sexta-feira, 20 de outubro de 2017

MARVADA

A canoa MARVADA foi construída pelo mestre Baéco (Benedito Barbosa), mestre canoeiro pertencente à reconhecida família Neri Barbosa do Ubatumirim. Ela mede 6,5 metros de comprimento por 0,8 metro de boca. Sua madeira de origem não é bem ao certo estabelecida, já me foi dito: Louro, Araçarana, entre outras que não mais consigo lembrar. Pretendo investigar com melhor registro quando possível. Trata-se de uma madeira que lasca muito rapidamente sob sol forte, mesmo que estando a canoa navegando ao mar.
Quem a encomendou foi o sr. Roberto Prochaska acompanhado de seu companheiro de pesca Lagarto (Pedro de Jesus) diretamente com o Baéco por volta do ano de 2004. Ela chegou à Praia da Enseada em maio de 2005 onde foi batizada MARVADA, ganhando sua cor verde escura e o nome em amarelo pintado por mim.

O batismo de mar foi celebrado pela madrinha Leila de Carvalho Santos, amiga praiana de longa data do sr. Roberto, acompanhada pelos pescadores Lagarto e Zézinho que também inauguravam uma rede de Tróia recém entralhada para pescar tainhas.

Acredito que eu tenha feito três reformas na Marvada sendo que na primeira retirei 90% da tinta com lixadeira de mão, sempre preservando integralmente as linhas: do "cintado de borda", da "tábua de fundo", proa completa e espelho de popa. Desta feita transferi todas as medidas originais estabelecidas pelo "feitio do Baéco", reproduzidas abaixo.Em seguida dei-lhe um banho de epóxi Araltec a 20% diluído em álcool combustível (ainda não ousava faze-lo a 8 ou 10%).


A segunda reforma ocorreu por volta do ano de 2010, quando desta vez apenas lixamos totalmente a canoa preservando toda a tinta antiga e coloquei dois bancos novos de garapeira fixados com parafusos de inox. Depois apenas reforcei o nome em amarelo brilhante e repintei todo o verde, preparando tudo para a 1ª Corrida de Canoas Pescadores da Enseada (assista ao vídeo aqui).
Segunda reforma em julho de 2010. Turma da Enseada na lixa.

MARVADA ao fundo durante a corrida de canoas. Enseada, 2010.
Em 2011 adquiri a MARVADA do sr. Roberto. A canoa já apresentava várias partes "pijucando" principalmente na proa e bordos, pois foi muito exposta ao tempo, apenas coberta por uma lona durante os intervalos de pescaria.  Depois de bem enxuta lixei fora cerca de 40% da tinta antiga. Em um dia de sol forte dei-lhe um banho de epóxi a 10%, utilizando cerca de 20 litros de resina diluída em álcool combustível, principalmente em seu lado de dentro. Após a resina seca adicionei uma faixa também amarela demarcando definitivamente a "linha do cintado do bordo". É esta a principal linha que mantém a integridade do "feitio" do mestre canoeiro, preservando suas características de navegabilidade inicialmente projetadas. Junto com a linha da "tábua do fundo" o "cintado do bordo" estabelece a estabilidade e as entradas e saídas de água da Canoa Caiçara. Nesta ocasião também troquei um pedaço do bordo da canoa, preservando l00% das linhas originais.
Linha do cintado do bordo demarcada em amarelo. Enseada, maio de 2011.
Pintura em junho de 2011.

Corrida de canoas em julho de 2011.
Agora em 2017 a MARVADA precisa de uma boa reforma geral. Sua "garra de proa" está com um pedaço grande bem pijuco. Em julho de 2016 fiz um grande remendo provisório tirando 90% da parte podre e aplicando epóxi a 8% no local afetado. Mas depois porcamente enxertei isopor e vedei tudo usando massa de Araltec com serragem bem fina. Fiz esta porcaria pois precisava usar a MARVADA com urgência para o trabalho de campo da minha pesquisa de mestrado (acesse aqui).
Pretendo brevemente lixar de novo 90% da tinta e tirar todos os pontos de podridão. Depois banhar com epóxi a 8% e refazer a pintura. Quem sabe assim ela volta pras corridas.


sábado, 7 de outubro de 2017

MAPA DA CANOA CAIÇARA

Apresentamos o Mapa Colaborativo da Canoa Caiçara (CLIQUE AQUI PARA ACESSAR).

A Canoa Caiçara, como toda embarcação tradicional, é expressão material da inventividade e personalidade cultural da comunidade que a produziu. Para construir uma Canoa Caiçara é preciso dominar um sofisticado sistema de saberes associados às artes da pesca, navegação e carpintaria naval, modeladas ao longo de gerações especialmente para as condições náuticas locais, com a matéria prima disponível e adaptada aos usos e necessidades sociais específicas de um território.

"Consideramos território caiçara o espaço litorâneo entre o sul do Rio de Janeiro e o Paraná onde se desenvolveu um modo de vida baseado na pequena produção de mercadorias que associa a pequena agricultura e a pesca, além de elementos culturais comuns, como o linguajar característico, festas e uma forma específica de ver o mundo. Apesar das características comuns a todas as comunidades caiçaras, existem variações culturais importantes entre o litoral sul do Rio de Janeiro, norte de São Paulo e sul de São Paulo e Paraná que se explicam pelos tipos e graus de inserção nas economias regionais e pela contribuição, em grau variado, das diversas matrizes culturais. Essas diferenças se refletem, por exemplo, nos tipos de embarcações usadas e que se distinguem pela função e tipo de ambiente em que são utilizadas (mar, estuário, rios) bem como pelo diferente aporte de outras culturas (como a baleeira trazida pelos catarinenses açorianos) vizinhas como a caipira e a açoriana". (DIEGUES, Enciclopédia Caiçara, Vol. 1, pg. 25)


Mapa do território Caiçara por Diegues (2005): Enciclopédia Caiçara, Vol. 4, pg. 320. 

 O registro do Complexo Cultural da Canoa Caiçara deve portanto abranger as diferentes dimensões de seu papel na cultura local, os múltiplos saberes artesanais envolvidos em sua construção e uso, assim como o universo simbólico - festas, lendas, lugares de uso e de memória -, que a envolve.
Acreditamos que o reconhecimento institucional, pelo Estado brasileiro, da cultura Caiçara, é instrumento fundamental para a garantia de direitos constitucionais reservados aos grupos e comunidades tradicionais. Assim contribuindo para a formulação de políticas públicas de planejamento territorial, ambiental e fundiário, em um projeto de desenvolvimento que abrigue os produtores e detentores desta importante e ameaçada parcela da cultura nacional.
Neste sentido, o Mapa da Canoa Caiçara se constitui não apenas como um banco de dados mas também como instrumento de divulgação e mobilização em torno do reconhecimento da Cultura Caiçara. 
Para tanto, convidamos a todos os interessados a participar, com a elaboração do MAPA DA CANOA CAIÇARA (clique) através do facebook. Onde todas as informações serão recebidas, filtradas e depois plotadas por nossa equipe de colaboradores.

Texto por Adrian Ribaric e Peter Santos Németh.

Mais informações em: 


MAPA DA CANOA CAIÇARA Google Maps 



Foto: Peter Santos Németh, Praia da Enseada, Ubatuba, SP

sábado, 30 de setembro de 2017

Canoa RIFA entrando na linha

Chegou a vez da Canoa RIFA passar por uma reformazinha. Colocar pedaços onde está "pijuca", alargar a boca para deixar o bordo retinho, trocar os bancos e acertar a linha da "táboa do fundo". Depois de 10 anos de feita pelo Mestre Renato Bueno essa canoa de guapuruvu merece um tratamento especial. 
Fotos e trabalho de reparo por Peter Santos Németh, Praia da Enseada, julho de 2017.









 


terça-feira, 19 de setembro de 2017

60 anos de tradição das corridas de canoas em Ubatuba.

Fim de semana último comemorou-se os 60 anos da tradicional corrida de canoas da Praia do Itaguá, em Ubatuba.
(fotos de Thiago Mariano).
Mestre caiçara Élvio Damásio, narrado oficial das corridas de Canoas. 

"Os professores Joaquim Lauro e Enesmar de Oliveira, seguidos de perto por outro rapazote chamado José Odail, criaram a corrida de canoas caiçaras. Esta corrida era feita com canoas de trabalho dos pescadores e tinha como premiação utensílios diversos que propiciassem melhoria das condições de vida dos concorrentes. Durante muitos anos o grande patrocinador das premiações foi o Sr “Cicillo” Matarazzo que depois viria a ser prefeito de Ubatuba. Com o tempo a corrida foi se transformando com canoas feitas especialmente para a competição, e com a inclusão de novas categorias como a feminina e a de turistas, e a premiação foi estendida aos últimos lugares que recebiam seu vidro de Biotônico Fontoura. Novos desafios se apresentaram aos campeões que faziam novas canoas, e remavam até Santos refazendo a jornada histórica do Cacique Cunhambebe com Manoel de Nóbrega, para assinatura do primeiro tratado de paz do Brasil: “Paz de Iperoig” realizada na canoa Maria Comprida, que encontra-se na Fundart." (fonte Curiosidades Ubatuba, clique no texto azul acima e saiba mais sobre o Prof. Joaquim Lauro).


A partir do ano de 2000, tomou força o resgate das corridas de canoas caiçaras em Ubatuba com o empenho principalmente da comunidade do Itaguá na promoção da corrida Nossa Senhora das Dores do Itaguá capitaneada pelo pesquisador e músico caiçara Mário Gato. Segundo ele:
"As corridas de canoa se tornaram um evento muito importante para a cultura caiçara em Ubatuba, pois essa é atualmente uma das únicas formas de reunir pescadores e comunidades de norte e sul do litoral do município". (fonte: Tamar).

Mais fontes interessantes:
http://canoadepau.blogspot.com.br/2012/07/canoa-caicara-maria-comprida-comemora.html

http://fundart.com.br/cultura-e-esporte-corrida-de-canoas-caicaras-acontece-neste-domingo-em-ubatuba/

http://canoadepau.blogspot.com.br/2014/12/corrida-de-canoa-caicara-uma-historia.html

http://canoadepau.blogspot.com.br/2012/07/corrida-de-canoas-enseada-2012-ubatuba.html

http://canoadepau.blogspot.com.br/2012/12/garramar-o-surfe-caicara-em-canoas.html

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Pegadeira de Lula, Ubatuba março de 2004.

Alguém se lembra da pegadeira de lula que ocorreu em março de 2004 nos arredores da Ilha Rapada em Ubatuba - SP?
Pois foi uma ocorrência realmente incrível. Chegamos a capturar 10 quilos de lulas por hora, por pescador. Não era possível pescar com 3 linhas, mal dávamos conta de manejar 2, tal a velocidade das ferradas. Parávamos para guardar as lulas no gelo apenas quando elas começavam a atingir a altura das nossas canelas, o que dificultava nosso deslocamento no convés.
Durante a noite, o mar parecia uma cidade com tantas luzes de barcos acesas. Foi também o primeiro teste do Brazuca após sua reforma. Eu o James e o Lagarto capturamos mais de 300 quilos em cerca de uma noite e meio dia de pescaria. Até hoje, passados 13 anos, o fenômeno da pegadeira de lula nunca mais se repetiu na região.
O Élvio Damásio chegou a registrar oficialmente a captura de 400 toneladas de lulas no Mercado de Peixes durante os 3 meses de pegadeira, fora as lanchas de turistas, canoazinhas e barquinhos como o meu, que não registraram suas capturas.
Estão aí as fotos que eu tirei para comprovar.

Esta foi somente a minha parte, um terço, fora o que demos na praia. 

Brazuca saindo para rever o mar.












domingo, 9 de julho de 2017

Canoa Caiçara de "4 paus" é Zap... Truco!

O mestre canoeiro Renato Bueno de Ubatuba demonstrando toda sua criatividade e técnica ao restaurar esta canoa caiçara que estava com o fundo comprometido. Esta canoa veio de Paúba, São Sebastião. Cortou-a ao meio longitudinalmente e inseriu uma nova prancha no fundo, uma proa com garra e sobreproa em peça única e um espelho de popa para instalação de motor de popa. A canoa restaurada voltou navegando até Paúba com um motor de 25 hp. Veja as fotos.









quarta-feira, 31 de maio de 2017

MAPA DA TAINHA

Fonte: https://www.facebook.com/mapadatainha/
"A ideia deste projeto surgiu em 2016 dentro do Grupo de Estudos em Socioantropologia Marítima do NUPAUB-USP que coordena o Mapa da Tainha. A proposta deste mapeamento é registrar de modo colaborativo a captura da tainha (Mugil liza) pela pesca artesanal durante o período da safra de 2017. O objetivo principal é construir um banco de dados e imagens georeferenciados aberto a consulta de pescadores, pesquisadores e gestores públicos interessados em conhecer melhor a migração e a organização da pesca artesanal da tainha.
Acreditamos que o auto-monitoramento é instrumento fundamental para qualificar a interlocução dos pescadores nas instâncias gestoras responsáveis pela formulação de Políticas Públicas voltadas à pesca, à proteção ambiental e ao reconhecimento territorial de comunidades tradicionais. Importância que ganha destaque no atual contexto de desarticulação administrativa, restrição orçamentária e priorização de interesses empresariais, que colocam em risco iniciativas de ordenamento pesqueiro, como o processo de implementação das Diretrizes da FAO para a Pesca Artesanal no Brasil, e especificamente das discussões em torno do processo de formulação do Plano de Gestão para o Uso Sustentável da Tainha nas Regiões Sudeste e Sul do Brasil.
O Mapa da Tainha foi concebido para ser uma plataforma aberta, elaborada a partir da colaboração de pescadores e pesquisadores diretamente envolvidos com a pesca artesanal, com objetivo de sistematizar dados e informações a respeito do comportamento dos cardumes e das capturas realizadas pela pesca artesanal. Ampliando o conhecimento sobre a espécie e a atividade, subsidiando o movimento dos pescadores e apontando demandas e horizontes para a pesquisa acadêmica.
Para tanto convidamos aos interessados a colaborar enviando informações sobre a captura nas localidades, informando data e hora da captura - número de lanços se possível -, quantidade capturada, além de fotografias e vídeos."
Acesse mais informações sobre o Projeto em: http://nupaub.fflch.usp.br/sites/nupaub.fflch.usp.br/files/Mapeamento-colaborativo-da-tainha%20Nupaub.pdf
Acesse nossa Política de Privacidade em: http://nupaub.fflch.usp.br/node/19
Acesse nosso Mapa da Tainha em:
https://drive.google.com/open?id=1AtqcXXTHSxxiOqp-AvO7iyyd494&usp=sharing
Conheça nosso Formulário de Reporte de Captura em: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSe4ozTZPfImbe260rmff5wedg8NceuiWR59JtyigO7UQo7hXg/viewform?usp=sf_link


Praia do Gravatá, Florianópolis, SC. Foto: Facebook