnicas construtivas dos Mestres Canoeiros com o objetivo de preparar o processo de registro em todo o litoral sul fluminense, paulista e norte paranaense, agora conta com você que possui imagens ou textos antigos que possam colaborar com o documento oficial.

A FundArt reuniu toda a sua documentação – fotos e registros oficiais na cidade de Ubatuba, inclusive o “Livro de Ouro” da Canoa Maria Comprida em sua viagem a Santos em 1973 para compor o inventário.

Interessados em colaborar poderão entregar uma cópia do material até o dia 13 de dezembro, próxima sexta-feira, na seda FundArt – Praça Nóbrega, 54 – Centro, das 8h às 12h e das 14h às 18h. Telefone: (12) 3833-7000.

foto: Élvio Damásio - Ubatumirim

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

PARATY LANÇA CAMPANHA DE APOIO AO REGISTRO DA CANOA CAIÇARA JUNTO AO IPHAN

Dia 16 de agosto último a Secretaria de Cultura de Paraty lançou a campanha de apoio ao registro da Canoa Caiçara como bem cultural imaterial do Brasil.
Estiveram presentes os Srs. Ronaldo dos Santos, secretário de cultura; André Bazanela, chefe do Iphan de Paraty; Robson Dias Possidonio, fórum das comunidades tradicionais, de Trindade; Mestre Vítor Cardoso do Carmo, Mestre canoeiro da Trindade; Peter Santos Németh, proponente do Registro representando a APE-Associação Pescadores da Enseada e Mário Ricardo de Oliveira, Mestre rabequeiro representando a Fundart-Ubatuba; no salão nobre do paço municipal de Paraty que estava lotado.
O intuito do Registro é garantir a continuidade e a salvaguarda dos saberes e fazeres associados à construção da Canoa Caiçara que é o símbolo maior da Cultura Caiçara. A importância da Canoa Caiçara está oculta dentro do processo empírico que engloba sua confecção e seu uso na faina diária da pesca tradicional. São saberes que apenas existem na mente do Mestre e somente possíveis de serem transmitidos através da oralidade.
Apoiam esta iniciativa desde 2011, a Associação Pescadores da Enseada - APE, FUNDART - Prefeitura de Ubatuba, Nupaub-USP, Museu Caiçara de Ubatuba, APA Marinha - LN, Fundação PróTamar - Ubatuba, Instituto Costa Brasilis, União dos Moradores da Juréia, Amyr Klink Projetos Especiais, os remadores das corridas de canoas do Litoral Norte, além de vários colaboradores e admiradores da Canoa Caiçara.
A adesão de Paraty ao Registro com a criação desta Campanha de apoio veio contribuir e abrilhantar ainda mais este projeto agregando mais colaboradores e compilando informações da região sul fluminense que carecia de maior coleta de dados relacionados à Canoa Caiçara.
 foto: Peter Németh
Aumenta assim a visibilidade sobre as questões que impedem ou prejudicam a reprodução cultural da Nação Caiçara, principalmente a defesa e o direito ao uso de seus Territórios Tradicionais ancestrais tanto em terra quanto no mar, cada vez mais ameaçados pelo ambientalismo radical que exclui o homem da natureza e pela especulação imobiliária devastadora.
Agora o Iphan deverá nos próximos anos solicitar mais estudos relacionados aos saberes e fazeres da Canoa Caiçara para delimitar ainda mais o recorte do bem a ser registrado, principalmente nos litorais sul paulista e norte paranaense, para que o Registro seja definitivamente inscrito no Livro dos Saberes.

Fontes:
http://canoadepau.blogspot.com.br/2013/01/conselheiro-do-iphan-visita-mestres.html
http://canoacaicarabrasil.blogspot.com.br/
http://fundart.com.br/fundart-prestigia-31o-festival-da-cachaca-cultura-e-sabores-de-paraty/

segunda-feira, 24 de junho de 2013

PROCURA-SE: MESTRES CANOEIROS CAIÇARAS

Prezados amigos da Canoa Caiçara, após a última resolução do IPHAN que julgou pertinente o requerimento do pedido de registro da Canoa Caiçara como Bem Cultural Imaterial do Brasil, inicia-se uma nova fase, talvez mais complicada, na qual será necessário principalmente inventariar os Mestres Canoeiros Caiçaras dos litorais sul fluminense, paulista e norte paranaense, ainda em atividade.
O Território Caiçara, abrange toda a região costeira desde a Baía de Angra dos Reis no Rio de Janeiro até Paranaguá no Paraná e é principalmente dentro desse território que se insere a Cultura Caiçara.
mapa: Diegues (2005) Enc. Caiçara Vol. IV, pag. 320.

Ainda dentro desse Território será preciso identificar as semelhanças das técnicas construtivas dos Mestres, principalmente da técnica de "bater linha", utilizada para marcar o tronco com um barbante embebido com carvão em pó e água, definindo assim as linhas da Canoa Caiçara em suas etapas de construção.
Essas linhas, que são em torno de 25, são a base de um entalhe perfeito da Canoa Caiçara.
Assim, dentro em breve, será feito um esforço para localizar, identificar e mapear estes últimos Mestres Canoeiros a fim de instruir o processo de registro da Canoa Caiçara.
Todos que puderem colaborar, principalmente com informações do litoral sul paulista e norte paranaense, que são os menos estudados, serão de fundamental importância nesse processo de resgate.
foto: facebook - Revelando São Paulo, Vale do Ribeira - Jaire e Mumuna
    

quinta-feira, 13 de junho de 2013

MOVIMENTO PELA CANOA CAIÇARA GANHA ALIADOS

(30/05/2013)
Pelo resgate da canoa caiçara

Paraty quer valorizar a embarcação tradicional
Tradicional meio de transporte utilizado pelos paratienses, a canoa caiçara está ganhando aliados para a sua preservação. Por iniciativa da Secretaria Municipal de Educação, uma reunião envolvendo os órgãos integrantes da Rede CEA - Coordenação de Educação Ambiental, discutiu nesta terça-feira (28), na sede do ICMBio, os trâmites para transformar a embarcação em Patrimônio Cultural do Brasil.
A canoa, esculpida em troncos de madeira nativa, mantém em si a memória viva caiçara. Para valorizar essa cultura, a Rede CEA vai inscrevê-la no Programa “Barcos do Brasil”, do Governo Federal que incentiva a preservação das embarcações tradicionais brasileiras.
Com o apoio da Prefeitura, a Rede planeja promover ações educativas por meio de passeios com as crianças. O primeiro deve acontecer na Ilha do Araújo.
No encontro, a Associação Cairuçu divulgou o processo de gravação do documentário sobre as canoas paratienses. Na pesquisa foi descoberto que há cinco tipos de embarcações diferentes produzidas no município.
O Instituto Náutico Paraty divulgou que vai manter a canoa à vela na Regata Internacional de Veleiros Clássicos, que acontece em agosto. A ideia é ampliar a prova, contando além dos alunos do INP, com a participação dos caiçaras.
A próxima reunião do grupo será no dia 18 de junho.

       

Participam da Rede CEA:
Secretaria de Educação
Secretaria de Cultura
Secretaria de Pesca e Agricultura
Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente - Seduma
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMbio
Instituto Estadual do Ambiente - Inea
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Iphan
Instituto Náutico de Paraty
Associação Cairuçu
Oju Moran
Associação Casa Azul
FONTES: http://www.paraty.com.br/noticiasparaty.asp?id=3355 em 13-06-13
http://www.cairucu.org.br/associacao/paraty/nautica-em-paraty-canoa-caicara-pode-virar-patrimonio-cultural-do-brasil/

segunda-feira, 10 de junho de 2013

IPHAN ACEITA COMO PERTINENTE O PEDIDO DE REGISTRO DA CANOA CAIÇARA

Dia 10 de abril de 2013, o Conselho Consultivo do Iphan considerou o requerimento de registro da Canoa Caiçara como bem cultural imaterial brasileiro, pertinente. Isso significa que a primeira etapa para o registro definitivo foi cumprida. Agora um amplo estudo abrangendo as outras áreas do território Caiçara nos litorais fluminense e paranaense será iniciado. Esperamos poder continuar contribuindo nesse processo para que o registro definitivo se concretize. Agradecemos imensamente a todos os apoiadores e contamos com vocês ainda neste longo percurso que virá. Leia o ofício abaixo e assista aquí um vídeo sobre este processo.

sexta-feira, 22 de março de 2013

DOSSIÊ CANOA CAIÇARA AGORA DISPONÍVEL ON-LINE

Prezados amigos da Canoa Caiçara, agora o Dossiê Canoa Caiçara que instrui o processo de pedido de registro da Canoa Caiçara como bem cultural imaterial do Brasil está disponível na íntegra on-line.
Trata-se de cópia do original que foi protocolado junto ao Iphan.

Acesse o Dossiê clicando aqui.

 "ARMADA"

Saiba mais sobre o processo de registro da Canoa Caiçara clicando aqui.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

CONSELHEIRO DO IPHAN VISITA MESTRES CANOEIROS


Dia 15 de janeiro de 2013, esteve visitando os Mestres Canoeiros de Ubatuba o Sr. Luiz Phelipe Andrès, conselheiro consultivo do IPHAN, e integrante da Câmara do Patrimônio Imaterial por onde passa o processo de registro da Canoa Caiçara como bem cultural imaterial brasileiro. 
 
Para o encontro estavam presentes a os Mestres Agricio Neri Barbosa, seu filho Manoel Neri Barbosa, (o Baéco), e Renato Bueno que debateram(veja aqui) longamente com o Sr. Luiz Phelipe sobre os elementos constitutivos da cultura caiçara implicados na fabricação da canoa. A visita teve o intuito de coletar informações para adiantar o processo de avaliação do pedido de registro feito pelo pesquisador Peter Santos Németh que deverá ser avaliado pelo IPHAN em abril próximo.
 
Este é o primeiro pedido de registro de bem cultural imaterial relacionado à embarcações brasileiras já feito. Caso seja aprovado o requerimento inicial, o registro efetivo dos saberes e fazeres do Mestres Canoeiros Caiçaras como patrimônio cultural do Brasil ainda necessitará de um inventário e de um plano de salvaguarda(veja) que assegure a transmissão deste conhecimento para as futuras gerações.
Apoiam esta iniciativa a Associação Pescadores da Enseada - APE, FUNDART - Prefeitura de Ubatuba, Nupaub-USP, Museu Caiçara de Ubatuba, APA Marinha - LN, Fundação PróTamar - Ubatuba, Instituto Costa Brasilis, União dos Moradores da Juréia, Amyr Klink Projetos Especiais, os remadores das corridas de canoas do Litoral Norte, além de vários colaboradores e admiradores da Canoa Caiçara. 

Fotos: Peter Santos Németh
Mais informações:

segunda-feira, 11 de junho de 2012

DOCUMENTÁRIO "CANOA CAIÇARA" REGISTRA O UNIVERSO DA CANOA DE UM SÓ PAU

Dentro do projeto Com Quantas Memórias se Faz uma Canoa, foi realizado o documentário Canoa Caiçara que de maneira poética registra o universo material e simbólico dos pescadores artesanais de canoa a remo.
A importância da canoa como veículo que carrega em suas linhas habilmente entalhadas por poucos mestres canoeiros ainda em atividade em Ubatuba, São Paulo, é capturada por depoimentos de vários mestres, Seu Domingos da Sete Fontes e seu Filho Renato Bueno, Maximiliano do Cambury, Seu Filhinho da Picinguaba, Seu Gino da Barra Seca e Nélio, e o grande mestre do litoral norte o Baéco, filho do Seu Agrício Neri Barbosa do Ubatumirim, o mais renomado mestre canoeiro da região.


Foto: Peter Santos Németh - Ico/Enseada

De modo quase didático, o diretor Luiz Bargmann extrai naturalmente destes mestres, técnicas empíricas que só podem ser passadas de geração em geração através da oralidade.
O vídeo completo está disponível no endereço:
http://www.fau.usp.br/intermeios/pagina.php?id=43
Atualmente o modo de fazer da canoa caiçara e os saberes e fazeres dos Mestres Canoeiros estão em fase de registro junto ao IPHAN para serem reconhecidos como Bem Cultural Imaterial Brasileiro.

sábado, 3 de dezembro de 2011

CANOA CAIÇARA: BEM CULTURAL IMATERIAL DO BRASIL-IPHAN

A Canoa Caiçara é uma embarcação especialmente desenvolvida e adaptada para a pesca costeira de subsistência que ocorre no litoral sul fluminense, paulista, até o litoral norte paranaense. Sua produção totalmente artesanal é de domínio exclusivo de poucos mestres canoeiros ainda em atividade, que utilizando saberes e fazeres ancestrais transmitidos de geração em geração através da oralidade[1], conservam este patrimônio cultural capaz de assegurar a autonomia desta população tradicional em plena harmonia com o ambiente marinho e terrestre em que vivem.

 A cultura caiçara relacionada a construção de canoas corre o risco de desaparecer devido à falta de interesse de seus herdeiros em continuar a atividade, seja pela baixa remuneração, pela dificuldade do trabalho ou pela legislação ambiental que dificulta o acesso às matérias-primas.

 Torna-se necessário portanto não apenas garantir o acesso sustentado do caiçara aos grandes troncos de árvores, mas também resgatar e valorizar seu universo cultural tradicional para que as novas gerações se interessem, se envolvam, ampliem o conhecimento e o reproduza, perpetuando-o.

A canoa esculpida em um único tronco de árvore denominada canoa caiçara, é uma embarcação que carrega em suas linhas habilmente entalhadas a associação direta à população dos pescadores caiçaras que habitam a faixa litorânea que vai do litoral sul fluminense, paulista, até o norte paranaense.[2]

Seu design especial com características próprias, desenvolvidas e aperfeiçoadas visando garantir para esta atividade pesqueira tradicional a máxima funcionalidade e segurança com a mínima manutenção e gasto energético, garantiu a sobrevivência desta população caiçara em perfeita harmonia com o ambiente natural em que se inserem até os dias atuais.

A canoa caiçara desperta a curiosidade e admiração naqueles que a conhecem pela primeira vez, pelo fato de ser construída a partir de um único tronco de madeira. Também é motivo de veneração quase mística por aqueles que conhecem profundamente suas qualidades e segredos, que se revelam apenas durante os anos de intimidade diária nas pescarias de subsistência.

Objeto de raros estudos sobre suas características e técnicas construtivas, reunindo aspectos simbólicos, étnicos, técnicos e ergológicos, cujos únicos detentores destes saberes tácitos são os mestres caiçaras construtores de canoas de um só tronco, a canoa caiçara ainda carece do reconhecimento oficial como patrimônio cultural do povo caiçara.

Este dossiê reunindo fotos, relatos, estudos, pesquisas, vídeos e documentos relativos à descrição sistemática e pormenorizada do modo de fazer e dos saberes, junto com técnicas de uso de ferramentas, relacionados à canoa caiçara, tem por objetivo instruir o processo de tombamento dos saberes e fazeres relacionados à canoa caiçara de um só tronco produzida em território caiçara, para registro no Livro de Registro de Saberes junto ao IPHAN, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, como bem cultural de natureza imaterial do Brasil, baseando-se nos artigos 215 e 216 da Constituição Federal de 1988, Decreto nº 3.551 de 4 de agosto de 2000 e no Decreto Federal nº 6.040 de 7 de fevereiro de 2007.   



[1] Roberto Verschleisser, Com quantos paus se faz uma canoa um estudo de casos 1990.  Dissertação Escola de Belas Artes-UFRJ.
[2] Antonio Carlos Diegues, Diversidade biológica e culturas tradicionais litorâneas: o caso das comunidades ciçaras 1988. NUPAUB-USP e Wanda Maldonado, Da mata para o mar: a construção da canoa caiçara em Ilhabela/SP  2001.  Dissertação PROCAM-USP.

Foto: Peter Santos Németh, Praia do Ubatumirim, Ubatuba, SP.