Uma das crenças mais difundidas a respeito da tainha é que ela seria um peixe abençoado por ter a imagem de Nossa Senhora estampada em suas escamas.
Fora esta crença popular a escama da tainha ainda tem uma função "estratégica" entre o rol de artimanhas dos pescadores.
Um dos principais fatores que garante o sucesso de uma pescaria tradicional é o "segredo" com respeito ao local onde está o cardume de Tainhas. Geralmente este cardume é chamado de "o peixe" e saber onde "o peixe" está, onde "o peixe dorme" e qual a quantidade do peixe é fundamental para o sucesso da pescaria.
Então durante a Época da Tainha, é comum os pescadores utilizarem as mais diversas estratégias para garantir o "segredo" sobre "o peixe". Então é muito comum entre os pescadores de uma localidade, mentir, enganar, despistar sobre o resultado de uma pescaria a fim de não revelar o "segredo" para os outros pescadores.
É aí que as escamas da tainha são utilizadas para cumprir esta função estratégica.
Muitas vezes quando o pescador quer dar a impressão de que matou muita tainha na noite anterior (mesmo tendo matado 2 ou 3), ele limpa as tainhas e junta as escamas e o sangue delas para espalha-los ao redor da canoa, por cima da rede e na proa da canoa, passando assim a impressão de que matou muitas tainhas.
Já com o intuito contrário, se ele matou muita tainha e quer esconder o sucesso da pescaria para que seus "concorrentes" não se dirijam para o pesqueiro utilizado na noite anterior, ele limpa todas as escamas de dentro da canoa, ou que tenham caído no chão, e lava todo o sangue de tainha que esteja na rede ou na proa da canoa.
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segunda-feira, 18 de junho de 2018
sábado, 18 de junho de 2016
É PRECISO PENSARMOS A TAINHA 2
Escrevi recentemente sobre o impacto da frota industrial sobre a captura da tainha e as consequências desta expropriação de um recurso natural que desde os primeiros registros históricos (STADEN, 1557) é a base da cultura litorânea de centenas de comunidades tradicionais do sudeste sul brasileiro:
http://canoadepau.blogspot.com.br/2015/06/e-preciso-pensarmos-tainha.html
Fonte principal: ARTIGO PESCA DE TRÓIA REPESCA 2016
Também, recentemente a tradicional pesca artesanal de tróia, a mais praticada na captura da tainha no litoral caiçara, passou a ser considerada ilegal, transformando a cultura dos pescadores em crime:
http://canoadepau.blogspot.com.br/2016/03/a-extincao-da-pesca-artesanal.html
Felizmente, nesta safra de tainha de 2016, quando as 50 traineiras (isso mesmo 50!) tentaram renovar suas licenças, não conseguiram, pois 100% delas haviam pescado em áreas proibidas no ano passado:
http://www.agricultura.gov.br/animal/noticias/2016/06/mapa-indefere-concessao-de-pesca-da-tainha-para-50-embarcacoes
Miranda (et al., 2011) defendem a suspensão da pesca de tainha pela frota de traineiras, e citam que em julho de 2010, apenas uma única traineira matou mais tainhas do que o total capturado no mesmo mês pela pequena pesca, em catorze (14) municípios paulistas. Alertam também que em São Paulo nesse mesmo ano de 2010, nos meses de junho e julho, apenas 1,1% das unidades produtivas envolvidas na pesca da tainha, eram de traineiras. Mesmo assim foram responsáveis, realizando apenas 0,4% das descargas, por 50,1% da captura total de tainhas. Demonstram os autores, cabalmente, a imensa desproporcionalidade entre a frota de traineiras e a pequena pesca, resultando em competição desigual, menor disponibilidade da espécie para as populações tradicionais e maiores custos sócio-econômicos e culturais para os usuários desse recurso pesqueiro(MIRANDA et al 2011: p.17-19).
Sabe-se no entanto que a imprevisibilidade é a única certeza quando se fala em recursos pesqueiros e tentar conseguir prever estas situações de altos e baixos da produtividade marinha é onde o progresso do conhecimento, pode ser de extrema ajuda (Andrew Bakun,1996).
Coincidência ou não, é fato consumado que nesta safra de 2016, as comunidades tradicionais caiçaras estão tendo resultados recordes com a pesca de tainhas. Vamos deixar as fotos falarem:
Fotos de: Mulheres Artesãs da Enseada da Baleia:
http://canoadepau.blogspot.com.br/2015/06/e-preciso-pensarmos-tainha.html
Fonte principal: ARTIGO PESCA DE TRÓIA REPESCA 2016
Também, recentemente a tradicional pesca artesanal de tróia, a mais praticada na captura da tainha no litoral caiçara, passou a ser considerada ilegal, transformando a cultura dos pescadores em crime:
http://canoadepau.blogspot.com.br/2016/03/a-extincao-da-pesca-artesanal.html
Felizmente, nesta safra de tainha de 2016, quando as 50 traineiras (isso mesmo 50!) tentaram renovar suas licenças, não conseguiram, pois 100% delas haviam pescado em áreas proibidas no ano passado:
http://www.agricultura.gov.br/animal/noticias/2016/06/mapa-indefere-concessao-de-pesca-da-tainha-para-50-embarcacoes
Miranda (et al., 2011) defendem a suspensão da pesca de tainha pela frota de traineiras, e citam que em julho de 2010, apenas uma única traineira matou mais tainhas do que o total capturado no mesmo mês pela pequena pesca, em catorze (14) municípios paulistas. Alertam também que em São Paulo nesse mesmo ano de 2010, nos meses de junho e julho, apenas 1,1% das unidades produtivas envolvidas na pesca da tainha, eram de traineiras. Mesmo assim foram responsáveis, realizando apenas 0,4% das descargas, por 50,1% da captura total de tainhas. Demonstram os autores, cabalmente, a imensa desproporcionalidade entre a frota de traineiras e a pequena pesca, resultando em competição desigual, menor disponibilidade da espécie para as populações tradicionais e maiores custos sócio-econômicos e culturais para os usuários desse recurso pesqueiro(MIRANDA et al 2011: p.17-19).
Sabe-se no entanto que a imprevisibilidade é a única certeza quando se fala em recursos pesqueiros e tentar conseguir prever estas situações de altos e baixos da produtividade marinha é onde o progresso do conhecimento, pode ser de extrema ajuda (Andrew Bakun,1996).
Coincidência ou não, é fato consumado que nesta safra de 2016, as comunidades tradicionais caiçaras estão tendo resultados recordes com a pesca de tainhas. Vamos deixar as fotos falarem:
Fotos de: Mulheres Artesãs da Enseada da Baleia:
Fotos de: Leila Anunciação, Trindade R.J.:
Fotos de Ten. Cel. Macário Ubatumirim, Ubatuba:
Fotos de Fabíola Soares, Praia da Justa, Ubatuba:
Dezenas de comunidades caiçaras estão ganhando o seu quinhão. A cultura da tainha está sendo repassada e saberes ancestrais estão novamente sendo exercitados.
Os industriais reclamam prejuízos com a exportação do CAVIAR BRASILEIRO para os chineses.
A ova de tainha é uma iguaria exportada pelo brasil e custa aqui quase 500 reais o quilo: BOTTARGA
Bem, fala pros chineses que lá no Paulinho, na Praia da Enseada, tem ova de montão! Este ano o caviar é dos caiçaras!
Foto de Roberto Ferrero, Praia da Enseada, Ubatuba:
Mais informações sobre o caso no blog: ÚÚÚÚ!!! TAINHA NA REDE.
Atualizado em 25/04/17: Artigo relacionado recente CEPSUL: DE QUEM È O PEIXE?
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