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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

"GARRAMAR" - O SURFE CAIÇARA EM CANOAS

A primeira vez em que ouví a palavra "garramar", anotei: "agarra mar", mas depois confirmei ser garramar mesmo. Trata-se de surfar uma onda com a canoa à remo, seja por puro divertimento, (brincadeira de infância de muitos dos meus Mestres Caiçaras durante as maresias), seja para demonstrar habilidade e coragem, pois dependendo do tamanho da onda pode ser fatal bater a cabeça contra o tronco esculpido.
Como no surfe, é muito importante escolher a onda certa, (que abra e não seja "caixote") e também governar com o remo para que a canoa não atravesse na onda causando um capotamento.
Algumas técnicas ajudam neste processo:
1- andar para a proa (board walk) facilita entrar na onda;
2- ficar na popa com o remo bem afundado, funcionando de leme, facilita manter o rumo correto;
3- é preciso sempre descer a onda um pouco de "fianco", ou seja, na diagonal para o lado que a onda abre (como no surfe), e o remo sempre no bordo oposto "encontrando"a água para impedir que a canoa atravesse, esse é o movimento mais difícil e que precisa de certa dose de fé; (veja aqui 0:42s);
4- caso ocorra um capotamento, deve-se afastar ao máximo do casco para não ser atingido, e o remo deve ser largado para que não quebre.

O garramar exige muita habilidade e coragem, seja nas exibições durante as corridas de canoas, seja na volta à praia depois das pescarias quando o mar está grosso. Nestes casos o perigo aumenta ainda mais pois a canoa está cheia e pesada com a rede, e caso haja um capotamento e a rede vire por cima do pescador, é morte certa.

Algumas imagens podem falar bem mais do que tentar descrever esta bela arte dos pescadores Caiçaras mais destemidos:

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foto1: Cristina Prochaska (Lucas da Barra Seca - Ubatuba 2011) 

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fotos 2, 3 e 4: Fausto Pires de Campos (Trindade-RJ, Década de 70)

Garramar triplo, fonte: facebook



segunda-feira, 28 de maio de 2012

CULTURA CAIÇARA ALCANÇA O MUBE PELAS LENTES DE CRISTINA PROCHASKA

Estará no MuBE, (Museu Brasileiro de Escultura), de 23 de maio a 2 de junho a exposição PHOTO GRAPHIAS de Cristina Prochaska.

Cristina neste trabalho mostra detalhes das embarcações dos caiçaras, canoas e barcos de pesca compondo com as cores, formas e curvas imagens quase abstratas.

Muitas imagens expostas no MuBE foram captadas nas areias da Praia da Enseada em Ubatuba-SP onde a família de Cristina construiu um grande vínculo desde os anos 50, convivendo integrada com a comunidade de pescadrores caiçaras locais.

Algumas fotos mostram a beleza dos remos caiçaras, esculpidos com maestria pelos pescadores caiçaras. A forma do remo caiçara é uma herança indígena, que os usavam também como lança.

Remo esculpido em guacá, por Maximiliano do Cambury.

“Sou apaixonada por esculturas flutuantes, talhadas artesanalmente, e homens e mulheres que tiram do mar seu sustento. Essa gente é minha inspiração, tenho muito respeito e admiração por esse povo”, explica Cristina. Para ela, a máquina e um par de lentes na bolsa são suficientes. “Fechei o foco, o plano, busquei as formas, cores e texturas sólidas, marcadas pelo tempo e pela água salgada. Foi um desafio interessante tirar o ‘Mar’, o fundo infinito natural desses objetos fascinantes – os barcos, verdadeiras esculturas flutuantes.”


Remo esculpido em canelinha por Pedro Costa, da Ilha Vitória.


"PHOTO GRAPHIAS", DE CRISTINA PROCHASKA
QUANDO
: de 23/5 a 2/6; de ter. a dom., das 10h às 19h
ONDE: MuBE (av. Europa, 218, São Paulo, tel. 11 2594-2601)
QUANTO: entrada gratuita


fonte: http://mube.art.br/expos/photo-graphias/
fotos: Peter Santos Németh