Essa sequencia de fotos foram tiradas entre março de 2011 e abril de 2012.
Foi após esta reforma que a Marvada ganhou a sua faixazinha amarela marcando a linha do bordo.
Agora ela já precisa "botar pedaço na garra de proa" e "catar" mais algum pedaço "pijuco".
A turma já está cobrando a presença da Marvada nas corridas de 4 remos!
Tudo começa com uma "cutucadinha" onde tá "pijucando"...
Depois "pra botar pedaço", a gente "afeiçoa um sobrenício"
Aí a gente faz a cola
Lixa tudo e ninguém mais descobre onde é que tá o pedaço.
Prezados amigos, convido todos que tiverem interesse em assistir a defesa da dissertação de mestrado cujo resumo segue abaixo. Será dia 15 de setembro próximo, as 10 horas no NUPAUB - USP. Comissão Julgadora: Prof. Dr. Antonio Carlos Sant'Ana Diegues, NUPAUB/USP, Orientador e Presidente da Comissão; Prof. Dr. Alexander Turra, IO/USP; Profa. Dra. Cristiana Simão Seixas, UNICAMP; Profa. Dra. Sueli Angelo Furlan, PROCAM/IEE/USP.
O presente estudo busca analisar os saberes e “técnicas
patrimoniais” (DIEGUES, 2008: p.63) utilizadas pela população dos pescadores
caiçaras que atuam na região da Ilha Anchieta e Enseada do Flamengo, em
Ubatuba, litoral norte do Estado de São Paulo. Este corpo cumulativo de
habilidades especiais, transmitidas oralmente, compõem o conhecimento
tradicional pesqueiro local, patrimônio imaterial sobre o qual fundamentam sua reprodução
sociocultural e o manejo de seus pesqueiros[1]
tradicionais. Serão abordadas as relações entre a “apropriação social do
ambiente marinho” (GEISTDOERFER, 1974; 1982; CORDELL, 1989; 2000; DIEGUES, 2004a)
e os conflitos decorrentes do embate entre essa noção ancestral de propriedade
por parte dos pescadores artesanais locais e as questões legais do
gerenciamento territorial desses pesqueiros
pelos órgãos oficiais. Hoje, a disputa pelo domínio sobre esses recursos
pesqueiros comuns (seja por órgãos governamentais conservacionistas ou de
fomento à pesca, seja pela pressão política da pesca capitalista de escala
industrial e da pesca esportiva amadora) cria frágeis mecanismos de regulação
do acesso a esses “pesqueiros” (CORDELL, 1974; 1989; GEISTDOERFER, 1982; NIETSCHMANN,
1989) e aos recursos que neles ocorrem, quase sempre excluindo o pequeno pescador
artesanal do processo de tomada de decisão e governança. Essa regulação
pesqueira, federal ou estadual, feita “de cima para baixo” (LEIVA, 2014: p.138)
ignorando deliberadamente as peculiaridades locais e “os processos e mecanismos
pelos quais os grupos estabelecem, mantêm e defendem o usufruto ou a posse de
espaços interessantes” (MALDONADO, 1994: p.35). Este sistemático des-respeito atropela e põe em risco a
característica fundamental que rege e sustenta todo o universo sociocultural e
simbólico dessas populações tradicionais locais: a sua liberdade e autonomia
(CUNHA, 2000: p.108, RAMALHO, 2007: p.36, BRANDÃO, 2015: p.75), ou seja, a
capacidade de governarem a si próprios.
Palavras-chave: conhecimento
tradicional, territórios pesqueiros, apropriação social do ambiente marinho, direito
consuetudinário caiçara.
[1] Além
das palavras estrangeiras, utilizar-se-á também o itálico para destacar as
expressões especiais do vocabulário técnico tradicional caiçara local.
Se esqueci de algum nome nos agradecimentos me perdoe pois são mais de 10 anos de amizades para agradecer e eu posso ter me esquecido de alguém durante este longo percurso, obrigado a você também.
Agradecimentos:
Agradeço
às minhas famílias, os Both Németh, os Carvalho Santos, os Casalderrey
Prochaska. Minha querida Lilian e meu filho Rafael, sempre o porto seguro
durante os tempos de mar revolto, amo vocês.
Minha
gratidão e reverência a todos os “fogos” caiçaras de norte a sul de Ubatuba,
que me adotaram como a um filho, iniciando-me nos segredos da arte pesqueira
tradicional. Em especial à Turma da Enseada, os dos Santos, os
Giraud, os Góis, os Graça, os de Oliveira e os de Jesus e aos amigos bravos
remadores ubatubanos da AARCCA, rema!
Agradeço
em especial ao Prof. Diegues pela imensa generosidade em abrir as portas da
academia para um simples “pescador” e também ao Luiz Bargmann Netto, primeiro
apoiador do meu trabalho como pesquisador.
Obrigado
aos pesquisadores locais, José Ronaldo dos Santos, Julio César Mendes, Mário
Ricardo de Oliveira e Élvio de Oliveira Damásio: os “três mosqueteiros” da
resistência caiçara ubatubana. Peço bênçãos em nome do Divino Espírito Santo,
obrigado Foliões!
Ao
povo paulista pela manutenção do NUPAUB/PROCAM/IEE/USP; aos colegas,
funcionários e professores que incentivaram a integração de conhecimentos:
Sueli Furlan, Adrian Ribaric, Gustavo Moura, Luiz Beduschi, Sílvia Zanirato,
Pedro Jacobi, Paulo Sinisgalli, Eduardo Caldas, Alexander Turra, Maria Gasalla,
Claudia Santos, Ivan Martins, Caiuá Peres, Henrique Kefalás, Antonio Afonso,
Samuel Yang, muito obrigado.
Um
imenso obrigado ao MAPA-Ubatuba, Ana Maria Paschoal da Cruz e Paulo Vasco e Fundação Florestal, Lucila Pinsard Vianna e Priscila Saviolo Moreira.
Agradeço
aos companheiros dos vários fóruns de discussão dos quais participei no litoral
norte: APE, MAPEC, AMESP, Z-10, CMDRP, PEIA, APA Marinha do L.N., PMU, SEAP/MPA,
TAMAR, e especialmente aos amigos pesquisadores do Instituto de Pesca de
Ubatuba, Sérgio Ostini (in memoriam),
Élvio Damásio, Helcio Marques, Valéria Gelli, Ricardo Pereira, Marcelo Alves,
Roberto Seckendorff, Venâncio de Azevedo, Laura de Miranda, Marcus Carneiro e
Eduardo Sanches. Vocês do “Pesca” são
valorosos semeadores de mares e de mentes.
Muito
obrigado ao povo brasileiro pela bolsa CAPES de auxílio à pesquisa.
A MANUTENÇÃO E TRANSMISSÃO DO SABER TRADICIONAL CAIÇARA
A capacidade adaptativa das comunidades caiçaras a um
ambiente marinho sujeito a bruscas mudanças e as relações entre cultura e
natureza dentro de uma abordagem human-in-ecosyistem
(BERKES et al.,
2003:53), contribuem com a visão de que o conhecimento
tradicional acumulado e transmitido oralmente pelos mais idosos e experientes
são fundamentais para a manutenção desta capacidade adaptativa frente às
grandes mudanças que muitas vezes podem ocorrer e se repetir em períodos
cíclicos, sendo portanto fundamental a manutenção e reprodução destes saberes
tradicionais entre as gerações, para que elas estejam preparadas no futuro.
Aprendizagem, ou enskilling, é um processo que pode ser
descrito como a “educação da atenção”, deste modo anciãos criam contextos
estruturados através dos quais o iniciante pode construir as suas próprias
habilidades de percepção em relação ao meio ambiente total, biofísico e social.(...)O
conhecimento do ambiente, nesta perspectiva, é “(...) não de um tipo formal,
autorizado, transmissível em contextos fora aqueles de sua aplicação prática.
Pelo contrário, baseia-se no sentimento, que consiste nas habilidades,
sensibilidades e orientações que se desenvolveram através da longa experiência
de conduzir a vida em um ambiente particular” (Ingold, 2000). (BERKES et al.,2003:68).
O vídeo a seguir retrata in loco como estas operações de transmissão de saber acontecem na prática diária da atividade pesqueira artesanal. O link: http://www.youtube.com/playlist?list=PLBpXFzQ1-RlO0pNrEXFxmDI2p3eZW5xJ9 remete a uma série de 7 vídeos filmados na Praia da Enseada em Ubatuba - SP , que detalham como naturalmente acontece este processo didático tradicional.
Todos estes aspectos levantados por Davidson-Hunt e Berkes
ainda contribuem para a formação dos conceitosde identidade cultural e sentido
de lugar (BERKES et al., 2003:73)
que são considerados associados às atividades práticas das pessoas, às
percepções de um ecossistema, e às redes de trabalho relacionais que as pessoas
constróem dentro deste ecossistema. Sendo portanto fundamental para os autores,
incentivar e assegurar que as pessoas que estão “atentas à terra” sejam capazes de continuar a ganhar a vida em um ecossistema,
como uma maneira eficaz para nutrir sistemas sócio-ecológicos rompendo com a dicotomia
amplamente aceita da oposição entre subsistência e natureza.
Fontes:
1- BERKES, F.; COLDING, J,; FOLKE C. (edit) (2003). Navigating social-ecological systems: building resilience for
complexity and change.Cambridge: University Press.
2-NÉMETH. P. S.(2012). A
tradição pesqueira caiçara da Ilha Anchieta em Ubatuba, São Paulo; os impactos da criação do parque estadual sobre a reprodução sociocultural.
Mais uma vez temos a honra de convidar a todos os amigos da Canoa Caiçara para a III Corrida de Canoas - Pescadores da Enseada, 2012.
Este ano além das tradicionais provas de 1, 2 e 3 remos, também estaremos promovendo a super-oferta de inverno do nosso mexilhão de cultivo que será vendido "in natura" com 50% de desconto.
Dias 10 e 11 de abril passado a equipe do programa Globo Mar esteve em visita à Ubatuba para retratar o cotidiano dos pescadores caiçaras locais em sua faina pesqueira.
O roteiro das visitas foi elaborado por Peter Santos Németh que trabalha a quase 10 anos juntos aos pescadores tradicionais do litoral norte de São Paulo e atualmente elabora pesquisa sobre o assunto.
Foram visitadas as comunidades da Praia da Enseada e da Vila de Picinguaba.
Assita aqui: http://g1.globo.com/platb/globomar/2012/06/15/paglia-mostra-belezas-e-historias-do-litoral-norte-de-sp/
Na Enseada o Parque Aquícola Enseada do Flamengo, que integra o Plano Local de Desenvolvimento da Pesca e Maricultura Sustentáveis (PLDPMS) foi visitado pela equipe do apresentador e jornalista Ernesto Paglia que mostrou a pesca com Cerco Flutuante que está sendo regularizada pela APA Marinha do LN,http://www.ubaweb.com/revista/g_mascara.php?grc=37831, o cultivo experimental de Kapafícus (alga marinha) em parceria com a Prefeitura Ubatuba, SMAPA e Instituto de Pesca http://www.pesca.sp.gov.br/noticia.php?id_not=7593 e a mitilicultura ou cultivo de mexilhões http://www.rbma.org.br/mercadomataatlantica/ficha_0114.asp
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Depois, seguimos rumo a Vila de Picinguapa onde pernoitamos e no dia seguinte seguimos para a Ilha das Couves junto com o s maricultores locais que tocam o Projeto Vieiras junto com a EcoAssociação. http://www.ecoassociacao.org.br/
Este projeto é muito bonito assim como o local que é paradisíaco, e as vieiras estão enormes e deliciosas, vale a pena visitar.
O Progama será exibido dia 14 de Junho perto da meia noite na Globo, e será o último episódio da temporada 2012. Agradecemos imensamento a todos os pescadores e maricultores que ajudaram nas gravações e também os parceiros da Maricultura Paulista, AMESP, ECOASSOCIAÇÃO, APE, SMAPA-PMU, INSTITUTO DE PESCA, APA MARINHA LN, MARINHA DO BRASIL, SPU, MPA, CETESB.