30 de Janeiro de 2010, Praia da Enseada.
Uma "trancada" de bonito (Euthynnus
alletteratus) nos dois cercos flutuantes,
Turma do Sul e Turma da Espia.
Vou deixar a sequência das fotos falarem por si.
Fotos: Peter Santos Németh
Mostrando postagens com marcador cerco flutuante. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cerco flutuante. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 6 de março de 2015
domingo, 26 de janeiro de 2014
O QUINHÃO - A REPARTIÇÃO DOS PEIXES
A divisão em partes, ou quinhão, é uma instituição Caiçara tradicionalíssima.
Em 1947, Carlos Borges Schmidt escreveu em Alguns Aspectos da Pesca no Litoral Paulista:
"Recolhido e amontoado o peixe no enxuto. arrastada a rede em sêco antes que se cuide de outra coisa, tem lugar a repartição. Os sócios do trabalho receberão agora, cada um a sua paga. Do peixe todo amontoado, retira-se o terço. este pertence ao dono da rede. (...) Os dois terços restantes pertencem aos camaradas, aos ajudantes e ao espia. Os primeiros têm direito a um quinhão, os ajudantes a meio quinhão e por fim, o espia a pagamento dobrado: dois quinhões. À responsabilidade maior, ao trabalho mais prolongado ( O espia persegue o cardume durante noite e dia até que ele fique ao alcance das redes. Nota minha.), à capacidade profissional mais desenvolvida - a paga justa e merecida. Formam, os que trabalharam, um círculo ao redor do peixe amontoado e que vai ser repartido. Nada de cálculos matemáticos: a repartição é mecânica. ( Nesse caso, a pesca da tainha, trata-se de apenas uma qualidade de peixe pescado. Nota minha.) O redeiro vai distribuí-lo, peixe por peixe, de um em um, ou em maior número de cada vez, tal seja a proporção da colheita."
Gioconda Mussolini por volta de 1950 também aborda o tema em Ensaios de Antropologia Indígena e Caiçara, sobre a pesca da tainha:
Para iniciar-se a divisão, trata-se primeiro de separar o terço. (...) Do monte maior sairá o "quinhão" dos que trabalharam, quinhão variável segundo o vulto da pescaria e o número de participantes. Para isso, se não há muito peixe, a tarefa é fácil: dispõe-se os camaradas em círculo ao redor e aos seus pés vai sendo lançado, um por um, até perfazer a roda toda, (...)
No caso do vídeo acima, a pesca efetuada foi a do cerco flutuante, e as várias espécies diferentes que foram capturadas são divididas entre os quatro camaradas. Assim, o pescador mais antigo divide o peixe levando em conta sofisticadas graduações de valor relativas a qualidade do peixe, estado físico e equivalência. Por exemplo uma anchovinha vale menos que uma cavala "podre" (diz-se de podre, um peixe com a guelra esbranquiçada), e esse valor menor é compensado por um vermelho grande.
Já os galos, que são apenas dois, vão para os donos do cerco flutuante, e a miuçalha e os peixes roídos podem ser doados.
O quinhão é uma legítima instituição Caiçara que perdura até os dias de hoje, levando-nos a uma reflexão profunda sobre o valor e a organização social do trabalho em casos onde o dinheiro pode ser dispensado.
Em 1947, Carlos Borges Schmidt escreveu em Alguns Aspectos da Pesca no Litoral Paulista:
"Recolhido e amontoado o peixe no enxuto. arrastada a rede em sêco antes que se cuide de outra coisa, tem lugar a repartição. Os sócios do trabalho receberão agora, cada um a sua paga. Do peixe todo amontoado, retira-se o terço. este pertence ao dono da rede. (...) Os dois terços restantes pertencem aos camaradas, aos ajudantes e ao espia. Os primeiros têm direito a um quinhão, os ajudantes a meio quinhão e por fim, o espia a pagamento dobrado: dois quinhões. À responsabilidade maior, ao trabalho mais prolongado ( O espia persegue o cardume durante noite e dia até que ele fique ao alcance das redes. Nota minha.), à capacidade profissional mais desenvolvida - a paga justa e merecida. Formam, os que trabalharam, um círculo ao redor do peixe amontoado e que vai ser repartido. Nada de cálculos matemáticos: a repartição é mecânica. ( Nesse caso, a pesca da tainha, trata-se de apenas uma qualidade de peixe pescado. Nota minha.) O redeiro vai distribuí-lo, peixe por peixe, de um em um, ou em maior número de cada vez, tal seja a proporção da colheita."
Gioconda Mussolini por volta de 1950 também aborda o tema em Ensaios de Antropologia Indígena e Caiçara, sobre a pesca da tainha:
Para iniciar-se a divisão, trata-se primeiro de separar o terço. (...) Do monte maior sairá o "quinhão" dos que trabalharam, quinhão variável segundo o vulto da pescaria e o número de participantes. Para isso, se não há muito peixe, a tarefa é fácil: dispõe-se os camaradas em círculo ao redor e aos seus pés vai sendo lançado, um por um, até perfazer a roda toda, (...)
foto: Peter Santos Németh - Praia da Enseada |
O quinhão é uma legítima instituição Caiçara que perdura até os dias de hoje, levando-nos a uma reflexão profunda sobre o valor e a organização social do trabalho em casos onde o dinheiro pode ser dispensado.
sábado, 30 de março de 2013
Gestão Costeira - quem perde e quem ganha?
Aconteceu dia 27/03/2013 em São Vicente - litoral de São Paulo o Seminário Gerenciamento Costeiro - Gestão da Biodiversidade Costeira promovido pela UNESP. Participaram os professores do Procam-USP Antonio Carlos Diegues e Sueli Angelo Furlan além de outros pesquisadores; Adriana Mattoso (Fundação Florestal), Mariana Cabral de Oliveira (Projeto Biota – USP), Andréa Maranho (GREMAR) e Iara Bueno Giacomini (SMA).
Os temas das palestras foram na ordem: Gestão Costeira, UCs e Populações Tradicionais; Cartografia Ambiental em Apoio a Elaboração de Planos de Manejo de UCs Costeiras; Gestão de Áreas Protegidas na Zona Costeira; O Projeto Biota e a Conservação da Biodiversidade na Zona Costeira; Riscos à Biodiversidade pela Exploração de Petróleo; e Diagnóstico das Áreas Degradadas no Litoral Norte de São Paulo.
O seminário foi muito produtivo principalmente pela qualidade dos palestrantes que constituem a "nata" da pesquisa relacionada ao tema proposto.
A zona costeira do litoral paulista é a que mais sofre pressões provenientes das atividades antrópicas. Crescimento populacional desordenado atraído pelo polo petrolífero, projetos imobiliários inadequados, coleta e tratamento de esgotos e resíduos inexistente, políticas públicas municipais voltadas apenas para o benefício dos próprios governantes e seus financiadores.
Em meio a este fogo cruzado entre a política de exploração e a política de conservação encontra-se a população tradicional Caiçara que por mais de 50 anos sofre as consequências deste embate.
Por um lado o Caiçara perde suas terras, sua liberdade de movimentação, sua autonomia de viver do ambiente natural íntegro, e por outro é impedido de exercer suas atividades tradicionais de subsistência seja na pequena lavoura ou na pesca artesanal.
Em fevereiro último foi "retirado" da Ilha Anchieta o último cerco flutuante tradicional dos cinco que um dia existiram naquele sítio. Pior, a atividade da pesca em canoas e cercos flutuantes está descrita no plano de manejo do Parque Estadual da Ilha Anchieta - PEIA (GUILLAUMON, 1989).
No item 2.1.3.1 do plano de manejo, à pg. 63, encontramos definido como atrativo turístico: “Outras incursões são feitas à Praia do Sul ou à Praia do Leste, onde
existem pequenos ranchos de caiçaras que os utilizam quando em atividades de
pesca. Nesses locais os visitantes tomam conhecimento sobre o método de pesca
constituído pelo cerco e seus tratos de manutenção. Essas visitas costumam
durar cerca de 30 minutos.” Mais a frente encontramos: “Outra forma de uso que se
coloca, diz respeito à pesca artesanal, cuja ocorrência remonta à séculos, seja
pela aproximação esporádica de canoas, seja pela manutenção de uns poucos
cercos próximos a seu litoral.” (grifo meu).
Mas, como o próprio Prof. Diegues bem explicou em sua palestra(assista), ocorre um tipo de "picuinha" política entre os órgãos de fiscalização federais, Ibama, P.F., e estaduias F.F. e Polícia Ambiental.
No caso da Ilha Anchieta, o parque estadual abrange apenas a parte terrestre, no entanto, existe uma portaria Sudepe n. N-56 de interdição a pesca no entorno da Ilha, sob jurisdição federal, baseada em argumentos constantes num tal processo S/02848/79 que ninguém consegue acessar pois encontra-se "perdido" nos arquivos do Ibama em Brasília.
Segundo o ditado popular: na briga entre o mar e a pedra quem sofre é o marisco, ou seja, embora previsto em plano de manejo e também ter sido elaborada a Moção do Parque Estadual da Ilha Anchieta Nº 1/2013, de 14 de janeiro 2013 referente a permanência da atividade da pesca
com cerco flutuante, em 21 de fevereiro de 2013 o último cerco flutuante da Ilha Anchieta, na praia do sul, foi removido.
Foto: Carrilho-Projeto Museológico-PEIA - cerco flutuante praia do sul.
E assim publicou um dos fiscais do Ibama em seu post(leia aqui):
amigos,
em ação combinada de ibama/icmbio...na tarde de ontem...dia 21...foram flagradas duas embarcações na estação ecológica tupinambás...ubatuba...a tripulação de uma delas foi conduzida para o departamento de polícia federal...após tentativa de descartar pescado no mar....mas algo muito relevante foi executado...cerco flutuante que operava dentro do polígono de interdição à pesca da ilha anchieta foi DEFINITIVAMENTE removido. (grifos do autor).
em ação combinada de ibama/icmbio...na tarde de ontem...dia 21...foram flagradas duas embarcações na estação ecológica tupinambás...ubatuba...a tripulação de uma delas foi conduzida para o departamento de polícia federal...após tentativa de descartar pescado no mar....mas algo muito relevante foi executado...cerco flutuante que operava dentro do polígono de interdição à pesca da ilha anchieta foi DEFINITIVAMENTE removido. (grifos do autor).
sábado, 5 de maio de 2012
GLOBO MAR EXIBE MARICULTURA DO LITORAL NORTE EM JUNHO
Dias 10 e 11 de abril passado a equipe do programa Globo Mar esteve em visita à Ubatuba para retratar o cotidiano dos pescadores caiçaras locais em sua faina pesqueira.
O roteiro das visitas foi elaborado por Peter Santos Németh que trabalha a quase 10 anos juntos aos pescadores tradicionais do litoral norte de São Paulo e atualmente elabora pesquisa sobre o assunto.
Foram visitadas as comunidades da Praia da Enseada e da Vila de Picinguaba.
Assita aqui: http://g1.globo.com/platb/globomar/2012/06/15/paglia-mostra-belezas-e-historias-do-litoral-norte-de-sp/
Na Enseada o Parque Aquícola Enseada do Flamengo, que integra o Plano Local de Desenvolvimento da Pesca e Maricultura Sustentáveis (PLDPMS) foi visitado pela equipe do apresentador e jornalista Ernesto Paglia que mostrou a pesca com Cerco Flutuante que está sendo regularizada pela APA Marinha do LN,http://www.ubaweb.com/revista/g_mascara.php?grc=37831, o cultivo experimental de Kapafícus (alga marinha) em parceria com a Prefeitura Ubatuba, SMAPA e Instituto de Pesca http://www.pesca.sp.gov.br/noticia.php?id_not=7593 e a mitilicultura ou cultivo de mexilhões http://www.rbma.org.br/mercadomataatlantica/ficha_0114.asp
.

Depois, seguimos rumo a Vila de Picinguapa onde pernoitamos e no dia seguinte seguimos para a Ilha das Couves junto com o s maricultores locais que tocam o Projeto Vieiras junto com a EcoAssociação. http://www.ecoassociacao.org.br/
Este projeto é muito bonito assim como o local que é paradisíaco, e as vieiras estão enormes e deliciosas, vale a pena visitar.
O roteiro das visitas foi elaborado por Peter Santos Németh que trabalha a quase 10 anos juntos aos pescadores tradicionais do litoral norte de São Paulo e atualmente elabora pesquisa sobre o assunto.
Foram visitadas as comunidades da Praia da Enseada e da Vila de Picinguaba.
Assita aqui: http://g1.globo.com/platb/globomar/2012/06/15/paglia-mostra-belezas-e-historias-do-litoral-norte-de-sp/
Na Enseada o Parque Aquícola Enseada do Flamengo, que integra o Plano Local de Desenvolvimento da Pesca e Maricultura Sustentáveis (PLDPMS) foi visitado pela equipe do apresentador e jornalista Ernesto Paglia que mostrou a pesca com Cerco Flutuante que está sendo regularizada pela APA Marinha do LN,http://www.ubaweb.com/revista/g_mascara.php?grc=37831, o cultivo experimental de Kapafícus (alga marinha) em parceria com a Prefeitura Ubatuba, SMAPA e Instituto de Pesca http://www.pesca.sp.gov.br/noticia.php?id_not=7593 e a mitilicultura ou cultivo de mexilhões http://www.rbma.org.br/mercadomataatlantica/ficha_0114.asp
.
Depois, seguimos rumo a Vila de Picinguapa onde pernoitamos e no dia seguinte seguimos para a Ilha das Couves junto com o s maricultores locais que tocam o Projeto Vieiras junto com a EcoAssociação. http://www.ecoassociacao.org.br/
Este projeto é muito bonito assim como o local que é paradisíaco, e as vieiras estão enormes e deliciosas, vale a pena visitar.
O Progama será exibido dia 14 de Junho perto da meia noite na Globo, e será o último episódio da temporada 2012. Agradecemos imensamento a todos os pescadores e maricultores que ajudaram nas gravações e também os parceiros da Maricultura Paulista, AMESP, ECOASSOCIAÇÃO, APE, SMAPA-PMU, INSTITUTO DE PESCA, APA MARINHA LN, MARINHA DO BRASIL, SPU, MPA, CETESB.
Marcadores:
bérgamo,
canoa caiçara,
cerco flutuante,
giraud,
maricultura,
németh,
pescadores da enseada,
picinguaba ernesto paglia,
praia da enseada,
ubatuba,
vieiras
Assinar:
Postagens (Atom)